sábado, 17 de novembro de 2012
Porque sou Sionista
Muitas vezes nem os próprios jornalistas vão fundo nas questões sobre as quais fazem reportagens. E frequentemente suas posições apenas ecoam um paradigma político q parece "bonzinho" à primeira vista, mas não resiste a uma análise mais profunda.
No meu curso de História na USP sempre via os alunos "politizados" metendo o pau em Israel, levantando a bandeira da causa palestina e chamando os sionistas de "nazistas judeus".
Nada mais superficial...
O principal motivo desses grupos serem pró-palestina não é simpatizarem com os palestinos, mas serem anti-yankees. Identificam os EUA como "o inimigo capitalista" e todos os seus aliados como inimigos. E quem é contra os EUA como aliados.
Se não se conformassem com uma visão simplista e maniqueísta, iriam mais fundo na questão, se informando sobre quais bandeiras os palestinos levantam. E elas nada têm de "progressistas". A causa palestina propugna a pura e simples destruição do Estado de Israel e, se possível, a morte de todos os judeus. Pleiteiam em Canaã erigir um estado islâmico, daqueles onde a mulher é obrigada a usar o véu e liberdade de expressão merece pena de morte, por apedrejamento.
O Estado de Israel é laico. É a única democracia de todo o Oriente Médio. Em Israel, cristãos e muçulmanos podem professar livremente sua religião, sem perseguições. Em Israel, as mulheres podem andar com a roupa q quiserem, são convocadas para o serviço militar, são livres, até para ser a chefe do poder, como a primeira-ministra Golda Meir está para o provar.
O Estado de Israel não tenciona extirpar os palestinos da face da Terra. Não faz ataques terroristas nem bombardeios aleatórios. Apenas responde, com ataques cirúrgicos, quando atacado pelo grupo terrorista Hamas.
Qualquer pessoa q estude com sinceridade a causa judaico-palestina saberá q, por justiça, Israel pertence aos judeus. Eles são os ocupantes originários daquela terra. Da mesma forma q os indígenas brasileiros, como ocupantes originais desta terra, são os verdadeiros donos e merecem ter suas aldeias demarcadas e respeitadas.
Em 79 d.C. os judeus foram expulsos de Israel pelo Império Romano. Desde então foram estrangeiros na terra alheia, sem cidadania, discriminados, violentados. O ápice do antissemitismo ocidental foi o Holocausto nazista. Este fato, tão recente em termos históricos, demonstra q não há lugar no mundo onde os judeus podem se sentir 100% seguros de poder viver e professar sua cultura em paz, fora Israel, criado em 1948 justamente para abrigar os sobreviventes da "Solução Final".
Israel é o único país judeu do mundo. Quantos países islâmicos há, ou onde os muçulmanos são maioria? 30 ou 40, se não mais. Os palestinos poderiam tranquilamente viver no Egito, na Jordânia, no Líbano, sem serem incomodados. E os judeus, caso não houvesse Israel, poderiam viver tranquilamente nesses países? Seguramente q não, pois mesmo na Alemanha tão avançada, eis o fim q tiveram...
O Sionismo moderno nasceu com o sonho de Theodor Hertzel. Materializou-se com Oswaldo Aranha e ben Gurion. E este sonho, fragilmente concretizado, continua ameaçado. Israel sabe da fragilidade de sua condição, da inimizade de todos os seus vizinhos, do antissemitismo arraigado dos terroristas muçulmanos q manipulam a causa palestina.
É preciso coragem para declarar-se sionista, e pró-Israel. Mas por questão de honestidade intelectual, como historiadora q foi ao fundo da questão, não há como honestamente ter outra posição.
Israel tem o direito de existir!
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Família Suplicy, os Kennedy’s brasileiros
Alguns exemplos brasileiros. Em SP temos o ilustre caso dos 3 irmãos Andrada e Silva: José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos . No Maranhão temos o exemplo deletério da família Sarney. Na Bahia, os Magalhães. No Rio de Janeiro os “Garotinho”.... Em Minas, nasce a dinastia Neves, de Tancredo e Aécio.
A formação de dinastias republicanas não é fenômeno exclusivamente brasileiro. Nossos hermanos argentinos têm certo pendor peronista, recentemente materializado na dinastia Kirchner. No Peru, temos Alberto e Keiko Fujimori. Se Fernando Lugo encaminhar seus filhos à carreira política, faltarão cargos eletivos suficientes no Paraguai para os múltiplos filhos do presidente ex-bispo... Nos EUA são muitas as famílias com vários membros de destaque. As mais óbvias são os Clinton e os Bush.
Historicamente, só para citar famílias sem “sangue azul” é iconográfico o caso de Napoleão Bonaparte e seu sobrinho, Luís Napoleão, que subiu ao trono como Napoleão III. Mesmo contemporâneo, é também histórico o exemplo de Cuba, com Fidel Castro sucedido por seu irmão Raúl. Na Coréia do Norte, a família de Kim Jon-Il encaminha-se para a terceira geração no poder “republicano”...
Porém ocasionalmente algumas dinastias políticas revestem-se de certa aura taumatúrgica. Tal ocorreu nos EUA em relação aos Kennedys. Especialmente por seus dois mais destacados membros, John e Robert, terem se tornado arquetípicos mártires da América.
A Cultura política brasileira é toda outra. Políticos brasileiros não são assassinados por cidadãos malucos, ou por Conspirações da CIA, mas por simples jagunços e pistoleiros. Os políticos brasileiros não costumam ter mortes grandiosas. Pelo menos desde o suicídio de Getúlio Vargas. Minto. Desde o desaparecimento de Ulysses Guimarães, que fosse mais jovem e com “apelo midiático”, teria memória muito mais celebrada.
Político sui generis no desolador cenário político brasileiro é o “eterno” Senador por São Paulo Eduardo Matarazzo Suplicy. O “Matarazzo” já é toda uma declaração a respeito da classe social de qquer um que porte este sobrenome no estado de SP. Numa frase curta, os oriundi Matarazzo obtiveram o titulo nobiliárquico de “Conde” sob o Império de Pedro II.
Eduardo Suplicy encarna uma verdadeira bandeira em prol da retidão. Sua persona emana segurança, dignidade, republicanismo. Outra característica maravilhosa do senador Suplicy, apanágio das pessoas muito bem-resolvidas, é que ele não tem medo de rir de si mesmo, não se sente na necessidade contínua de “manter a compostura”. Suplicy tem “compostura” intrínseca e pode, portanto, impunemente, prescindir de qquer “pose”. É figurinha carimbada e carinhosamente reverenciada nos programas de humor jornalístico. Não teve medo de vestir a sunga vermelha de super-homem que Sabrina Sato lhe ofereceu via Pânico na TV (e que o programa, em respeito ao Senador e para não complicá-lo na hilariante “Comissão de Ética do Senado” não levou ao ar, deferência que nenhum outro político receberia...)
Recentemente, participou de um “detector de mentiras” no programa CQC - Custe o que Custar. Na matéria ele era apresentado como “um político que nunca mente”. Aplicaram-lhe o teste com várias perguntas espinhosas, às quais qquer político se furtaria em responder. Não alguém seguro de uma honra imaculada. O detector acusou mentiras? Rsrsrs... Claro! Uma das perguntas foi se o casamento com Martha Suplicy foi “fácil”. Após pensar, disse que sim. Mentira! Quem conhecer 1 só casamento fácil que atire a primeira pedra. Outra pergunta foi se alguma vez ele teve vontade de “dar na cara” da Martha. Após ponderar, disse não. Mentira! Confrontado com o resultado, explicou em seu reticente tom de bom-moço: “Posso até ter pensado, mas nunca, jamais, realizei nada neste sentido”. Verdade! Quem nunca teve vontade de esmurrar aos mais próximos que atire a primeira pedra. De todas as perguntas de escopo político, Suplicy graduou-se com louvor. E com verdade. Afirmou claramente nunca ter recebido presentes de lobbistas. VERDADE!!!!
Detalhe pertinente das diferenças entre EUA e Brasil é que um político como Eduardo Suplicy, apesar de todos os seus méritos pessoais e sua ética imaculada, jamais teria uma carreira de destaque entre os preconceituosos e mui conservadores yankees. Seria guilhotinado por sua família. Nos EUA esposas de políticos devem ser donas de casa modelo, no máximo, políticas que serem-lhes apenas de sombra. E seus filhos, mauricinhos engravatados. Eduardo Suplicy foi casado longamente com uma sexóloga e seu filho mais famoso (seu Júnior) é também o punk mais famoso do Brasil: Supla.
Na década de 1980 Marta Sulicy ficou famosa por apresentar um programa na TV sobre sexo, ao lado de Marília Gabriela. Também na década de 1980 Supla chocava o Brasil com seus ilhoses, seu cabelo moicano e suas músicas horrendas. Uma esposa que fala sobre obscenidades na TV e um filho aparentemente drogado seriam suficientes para fadar ao fracasso a carreira de qquer político americano. Creio que o sucesso de Suplicy no Brasil diz algo de bom sobre a tolerância cultural de nossa nação.
Mesmo assim parecia algo meio “fora de lugar” o roqueiro multi-colorido Supla naquela que poderia ter sido a família Dó-Ré-Mi brasileira. Mas se há algo de curioso e reflexivo na vida é que o mundo dá muitas, muitas voltas. Quem hoje está por cima, amanhã está por baixo. Quem hoje é desprezado amanhã será honrado. E ninguém sabe para que rumo a roda da vida há de nos levar.
Para a família Suplicy isso se deu no programa “Casa dos Artistas”, o Big Brother com famosos que foi ao ar no Brasil pelo SBT de Sílvio Santos. Cujo casting contava com o pseudo-artista Supla. Até sua entrada nesse programa, todo o Brasil tinha uma visão pré-concebida de Supla como um “punk”: rebelde, grosseiro, violento, mal-educado. Uma fruta podre uma família de bem, depondo contra seu pai enquanto “bom gestor” e sua mãe como “psicóloga”, e contra ambos como políticos. Supla era o turn-off, o ponto baixo na biografia de seus pais. Até que o Brasil o conhecesse.
Em “Casa dos Artistas I” o Brasil teve uma das poucas boas surpresas políticas de sua história. Supla revelou-se um verdadeiro gentleman: educação principesca, gentileza, razoabilidade, pontos de vista esclarecidos, ausência de preconceito, disposição em ajudar, conversar, aconselhar, personalidade afável. Quem assustava por sua aparência cativou ao Brasil por sua docilidade. Desde o começo do programa até seu último episódio, Supla era o franco favorito. E teria ganho. Na verdade ganhou. Supla e a família Suplicy foram os grande vencedores da “Casa dos Artistas”, embora Eduardinho Júnior não tenha ganho o prêmio, para surpresa de todos, no último minuto.
Recomendo a todos assitir ao episódio final deste programa. Foi eletrizante. Ao longo dos meses de episódios de confinamento, vimos nascer um romance inspirador entre o garoto rebelde mais querido do Brasil e o membro menos conhecido dentre os “artistas” selecionados: a atriz Bárbara Paz. O grande público nunca ouvira falar dela. E, junto com Supla, o Brasil foi aos poucos se enamorando desta gaúcha de triste história. Lindo foi o entrosamento de ambos. E muitos telespectadores viram-se diante de uma história moderna de “Cinderella”.
Supla teria ganho, não fosse ele rico. E não tivesse o Brasil percebido que, para ele, ganhar algumas centenas de milhares de reais não faria diferença a um Matarazzo. Já para a neo-princesa seria determinante. Ninguém, muito menos a própria Bárbara, achava que ela ia ganhar. Isso fica claro ao assistir ao episódio final, com ela quase dissolvendo-se no sofá, o rosto marejado displiscentemente manchado de delineador. Após a revelação final do ganhador, lindíssima foi a cena de ela sendo recebida pelo rei e pela rainha-mãe, então prefeita de São Paulo. E terno foi o gesto de Marta ao ajeitar a maquiagem na nora que só então conhecia, mas por quem o Brasil inteiro já se apaixonara.
Não fosse o programa “Casa dos Artistas” o Brasil continuaria apensar: “Como um cara tão bom como o Suplicy não deu um jeito no Supla?” e “Como uma psicóloga pode criar tão mal um filho a ponto de ele virar punk?” Mas veio a Casa dos Artistas e a gentileza e fino trato de Supla demonstraram cabalmente ao Brasil como as aparências enganam.
Update 10 anos depois:
Eduardo e Martha Suplicy divorciaram-se. Ela casou-se com um argentino. Curiosamente, isso não resultou num suicídio político. Hoje já estão separados.
Em 2010 Martha foi eleita Senadora por SP. Portanto, dos 3 Senadores a que SP tem direito, hoje 2 atendem pelo sobrenome Suplicy.
O namoro de Supla de Bárbara Paz não durou muito. Hoje ela é uma respeita atriz, casada com o diretor de cinema, curiosamente também argentino, Hector Babenco.
Hoje em dia Supla apresenta, ao lado de seu irmão "mais cool" João Suplicy, o programa jovem e musical "Brothers". Supla continua a cultivar o look "Punk", apesar de já passado dos 40 anos de idade...
Nenhum dos filhos do casal Suplicy parece inclinado a enveredar pela carreira política.
A única música de "sucesso" de Supla é "Japa Girl". Gravada na década de 1980.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
O swing de Shakira pode ser a arma definitiva para a paz mundial?
Shakira Mebarak é a mais lucrativa commodity colombiana. Talvez ela personifique a mais vistosa contribuição da Colômbia ao planeta, suplantando Fernando Botero, Gabriel García Márques, o café premium e até a cocaína.
Porém Shakira não é uma “cantora colombiana”, é uma artista pop internacional cujo local de nascimento é mero detalhe. Shakira personifica o melting pot étnico da América Latina. E a liberdade sexual da mulher ocidental.
Seu começo de carreira foi o de uma “cantora colombiana”. Cantava em espanhol temas românticos, juvenis, despretensiosos. Em 1996, ao conhecê-la através de seus “Pies Descalzos”, Shakira não soava muito diferente de Paula Toller, Adriana Calcanhotto, Ana Carolina, Zélia Duncan, Marina Lima, Cássia Eller, Jewel, Natalie Imbruglia, Dido, The Cranberries, Sinead O’Connor, No Doubt. Diria até com uma versão juvenil, menos séria e talentosa de Marisa Monte. Sem esquecer a matriz de todas as cantoras ocidentais pós 1985 e a própria inventora do girlpower antes que o próprio termo fosse cunhado: Madonna. Que, mesmo começando como um clone da então famosa Cindy Lauper, provou que tinha muitas cartas na manga, como Shakira.
Em anos de Alanis Morissette, Shakira soava como uma versão latina desta rebeldia adolescente, deste girlpower ascendente, pois também eram tempos de Spice Girls. Neste começo de carreira Shakira não tocava musical ou imageticamente em sua ascendência turca, ou melhor, sírio-libanesa. Isto era um detalhe. Shakira era uma cantora hispânica, e cantava baladas em temas sonoros latinos.
Porém com o lançamento em 2001 de “Laundry Service” o tom e os temas de Shakira mudaram. O ponto de inflexão se deu a partir do lançamento da ainda em espanhol “Ojos Así”. A partir de então Shakira “deixou de ser latina” para tornar-se internacional, sem fronteiras. Com esta música Shakira uniu as duas pontas até então soltas de sua identidade: sua herança oriental, árabe, com sua circunstância ocidental, latino-americana. E começou a cantar em inglês, tornando-se palatável e atraente a então inexpugnáveis audiências, pouco afeitas à variedade cultural e receptivas a uma cantora em língua espanhola.
A partir de seu encontro com a Sony internacional do pigmaleão pop Tommy Motolla, Shakira sacou a carta que guardava até então insuspeita na manga: o balanço de seus quadris. E a cantar claramente que seus “Hips don’t lie”. Mais do que swingar seus quadris, coisa que qualquer Spice Girl, Jennifer López ou Beyoncé pode fazer, Shakira ia muito além: exibia dotes de dançarina bem versada na secreta especialidade islâmica da dança do ventre. Mexendo e tremendo sensualmente músculos de que as ocidentais sequer conheciam a existência.
E é este detalhe que a faz uma interlocutora fluente e uma mediadora eficaz nas conversas entre Oriente e Ocidente que, esperamos, virão impedir o “Clash of Civilizations” preconizado por Francis Fukuyama e materializado nos atentados de 11 de setembro. A própria data com apenas dia e mês excede explicações adicionais sobre o fato aludido. Não, não me refiro à queda de Salvador Allende no Chile. :p
O “convencimento” se dá pela força ou pela persuasão. Desnecessário dizer que a persuasão é muito mais eficaz e perene que o cerceamento violento. E Shakira é um trunfo do Ocidente que poderia ser muito bem apresentado no truco vale-doze da Política da Boa Vizinhança.
A Política da Boa Vizinhança foi posta em prática pelos EUA nas décadas de 1930 e 1940 como ação afirmativa de sedução cultural da América Latina. Visava arregimentar os países latino-americanos para a esfera de influência cultural e política dos EUA, em oposição aos regimes totalitários europeus. Os EUA queriam vender uma imagem de modernidade, futuro, democracia, liberdade. Mas para convencer aos latino-americanos a aderir nesta joint venture eram necessários interlocutores/mediadores locais. Era necessário encontrar, lapidar, valorizar e divulgar artistas latinos plastificados e pasteurizados à moda dos EUA.
No Brasil os dois expoentes máximos desta política foram Zé Carioca e Carmen Miranda. Zé Carioca, papagaio criado sob medida por Walt Disney para incluir em seu panteão mítico um “amigo” brasileiro. Filme clássico e significativo desta época é o “Você já foi à Bahia?” no qual o rabugento Pato Donald desfila sobre paisagens brasileiras que são grandes clichês. Porém, que de certa forma davam aos brasileiros a impressão de serem aceitos, assimilados carinhosamente pelos EUA.
Exemplo maior e melhor é o da portuguesa de nascimento e brasileira por vocação Carmen Miranda em seu tutti-frutti hat. A pequena notável tornou-se uma interlocutora fluente e uma mediadora eficaz nas conversas entre Brasil e Estados Unidos. Diz-se, não sei se folcloricamente, que em sua época Carmen Miranda foi a mais bem-sucedida artista “americana”, id est, que seu sucesso seria auto-sustentável independentemente de jetons e jabás político-culturais. Que ela não faria sucesso como uma “curiosidade tropical passageira”, similar a uma cantora folclórica. Como o Abba seria uma “curiosidade folclórica nórdica passageira”. E Laura Pausini seria uma “curiosidade folclórica-pop italiana passageira”. Mas como uma artista sem fronteiras, internacional. Tal qual Shakira é hoje.
O convencimento pela força pode ser posto em prática com “leis afirmativas” ou negativas/deletérias, como é o caso recente na França. A França tentou proibir, via lei, que a muçulmanas residentes, ou de passagem por seu território, usem vestes muçulmanas que cubram-lhe o rosto, como o niqqab, o hijab e a burka. Como toda proibição e tentativa de legislar laicamente sobre a religião alheia, é óbvio que tal medida é abusiva e está sendo alvo de muitos protestos, principalmente da parte de mulheres muçulmanas que sentem-se aviltadas e cerceadas em sua liberdade religiosa. Com mais do que razão.
Acompanhando as vozes que defendem a liberdade da muçulmana cobrir-se tal qual a da cristã descobrir-se subjaz uma pergunta sem resposta: a mulher muçulmana se cobre e se esconde espontaneamente por fervor religioso ou a mulher muçulmana cobre-se por opressão, falta de escolha e de liberdade?
Tentar obrigar as mulheres muçulmanas a despirem-se de seus véus é contra-producete e abusivo. Não é pela força que se efetiva o convencimento, mas através da persuasão cultural insidiosa, quase muda, insuspeita, que transcende argumentos racionais, pois em termos religiosos não os há.
Não é através da asserção plúmbea, por decreto, que o Ocidente convencerá as muçulmanas a “rasgar” ou prescindir do véu. Mas através da sedução horizontal, sibilante, acetinada, atrativa. É aí que Shakira e o balanço de seus quadris podem ser muito mais efetivos que a derrubada de Saddam Hussein e a aniquilação da Al Quaeda. O swing de Shakira faz muito mais pela assimilação e integração entre Oriente e Ocidente que qualquer arma de destruição em massa ou ação de espionagem.
Shakira tem o poder de, sendo uma mulher de origem árabe, mostrar a suas primas que ainda residem no Oriente Médio o quanto o Ocidente pode dar poder e liberdade às mulheres. A mensagem é tão mais eficaz quanto não pré-fabricada em linha de montagem com ISO 9000. Insuspeitamente, ao incluir o swing árabe único dos quadris e a sonoridade libanesa ancestral em suas músicas Shakira tornou-se um modelo, um quase tipo-ideal hegeliano da mulher muçulmana que rasgou o véu e ressemantizou sua herança cultural de forma a valorizar a liberdade, a identidade, a sensualidade, a beleza poderosa da condição feminina.
Como diz um rapper em uma de suas músicas:
“I didn’t know someone could dance like this, she makes a man want to speak Spanish. Como se llama? Bonita. Mi casa, su casa.”
Para convencer o mundo muçulmano a aderir à cultura Ocidental, muito mais efetivo que panfletar a Constituição Americana ou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão seria divulgar massivamente entre os jovens muçulmanos as músicas e, especialmente, a imagem de Shakira. Ao vê-la poderosa, bem sucedida, bem resolvida, rebolar livremente seus quadris enquanto marmanjos babam por ela homens muçulmanos pensarão “Quero uma mulher como ela” (a la o single posterior das descartáveis Pussycat Dolls “Don’t you wish your girlfriend was hot like me?”)
Porém, mais importante que sua potencial e certeira sedução sobre os homens é seu exemplo sobre as mulheres. Vendo-a, as muçulmanas sedentas por liberdade terão um ícone imagético, uma silhueta paradigmática. Se verão, à manivela, diante de uma ampliação de seu campo proximal vygotskyano cultural. Após ver Shakira, linda, loira, sorridente, conquistar o mundo exibindo a secreta arte árabe da belly dancing jamais a esfera mental de uma muçulmana reprimida voltará a ser a mesma. Pois a partir de então ela verá, diante de si, e sem palavras, uma mulher árabe como ela, mas livre, exposta e feliz, colocando o mundo, e os homens, a seus pés.
Após esta exposição fica o seguinte como sugestão às agências internacionais que agem no mundo islâmico. Conjuntamente com a ajuda humanitária ofertada às muitas zonas de guerra e conflito social, junto às doações de comida, remédios e alimentos, forneçam também CD’s e DVD’s de Shakira. O swing de seus quadris contribuirá muito mais para a “paz entre as nações” e a conciliação entre cristãos e muçulmanos que toneladas de donativos, ou centenas de decretos, leis e ações afirmativas ou negativas/deletérias. As relações Oriente-Ocidente, mais do que guerras e bombas, precisam de uma bem arquitetada reedição da Política da Boa Vizinhança para que o modo de vida ocidental torne-se palatável e sedutor ao Mundo Muçulmano.
O balanço dos quadris de Shakira é capaz de muito mais do que fazer um homem querer aprender espanhol. É capaz de convencer muçulmanas de viver à Ocidental e a rasgar o véu. Com girlpower.
Para ouvir:
Estoy Aqui
Te espero sentada
Te necessito
Se quiere, se mata
Piez descalzos, sueños blancos
Ciega, Sordomuda
Hips Don't Lie
Ojos Así
Whenever, Wherever
Underneath Your Clothes
La Tortura
Beautiful Liar, parceria com Beyoncé
Waka Waka – 2010 Soccer World Cup Theme
Loca
Rabiosa
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O irmão de Hakani e o mimadinho sociopata.
O assunto desta postagem é algo muito delicado de se perceber e volátil para se analisar, mas pretendo intentá-lo, com toda a sua fragilidade. E é a partir de exemplos práticos que pretendo abordar a questão do pq algumas crianças demonstram desde cedo instintos sociopatas enquanto outras externam uma Humanidade tão profunda que faria corar a muitos octogenários. Analisarei o comportamento de duas crianças que nunca vi, das quais ouvi falar e pensei muito a respeito. Apenas para fins didáticos chamarei a um de Luís e ao outro de Rudá.
Logo no começo vai o post scriptum, ou a nota de rodapé: relevarei os possíveis determinantes genético-biológicos destas duas crianças, considerando que seu comportamento seja apenas socialmente determinado, sob o prisma já descartado da tabula rasa. Portano aproveito para já externam a consciência da vanidade de meu esforço, como o de cavar um buraco na água. Mas se fôssemos estritamente racionais não seríamos plenamente humanos. Chegaremos até aí.
A primeira frase que ouvi a respeito de Luís foi:
- Eu tenho medo desse menino, não deixo meus filhos brincarem com ele.
Isso foi dito numa sala de professores, durante uma conversa coletiva, a respeito do filho de uma diretora de escola. A seguir a professora que disse a frase acima relatou seu pq. Disse que num churrasco de confraternização viu Luís tentar seguidamente afogar outra criança, filha de uma professora entretida demais com o churrasco para preocupar-se com seu filho. Contou-nos que pulou na piscina e resgatou à vítima, que desesperadamente lutava por sua vida.
Após colocar a criança no deck, já segura, disse que virou-se para Luís e perguntou:
- O que vc estava fazendo?!
Com um brilho metálico e frio desenhando uma sombra de crueldade em seus olhos, Luís disse:
- Eu só estava ensinando ele a nadar...
A professora disse que ele arrematou essa frase com um sorriso que causou-lhe um arrepio na espinha, ao perceber que a criança de 8 anos não estava meramente de forma irrefletida brincando perigosamente com o coleguinha, mas que Luís não só estava tentando dolosamente assassiná-la como já tinha na ponta da língua seu álibi pré-fabricado. Percebeu que Luís era um sociopata, e que todos os que estivessem ao seu alcance corriam risco de vida.
Concluiu dizendo que Luís era o príncipe de sua casa, filho único, muito inteligente, fazia judô e tocava piano; estava sempre impecavelmente vestido, cheio dos brinquedos modernos, dos quais era cumulado por seus pais que muito trabalhavam, para remediar sua ausência cotidiana. Luís era cheio de coisas e vazio de valores.
Por Rudá chamarei ao irmão da famosa indiazinha suruwahá Hakani. Hakani nasceu numa reserva indígena. Com o passar do tempo, sua gemeinschaft percebeu que ela não crescia nem desenvolvia-se “normalmente” como as outras crianças. Socialmente percebido que ela era portadora de algum tipo de deficiência, a aldeia legislou que Hakani deveria ser morta, para não tornar-se um peso para sua comunidade.
Muitos criticam ou mesmo legitimam o infanticídio indígena. É compreensível que numa vida tão dura a comunidade queira, racionalmente, “livrar-se” rapidamente daqueles que não poderão “trabalhar”, mas apenas vampirizarão os parcos recursos comunitários, sem contribuir positivamente. Obviamente não compactuo, mas compreendo essa prática. Outro costume indígena é o de livrar-se dos segundos, terceiros, quartos, gêmeos. Ter múltiplos é coisa de animais. Humanos têm apenas 1 filho de cada vez, e a crença indígena é de que se alguém tiver um irmão gêmeo, nunca conseguirá formar devidamente sua personalidade e que, a existir um duplo de alguém, necessariamente um será o “gêmeo mau” e outro será o “gêmeo bom”. Para resolver esse problema, é mais fácil simplesmente assassinar aos gêmeos nascidos depois do primeiro, quantos forem.
Muitos lerão no parágrafo superior a comprovação do primitivismo das sociedades pretensamente “selvagens”. Mas não deveriam. Apenas para colocar isso em perspectiva, vai uma curiosidade antropológica: os índios brasileiros jamais batem em seus filhos. Disso sei pois tal foi relatado com surpresa pelos jesuítas que vieram à América Portuguesa catequizar aos silvícolas. Li certa vez que um jesuíta surpreendeu-se enormemente quando, ao levantar a mão para açoitar um erê indisciplinado, teve sua mão segurada no ar por um índio que sequer era parente da criança. O índio impediu que o jesuíta batesse nela e lhe explicou, provavelmente em guarani:
- Não pode bater em criança. A alma foge.
Índios não batem em guris pois essa violência pode assustar e afugentar a alma da criança, que pode escapar-lhe do corpo pelos maus-tratos. Portanto compreendam: a aldeia pode até decretar a aniquilação de uma criança. Mas jamais a agredirá, por nenhum motivo.
Quando a aldeia decretou o holocausto de Hakani seus pais deveriam ser a primeira mão a executá-la. Para furtarem-se a isto, ambos os seus genitores cometeram suicídio. Mas isto não foi suficiente para poupar a vida de Hakani, que agora órfã seria um peso comunitário ainda maior. Por conta disso seus irmãos foram encarregados da execução.
Um sepulcro foi cavado e Hakani foi enterrada viva. Rudá, seu irmão mais velho, agora o chefe da família aos 8 anos de idade, não suportou ouvir, sob a terra, o choro de sua irmã já sepultada. Num lance de inacreditável coragem e Humanidade, desenterrou Hakani, enfrentou toda a sua aldeia e disse, desconheço em qual língua:
- Ela é minha irmã e eu não deixarei que ela morra.
Rudá sabia que estava a assinar sua proscrição. Condenado ao ostracismo aos 8 anos foi banido de sua aldeia; e levando o bebê Hakani nos braços, foi obrigado a retirar-se de sua comunidade para viver sozinho, com uma lactente de saúde frágil na floresta amazônica, cheia de onças, sucuris, jibóias, cascavéis, sapos venenosos, milhares de mosquitos e muitos mais perigos que apenas posso imaginar.
Não se sabe como, Rudá conseguiu manter Hakani viva por 2 ou 3 anos. Completamente sozinho na floresta amazônica, sem nenhum auxílio, exposto às intempéries, à fome, à seca, às doenças, aos predadores. Quando Rudá percebeu que a saúde de sua irmã estava frágil demais para que ele pudesse cuidá-la, agora aos 10 ou 11 anos raciocinou que talvez os “brancos” pudessem fazer por ela o que estava além de seu alcance. Temendo a morte premente de sua amada irmã, Rudá procurou um grupo de missionários estrangeiros que estavam ali para catequizar aos silvícolas (desta vez na religião protestante, e não católica como os jesuítas, embora para os aborígines brasileiros não haja nenhuma diferença entre eles) e entregou-lhes Hakani, que ele temia estar à beira da morte.
Vi, pela televisão, a foto que esses missionários tiraram de Hakani ao recebê-la. Ela resumia-se a uma gigantesca barriga d’água. Emaciada, cadavérica, minúscula. Parecia grávida de seu parasita. E sua aparência era de quase morta, demonstrando que Rudá esperara até o último momento de desespero antes de separar-se dela. Após entregá-la, Rudá, saudável, foi reacolhido por sua comunidade, onde vive ainda hoje.
Hoje Hakani é uma cidadã americana. Foi adotada por uma família que mora no Hawaii e os médicos yankees descobriram que sua deficiência era o cretinismo, um distúrbio da tireóide contornável com medicação. E a menina que ainda bebê foi enterrada viva cresce e floresce, agradecida pela coragem de Rudá ao salvá-la, percebendo que o que todos os adultos circundantes ordenavam-lhe fazer não era Humano. Expondo sua própria vida ao perigo, enfrentando a todos que deviam dizer-lhe o que fazer, Rudá salvou a vida de sua irmã.
Como Rudá, índio que muitos rotulariam como “selvagem”, poderia ser portador de uma Humanidade muito mais exacerbada que a de Luís, o mimadinho menino de classe média, que nunca teria barriga d’água, malária, nem seria espreitado por uma onça? O que leva um indiozinho a ser gauche na vida e um Luisinho a tentar matar seu coleguinha de forma premeditada e com álibi programado?
Pq o “bárbaro” é civilizado e o “civilizado” é bárbaro?
Qual é a diferença que faz de Rudá um Humano e de Luís um mero homo sapiens sapiens?
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
De Robert Rey – Júnior e Sênior.
Hoje assisti a um episódio, que eu já vira, de Dr. 90210, Dr. Hollywood, no qual o renomado cirurgião plástico Robert Rey Jr. retorna ao Brasil para encontrar seu pai alienado. Não pq fosse louco, mas por havê-lo abandonado. O que despertou minha atenção a ponto de citar referência televisística tão aparentemente fútil foi a cena do telefonema.
Após haver-se encontrado com seu pai idoso e contrito, Dr. Rey ligou para sua plasticamente perfeita esposa, que o atendeu em sua mansão em Beverly Hills. Cena tocante e profundamente humana, Robert narrou que encontrara em seu pai um homem arrependido, que articulara com todas as palavras “eu te amo”, coisa inaudita, e dissera-se orgulhoso do filho. Robert Rey disse:
- A weight has been lifted off my shoulders. I, definitelly, got closure. I think that anger is gone.
- Um peso foi tirado dos meus ombros. Eu, definitivamente, consegui “colocar uma pedra” sobre este assunto. Acho que aquela raiva se foi.
Hayley, em sua beleza solar, testemunhou entre sorrisos efusivos a seguir ao cameraman:
- Robert me soou tão diferente ao telefone; mais leve. Estou surpresa com a atitude do pai dele, e acho que esse reencontro lhe fez muito bem. Se ele já era um bom marido antes, agora, então, será um casamento maravilhoso!
O tocante nisso tudo foi perceber que mesmo a um cirurgião plástico mundialmente reconhecido, profissionalmente realizado, midiaticamente celebrizado, bonito, bem casado, pai amado, financeiramente muito bem situado, ainda havia algo a limitar-lhe a extensão do riso. Algo que nenhum dinheiro, carro, mansão, adulação, confetti, esposa amorosa ou paciente famoso poderia remediar: o mal-estar sobre sua origem.
Robert Rey Júnior nasceu no Brasil e por razões que com certeza ele expôs e eu não vi por não suportar assistir às cenas cirúrgicas freqüentes em seu programa, foi entregue em adoção a missionários mórmons. Realocado nos EUA, conseguiu por seu mérito intrínseco graduar-se em Medicina e estabelecer-se como cirurgião plástico na Califórnia. Estimulado ou não por transcender seus determinantes geográficos, criou através de seu expertise um amplo renome a ponto de ser convidado a estrelar um programa estilo reality-show no qual expõe não só sua prática profissional, mas também sua vida doméstica. O que acabaria por proporcionar-lhe o reencontro que tanto temia e ansiava.
Foi eloqüentemente humano intuir a cena posterior daquele Homem em seu luxuoso e solitário quarto e hotel dobrar-se e chorar como um bebê ao reelaborar e ressignificar as lembranças que sempre haviam nublado sua vida, de que fôra um filho preterido e descartado. Após ver em seu Sênior uma postura mesérica ele finalmente poderia começar a aceitar em sua plenitude as sedas que seriam-lhe (e seguramente serão) rasgadas no futuro.
Finalmente poderia, retornado à Califórnia, abraçar seus oníricos esposa e filhos sem o fantasma familiar que murmurava-lhe continuamente ao pé do ouvido que ele não merecia ser feliz.
Senti-me empática e catarticamente feliz com Robert Rey por haver encontrado nos lábios de seu pai curvado pelos anos pedidos de perdão, declarações de arrependimento e quiçá, até, um certo amor. Embora nada disso apague o passado sofrido de Robert, a partir desta cena, talvez, aquela sensação claudicante de desconforto cesse de aguilhoar as realizações incontestáveis que talvez ele só tenha sido desafiado a alcançar pela necessidade de auto e exo afirmar-se valoroso e digno de reconhecimento.
Talvez, não tivesse o desalmado Robert Rey entregue seu Júnior em adoção, Dr. Robert Rey não seria médico, nem rico, nem casado com a belíssima Hayley. Talvez fosse ele apenas mais um paulistano meio remediado, em algum sub-emprego, casado com alguma Aparecida ou Edilene. Seria ele mais feliz?
Não sei, apenas percebi que nenhum milhão de dólares poderia dar a Robert Rey o alívio que seu pai proporcionou-lhe ao suplicar, humildemente, perdão. Apenas quando quem o feriu pediu perdão ele pôde, finalmente, perdoar. E largar à beira da estrada o pesar daquela dor, mesmo muito antiga. Superar seus traumas e exorcizar seus fantasmas. Para poder finalmente parar de ruminar o passado e passar a projetar, livremente, o futuro.
Muitas coisas não têm preço. Pelos menos as mais importantes na vida.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
De Obama e do american way of life
A democracia americana, tão complicada para nós, carrega uma série de pressupostos e características estranhas. Lula, por exemplo, jamais seria eleito lá por suas raízes “vermelhas” e sua família disfuncional, leia-se, uma filha fora do casamento. O político americano não separa a vida profissional da pessoal, ele mais “vende uma imagem” do que, de fato, trabalha. Mesmo quando o assunto é religião.
Obama teve que inclusive mudar de igreja pq seu pastor estava queimando seu filme. No Brasil, ninguém sabe se e onde o presidente Lula comunga ou quem é seu padre.
No Brasil dona Marisa Letícia pode fazer quantas plásticas quiser que não vão escrutinar as intervenções em todas as revistas. O Lula pode pegar um sapato, mostrar pros jornalistas e dizer sorrindo: “vcs não vão atirar um em mim não, né? Ó que eu sou corintiano...”. Se Obama fizesse isso, criaria um grande constrangimento, que abalaria a relação entre a presidência e o quarto poder.
O consumismo exacerbado, simbolizado por sempre novos celulares que precisamos comprar, novos monitores e computadores mais velozes a cada ano, ter que trocar seu VCR por um DVD e logo logo por um Blue Ray, isso é completamente DOIDO pra mim. Eu não preciso ter qualidade técnica de estúdio de cinema na minha sala! Não sou contra a tecnologia, mas sou contra a idéia de que eu apenas serei uma pessoa plena se tiver o último iMac, o último iPhone, o último Wii, a maior SUV, uma casa de 5 suítes com aquecimento central e tiver fotos das férias no Hawaii pra mostrar pra visitas. Não estou dizendo que esse seja o seu caso, mas é essa imagem meio frívola que tenho do “americano médio”.
Espero estar viva para ver. :)
