domingo, 9 de junho de 2013

Dos melhores presentes que já dei a namorados

Presentear alguém é um ato muito especial. É uma declaração de que a pessoa tem sentimentos verdadeiros pela outra, que sempre a tem em mente, que ponderou profundamente sobre o que lhe poderia agradar, e, além disso, "despendeu" seu dinheiro, muitas vezes escasso, para simplesmente trazer alegria a alguém de sua profunda estima.

Sempre gostei de dar presentes verdadeiramente especiais às pessoas preciosas em minha vida. Não importava o valor monetário. Sempre considerei o se presentear um ato de dedicação bonito entre duas pessoas. E sempre caprichei bastante. Muito mais quando o receptor era meu parceiro romântico.

Em 1998 eu tinha 15 anos e um orçamento limitadíssimo. Acostumada a isso, já sabia ser necessário ter um "colchão de dinheiro", uma certa reserva, para imprevistos e momentos especiais. Eu tinha um namoradinho, muito apaixonado por mim, chamado Daniel.

Embora o sentimento que dedicava a ele fosse em menor intensidade, eu sabia valorizar o quanto ele me tratava bem e fazia todas as minhas vontades. Ao se aproximar o dia dos namorados, 12 de junho no Brasil, precisava lhe dar um presente especial, pois era realmente digno de mérito todo o amor adolescente que me dedicava.

Era ano de Copa do Mundo, na França. E ele não fugia ao clichê da "paixão pelo futebol" que brasileiros comumente têm. Não havia presente melhor a lhe dar que uma camisa da seleção brasileira. Fiz pesquisa. A "falsificada" de camelô, vagabunda, era 15 reais. A "falsificada" de loja, usável, era 30 reais. A original, em tecido dry fit, custava no shopping 80 reais a canarinho e 98 reais a "reserva", azul, muito mais bonita.

Meu dinheiro era muito, muito pouco. Me questionei qual era o "nível de amor" que Daniel me dedicava, e quanto deveria ser o "gasto justo" que deveria corresponder ao seu presente de dia dos namorados.

Ao dar presentes às pessoas de minha estima, sempre procurei não ser miserável, mesquinha, e sim lhes dar o que mereciam. E Daniel não merecia uma camisa falsificada, nem de baixo valor. Seu amor por mim era verdadeiro, profundo. E eu não trairia sua dignidade lhe dando um presente "inferior". Embora a camisa amarelo-canário oficial não fizesse feio algum, e custasse 18 preciosos reais a menos, pensei que uma blusa amarela não "combinaria com tudo" e que a azul, mesmo sendo mais cara, poderia ser usada em muitas mais ocasiões.

Não tive dúvida, mesmo que aqueles 98 reais me doessem, comprei a camisa oficial azul. E gigantesco foi o sorriso de Daniel ao recebê-la.

- Não acredito que vc me deu uma camisa oficial, azul, da seleção. Vc não acredita o quanto eu queria ganhar ela!

Em 2001, aos 17 anos, engatei meu segundo "namoro sério", com James. E a ele dei dois presentes durante os 4 anos de nossa convivência que tb considero verdadeiramente especiais. O primeiro teria sido de Natal, mas só o pude dar em princípios de Janeiro.

Até hoje me lembro da expressão de surpresa em seu rosto ao ganhá-lo. Não esperava um presente "tão bom". Eu ainda vivia das poucas notas que conseguia receber de Regina, cada real era suado, duramente negociado ou mesmo "arrancado" de suas mãos com chantagens. Apesar disso, sempre tinha escondidas "minhas reservas", sem que disto ela tivesse a mais vaga idéia.

Era descomedido meu amor por James, e embora eu soubesse que a recíproca não fosse verdadeira, queria lhe dar um presente que, de forma palpável, lhe demonstrasse a profundidade de meus sentimentos.

Sendo ele historiador e geógrafo, não podia ser alguma coisa banal, mas algo que ele visse como precioso, e útil.

Era muito, absurdamente, caro para mim. Mas na livraria encontrei o presente perfeito, e depois de achá-lo, nenhum outro serviria. Lhe comprei o livro "Trabalhadores" do fotógrafo Sebastião Salgado, em encadernação de luxo, com capa dura. Ele simplesmente não acreditou, e ficou muito feliz. Eu, mais ainda.

No ano seguinte lhe dei outro mimo precioso. Assistira recentemente ao filme "Um homem de família" (The family man) no qual Nicolas Cage interpreta um especulador de Wall Street que é "transportado" a uma realidade paralela, uma outra virtualidade do rumo que poderia ter dado a sua vida, como "pai de família". Ao abrir o armário de seu "outro eu" ele deplora o conteúdo de roupas baratas e sem grife. Apesar disso, seleciona as roupas "menos piores" para ir a uma festa, e na cena seguinte aparece com um belíssimo sweater de lã azul clara, com gola V.

Ao ir a Campos do Jordão em 2002, embora ainda longe do Natal, vi na vitrine de uma loja aquele mesmo suéter de lã azul com gola V, muito elegante. Custou caro, mas era perfeito. O comprei e dei a James. Ele não achou "assim" muito especial, mas gostou e imediatamente vestiu. Coube-lhe perfeitamente, e ele ficou muito charmoso, à la Nicolas Cage. Como um verdadeiro "homem de família".

Em 2003 namorei Felipe. Nosso enlace não chegou até o Natal, mas mesmo assim, se não lhe dei, lhe deixei um presente. Pouco versado em culinária e gastronomia, quando ia a sua casa eu lhe preparava muitos pratos, e para isso levei e lá deixei um livro de "Receitas Vegetarianas". Ao fim de nosso compromisso, não o pedi de volta, lá ficou, e o reputei como um presente dado a uma pessoa deveras especial. Espero que ainda hoje dele faça uso.

Em 2007 namorei Gabriel. 6 anos mais jovem que eu. Ele me amava com mais intensidade do que eu a ele. E da mesma forma como se passara com Daniel, queria homenagear o sentimento que me dedicava com um presente que "correspondesse" em sua preciosidade à consideração que eu tinha por ser alvo de sua "grande paixão".

Lhe comprei seu primeiro vidro de "eau de toilette", de "perfume de verdade", Kaiak de Natura, com estojo metálico e tudo. Foi esfuziante sua expressão de agradecimento. Ele gostou MESMO. Quando terminamos, mais de 1 ano depois, o frasco não estava nem pela metade. Creio que ainda o use.

Desde então não mais tive nenhum namoro sério, e nenhum parceiro romântico que de mim merecesse algum presente especial. Conforme os anos se passam, fico mais "fresca" e seletiva, procurando ínfimos defeitos para descartar quem quer que seja que se candidate a ser o próximo nesta lista.

Da mesma forma que apenas dou presentes especiais, apenas aceito parceiros românticos que eu considere especiais, dignos de receber presentes que "abram um rombo" em minhas finanças, agora mais "folgadas", com um "colchão" bem mais confortável.

O próximo a conseguir lugar nesta lista há de ser muito, muito, especial. Não aceito nada menos que isso.

Alanis Morissette - Unsent http://www.youtube.com/watch?v=8Wlhw_HJLts 

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