sábado, 21 de janeiro de 2017
Dezessete e Trinta e Quatro, Trinta e Quatro e Cinquenta.
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Dez conselhos que a Fernanda de 34 anos daria pra Fernanda de14 anos
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Quatro motivos porque somos contra a compra e venda de filhotes de raça.
domingo, 24 de agosto de 2014
Pequeno guia com 12 dicas para os iniciantes na Internet
1 - Não aceite a amizade de estranhos. Tem gente que sai adicionando os outros "de bobo", outras que adicionam para passar vírus e dar golpes virtuais. E outras ainda que adicionam desconhecidos por motivos ainda mais escusos, criminosos mesmo. Simplesmente não aceite a amizade de ninguém que não seja previamente seu amigo na "vida real".
2 - Se você for menor de idade, não use uma foto de perfil (avatar) em que isso seja perceptível. Infelizmente, a internet está cheia de pedófilos e fotos que você acha normais e inocentes podem ser vistas de outra forma por esses tarados. Se você é menor, use como foto de perfil uma foto de um desenho, uma flor, uma paisagem, um personagem, de forma a que simplesmente pela foto o pedófilo não identifique que você é uma criança ou adolescente. Outra forma de evitar pedófilos é informar no seu perfil outro ano de nascimento, mais antigo, de forma a que os desconhecidos achem que você já é maior de idade.
3 - Se algo é segredo, você deve ser o primeiro a guardá-lo. Não conte a NINGUÉM. Se você mesmo "espalha" o seu segredo, como pode achar que os outros vão guardá-lo? Procure, você mesmo, não espalhar fofocas nem publicar nada que ofenda a terceiros. Você poderá ser acionado judicialmente e processado no "mundo real" pelas coisas que publica na Internet.
4 - Nunca, jamais, em nenhuma circunstância, faça fotos "sensuais" ou nu. Nem com seu namorado, noivo ou marido. Pode parecer que "não tem nada de mais", mas tem sim. As pessoas são muito neuróticas com sexo e nudez. Uma única foto sem roupas poderá transformar sua vida num inferno, te tornar alvo de chacota e destruir sua reputação... para sempre.
4 A - Pense: as pessoas cobram, muito caro, para posarem nuas... Por que você faria isso de graça... a menos que pretenda "divulgar seus serviços sexuais"? É justamente isso que as pessoas pensarão ao ver suas fotos nuas: que você é um profissional do sexo.
4 B - Pense nisso antes de tirar fotos com seu namorado ou marido na hora da "empolgação". Hoje vocês se amam de paixão, mas e quando esse relacionamento acabar? As pessoas são vingativas e aquele que você acha que é o "amor da sua vida" pode no futuro, por raiva, vazar na net suas fotos íntimas. Ele vai parecer um "garanhão conquistador", e você sairá dessa como uma "prostituta". Imagens que para você são de "amor", para os outros são pornografia.
4 C - Mesmo que você não seja vítima de um ex vingativo nem você mesma publicar as fotos "sensuais" que tira escondido de si mesmo, pense: e se você perder ou alguém roubar seu celular, tablet ou pen drive com essas fotos? E se um hacker invadir seu computador? Você acha que o ladrão terá algum escrúpulo em vender suas fotos para sites pornográficos ou de pedofilia? Com certeza, não. A única forma de se proteger disso é nunca, jamais, em nenhuma circunstância, tirar fotos sugestivas ou sem roupa. E até de biquíni.
5 - A internet é uma praça pública. Tudo o que você publicar será usado contra você, mesmo 50 anos depois. Tome muito cuidado com publicações polêmicas, brincadeiras "aparentemente inocentes" e "zoações" em geral. Se um dia, daqui a 30 anos, você for candidato a presidente, aquela sua foto entornando uma garrafa de vodka, ou com o "dedinho na boca" pode, e fará, você perder a credibilidade diante dos eleitores.
6 - Não faça postagens públicas, selecione "só para amigos". Proteja-se dos curiosos e dos haters (gente que te odeia). Seja cioso de sua intimidade, explore e se informe sobre as opções de configuração de privacidade com cuidado para que não "vazem" informações suas por aí sem o seu conhecimento.
7 - Se você for publicar algo e perceber que seus pais, ou seu chefe, não aprovariam, não publique. Nenhuma piada ou gracinha vale você "queimar seu filme" com aqueles que determinam o seu sustento.
8 - Pense se vale mesmo a pena atualizar seu "status de relacionamento" toda vez que trocar de namorado ou "ficante". Pense que no futuro quando você encontrar sua "cara metade" você pode até perdê-la se ela pesquisar e descobrir que você já teve 20 ou 30 outros parceiros. E também no que seu "grupo de amigos" vai pensar de você se você troca de parceiro engatando um novo relacionamento "sério" mês sim, mês não.
9 - Quando estiver namorando, não exagere nas "fotos românticas" e não publique fotos beijando. No futuro, se o relacionamento acabar, você vai odiar essas fotos, bem como seus futuros parceiros. Você poderá deletar as suas, mas e se houver várias dessa fotos, com dezenas de diferentes parceiros, nos perfis de outras pessoas? Nessas você não conseguirá "dar sumiço" e podem ser fruto de grande desconforto, dores de cabeça e crises de ciúme.
10 - Pense que um dia você terá filhos, netos e bisnetos. E talvez, se você não viver muito, eles só te conheçam a partir dos seus perfis nas redes sociais. Não publique coisas que poderiam envergonhar seus bisnetos daqui a 50 anos. Na internet tudo é eterno.
11 - Não perca o sono. É tentador "virar a madrugada". Não vale a pena. Não há nada que seja publicado depois da meia-noite que não possa esperar o dia seguinte para ser curtido, comentado e compartilhado. O sono é fundamental para nossa saúde e bem estar. Dormir poucas horas te fará se sentir mal e produzir pouco no dia seguinte. Durma pelo menos 8 horas por noite. E mais, se possível.
12 - Cadastre no seu perfil do Facebook todos os livros que ler e filmes que assistir. É uma forma legal de divulgar que você tem interesses culturais, de passar uma imagem positiva para todos. E, em nosso mundo, infelizmente, mais importante do que "ser" é "parecer" ou "divulgar". Cuide para que as informações que divulga sejam positivas, falem bem, e não mal, de você.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Acreditar em um "falso messias" viola algum mandamento?
Este é um texto genérico, não se refere especificamente a nenhuma vertente religiosa.
A palavra "Massiach" (Messias) não consta da Torah.
Há porém duas passagens um pouco contraditórias a respeito de "profetas como Moisés" a vir no futuro, vejamos.
Dt 18:
15 O Eterno seu D'us fará surgir, dentre seus irmãos, um profeta como eu em seu meio, e vocês o ouvirão. 16 Foi o que você pediu aO Eterno seu D'us, no Horeb, no dia da assembléia: ‘Não quero continuar ouvindo a voz dO Eterno meu D'us, nem quero ver mais este fogo terrível, para não morrer’. 17 O Eterno me disse: ‘Eles têm razão. 18 Do meio dos irmãos deles, eu farei surgir para eles um profeta como você. Vou colocar minhas palavras em sua boca, e ele dirá para eles tudo o que eu lhe mandar. 19 Se alguém não ouvir as minhas palavras, que esse profeta pronunciar em meu nome, eu mesmo pedirei contas a essa pessoa. 20 Contudo, se o profeta tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que eu não tenha mandado, ou se ele falar em nome de outros deuses, tal profeta deverá ser morto’.
21 Talvez você se pergunte: ‘Como vamos distinguir se uma palavra não é palavra dO Eterno?’ 22 Se o profeta fala em nome dO Eterno, mas a palavra não se cumpre e não se realiza, trata-se então de uma palavra que O Eterno não disse. Tal profeta falou com presunção. Não tenha medo dele.
Nesta passagem, Moshe Rabeinu afirma que O Eterno lhe disse que, no futuro, faria surgir no povo de Israel "um profeta como ele". Note: um profeta como Moisés, que não era o Messias. Porém outra passagem, que finaliza a Torah, afirma algo que aparentemente contradiz isso, vejam:
Dt 34:
10 Em Israel nunca mais surgiu outro profeta como Moisés, a quem O Eterno conhecia face a face. 11 Ninguém o igualou em todos os sinais e prodígios que O Eterno o mandou realizar no Egito contra o Faraó, contra toda a sua corte e contra sua terra. 12 Ninguém se igualou a Moisés na mão forte e em todos os feitos grandiosos e terríveis que ele realizou aos olhos de todo o Israel.
E sobre o advento de "novos profetas", a Torah também diz:
Dt 13:
2 Quando no meio de vocês aparecer algum profeta ou intérprete de sonhos e apresentar a você um sinal ou prodígio - 3 se esse sinal ou prodígio que ele anunciou se realiza e ele convida você: ‘Vamos seguir outros deuses (que você não conheceu) e vamos adorá-los’ - 4 não dê ouvidos a esse profeta ou intérprete de sonhos. Trata-se de uma prova com que O Eterno seu D'us experimenta vocês, para saber se vocês de fato amam aO Eterno seu D'us com todo o coração e com todo o ser. 5 Sigam ao Eterno seu D'us e a ele temam; observem seus mandamentos e lhe obedeçam; sirvam a ele, e a ele se apeguem. 6 Quanto ao profeta ou intérprete de sonhos, deverá ser morto, porque propôs uma revolta contra O Eterno seu D'us, que tirou vocês do Egito e os resgatou da casa da escravidão, e porque procurou afastar você do caminho pelo qual O Eterno seu D'us havia mandado seguir. Desse modo, você estará eliminando o mal do seu meio.
Dessas passagens podemos concluir:
1 - Se algum dia virá "um profeta como Moisés", há dúvidas. Pois tanto se afirma que um dia haverá (Dt 18:18), como também que "nunca mais em Israel houve um profeta como Moisés". (Dt 34:10).
2 - Se o profeta for verdadeiro e as pessoas não crerem nele, não há punição prescrita, apenas esta sentença:
Dt 18: 19 Se alguém não ouvir as minhas palavras, que esse profeta pronunciar em meu nome, eu mesmo pedirei contas a essa pessoa.
3 - Se o profeta for falso e as pessoas crerem nele, e ele incitar as pessoas à idolatria, a Torah não especifica nenhuma punição aos fiéis "desviados", apenas ao falso profeta, que incite os demais à idolatria (Dt 13:6).
Tudo isto posto, perguntamos:
1 - Acreditar em um "falso messias" que não incite as pessoas à idolatria viola qual mandamento?
2 - Há alguma punição para quem acreditar em um falso messias que incite as pessoas à idolatria?
3 - O Eterno diz em Dt 13:4 que coloca à prova seus fiéis com o advento de "falsos profetas" e afirma a seguir que o importante é se apegar a D'us e seguir seus mandamentos (Dt 13:5). Assim sendo "ficar procurando um Messias" ou "novos profetas" não seria perigoso, e a postura mais segura não é simplesmente se concentrar em seguir as Leis da Torah?
4 - Precisamos mesmo ficar ansiosamente perscrutando, desesperadamente procurando indícios de última hora de "quando virá o Messias"? Afinal, quando ele chegar, não instaurará a Era Messiânica e todos saberemos então, sem sombra de dúvida, que ele veio?
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quinta-feira, 15 de maio de 2014
O canario Frank Sinatra
O dia 14 de maio de 2014 marca para mim a conclusão de uma das mais importantes incumbências que já recebi. Em seu leito de morte, meu avô me pediu que eu cuidasse "dos seus" com um sussurro. Padecendo de câncer terminal, saturado de morfina, em seu último momento de lucidez tivemos uma conversa física e metafísica de despedida. E, no seu último olhar, que foi de preocupação, percebi que ele, vendo-se partir, me repassava a responsabilidade de cuidar dos de sua casa. E assim foi.
Os que moravam "sob a asa" do meu avô até ele partir, eram uma pessoa, 2 cachorros e 2 pássaros. Os cachorros, Jade e Whiskey, morreram de velhos com mais de 14 anos e pude, com carinho, cuidá-los até o fim do decreto de seus dias. Minha avó, cuidei bem, alimentei, pensei suas feridas, fiz compania e até ensinei a mexer no celular. Mas para surpresa de todos, precocemente, faleceu em viagem ao Rio de Janeiro, para encontrar parentes, de derrame cerebral. Dentro das minhas forças, dela cuidei o melhor que pude, no que esteve ao meu alcance. O papagaio Chico foi doado pela minha vó Tula há muitos anos para o viveiro de um veterinário.
Restava o canário, o mais longevo de todos.
Criar canários do reino é um velho costume português que herdamos e sinceramente não me lembro de nenhuma ocasião em que a casa de meu avô não tivesse ao menos um canário. Às vezes alguns. Chegaram a dar cria. Além de singelos e de trato simples, os canários do reino cantam bonito, e interagem de forma até carinhosa com seu cuidador.
Desde o falecimento de meu avô assumi essa responsabilidade com certo pânico: nunca ninguém me instruíra a como cuidar de um passarinho tão frágil, mas pude fazer o backup das muitas memória do Major Vicente Novais da Silva, homem talhado em pedra, redobrando-se em carinhos e cuidados com seus pequenos. É simples. Basta água fresca, alpiste, vitamina uma vez por dia e de vez em quando um pedacinho de ovo, de fruta ou folha verde.
É simples, mas não era um "canário qualquer", era o canário do meu avô, que ele amava, e me pedira em seu leito de morte para cuidar. Portanto, eu não tinha "só" que cuidar dele. Para honrar ao meu avô, e a confiança que ele depositara em mim, eu tinha que cuidar MUITO BEM do agora "meu" canário, como não pude cuidar do meu avô.
Esse sentimento de responsabilidade, de cumprir a contento uma missão muito importante, não tive só a respeito do canário. Mas diferentemente dele, o papagaio, os cachorros, minha vó INTERAGIAM diretamente comigo. Depois da morte do Morzinho, minha relação com eles passou a ser DIRETAMENTE com eles. O Chico, que eu conhecia desde criança, mesmo esclerosado, ainda dançava às mesmas músicas de 20 anos antes. Os cachorros, até o problemático Uísque, me abanavam o rabinho e faziam festa. Minha vó conversava comigo, eu a levava ao shopping, almoçávamos juntas.
O canário não. Eu sabia que já era adulto, ninguém soube precisar o quanto, mas minha vó garantiu que estava com eles desde antes de eu entrar na faculdade, portanto há pelo menos 7 anos. Não me lembrava de ter ouvido meu avô chamá-lo pelo nome, e questionei Tula, mas ela não soube me dizer se tinha nome. Remexendo entre os discos de meu avô, encontrei um de Frank Sinatra, e como nosso canário era bom cantor, escolhi eu mesma este ser o nome pelo qual o chamaria.
Por pelo menos 2 anos ele me estranhou. Se assustava e entrava em rebuliço quando eu me aproximava da gaiola. Bichinho frágil e arisco, no qual nem se pode tocar, enquanto o papagaio Chico nos franqueava ainda coçar-lhe o cangote...
O canário hesitava em ter uma relação direta comigo, então minha relação sempre foi com a lembrança do meu avô, através dele. Até este dia do hoje, todas as manhãs, quando descobria Frank do seu pano de dormir azul e lhe dava vitamina, me lembrava logo cedo do meu avô. E todas as noites, quando olhava no relógio para não deixar passar da hora de pôr pra dormir o canarinho idoso, me lembrava de meu avô ao cuidadosamente cobri-lo com seu pano azul para dormir, dizendo "boa noite, Frank, durma bem."
E o mesmo terror de falhar na missão em relação a cada um destes seres que eram da responsabilidade de meu avô me assombrava em relação ao canário. Tinha medo de deixar faltar-lhe água ou comida e que morresse por minha irresponsabilidade. Tinha medo de pegá-lo para cortar suas unhas e quebrar um de seus delicados ossinhos, matando-o com minha brutalidade. Tinha medo de deixá-lo fugir da gaiola ou vê-lo atacado por um pardal e que ele morresse por minha inépcia. Tinha medo de esquecer de cobri-lo à noite, no frio, ou de esquecer de descobri-lo pela manhã, e ele sufocar, morrendo por meu descuido.
Enfim, tinha um profundo medo de não corresponder a contento à missão que meu avô me dera, e mesmo post-mortem, decepcioná-lo. Que um dia eu viesse a sonhar ou vivenciar ele me recriminando a dizer: "fui tão carinhoso sempre com você e você matou o meu canário!"
Com o tempo eu e Frank fomos construindo uma amizade. Afinal, foram quase 8 anos e após o estranhamento inicial, ele percebeu que eu era sua cuidadora agora e passou a me saudar, cantar para mim, quase a comer na minha mão. Posso dizer que enriqueci sua alimentação. Mudei o simples alpiste por um mix de cereais. Sempre lhe cozinhava ovos ao ponto de perceber que ele preferia a gema à clara. Sempre lhe oferecia diferentes tipos de vegetais até o ponto de constatar que seu prediletos eram o pepino, o brócolis e a alface. Em dia quentes, lhe colocava a banheirinha e ele se refestelava com uma alegria que com certeza valeu o registro em vídeo.
http://youtu.be/_KFV-qIZeZw
Até a véspera de morrer, sempre esteve muito bem, se alimentando de forma voraz, detonando as folhinhas, limpando o cocho de vitamina. Sua convalescença foi curta. Em 13 de maio acordou baqueado, passou todo o dia sonolento e desanimado, mas ainda comeu e bebeu um pouco. Não acordou no dia 14. Não morreu de surpresa, atacado, neglicenciado. Sua água e ração estavam cheias. Sua gaiola limpa. Ele, protegido, abrigado dentro de casa.
Morreu em paz. E assim trouxe paz para uma questão de honra para mim: fazer frente e cumprir o último desejo do meu avô. Neste dia morreu o último ser que estava sob a responsabilidade do meu avô quando ele se viu surpreendido pela morte, e cuja incumbência me repassara. Hoje, mais de 7 anos depois, todos estão mortos. E posso dormir tranquila, pois cuidei deles o melhor que pude. E a morte de nenhum deles foi causada por mim.
A partir de hoje, nem eu, nem meu falecido avô temos mais nada com o que nos preocupar. Tudo está bem, em paz, completo.
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domingo, 16 de março de 2014
Cotidiano da vida adulta
Percebi que preciso manter minha vida num cabresto curto. Se não, tudo foge dos eixos.
Gosto de rotina, dum cotidiano sem surpresas, de ter dias previsíveis, bem cronometrados e planejados. Gosto de a cada noite, antes de dormir, construir uma imagem mental de como será o amanhã, projetando todas as idas e vindas, e ainda que sejam extenuantes, se foram previstas, não me cansam tanto.
Mas qualquer coisa que saia fora do meu "esqueminha" tem potencial para me abalar, me tirar do prumo, ou mesmo "acabar com meu dia".
Uma visita inesperada. Uma indisposição. Um imprevisto. Um incidente. Um telefonema. Um e-mail que precisa ser respondido com urgência. Um prazo que só lhe é informado prestes a expirar. Algo que "precisa ser resolvido/entregue/protocolado pra 'ontem'." Ter que correr atrás de papéis. Ter que depender dos "favores" e da "boa vontade" dos outros para cumprir prazos apertados... Te cobrarem por coisas das quais você não recebeu aviso prévio...
A vida adulta parece consistir de só stress, cobrança e trabalho... Prazos, papéis, obrigações... Solidão, sono atrasado e conformismo... Eu achava que quando me tornasse "adulta" eu viveria a MINHA VIDA...
Não sei se sou só eu, mas me sinto vivendo uma meia-vida. Meio-minha (nas cada vez mais raras horas de folga) e meio "cumprindo minha (extenuante) 'função social'."
Me sinto feliz de cumprir uma "função social", mas achava que isso seria um complemento à MINHA VIDA. Não que isso seria como o sono, algo inescapável e inadiável, vampirizando a maior parte do meu tempo.
Eu achava que, quando adulta, teria tempo para viver. Mas tirando o dormir e o trabalhar, sobram raros momentos no dia para relaxar: ver TV, tomar uma cervejinha, navegar na net... E quase nenhum tempo, nenhuma brecha para "viver", investir em mim, passear, conhecer pessoas, espairecer, exercer meus hobbies...
http://www.youtube.com/watch?v=WBwo5MzB7io&feature=kp
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Vou-me embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Balanco de Yom Kipur 5774
sábado, 17 de agosto de 2013
Como melhorar a qualidade dos seus sonhos
sábado, 22 de junho de 2013
De minha primeira passeata
quarta-feira, 27 de março de 2013
O Getsêmani, o cálice e o pêndulo
Eu já lera boa parte da Bíblia, já concluíra diversas disciplinas de cultura e história judaicas na Letras da USP. Queria interagir com outras pessoas interessadas nestes mesmos assuntos. Queria "testar hipóteses", debater, tentar levar a exegese aos seus limites. Pesquisei por "perguntas cristãs" (à época eu me considerava cristã, hj sei que nunca fui) e o primeiro resultado, de uma comunidade à época com 30 mil membros, foi a "Perguntas Cristãs Complicadas".
Interessante. Entrei. Logo percebi que aquela era uma comunidade confessional direcionada a cristãos evangélicos. E que eles passavam boa parte do tempo tentando debater com diversos malabarismos de copiar e colar, enxertando Cântico dos Cânticos no meio da Torah, com umas pitadas de profetas, tudo temperado pelo Apocalipse. Uma salada mista, pra quem vinha da Academia e procurava debates refinados. E grande parte destes malabarismos era para tentar decidir qual dentre as milhares de vertentes evangélicas é a "única e verdadeira". Também apreciavam bastante menosprezar a Igreja Católica, como se o Papa fosse o anti-Cristo, e desrespeitar a Maria de Nazaré de todas as formas possíveis.
Logo ao começar a apresentar perguntas e oferecer respostas, percebi que minhas posições afrontavam diretamente as interpretações religiosas deles. E não apenas eu percebia esse mal-estar. Diversos outros membros "se estranhavam" com o moderador Shaylon, que sumariamente expulsava as pessoas que ele achava que não estavam lá para "edificar a fé". Devido às suas ações intransigentes, outros membros que estavam lá há mais tempo resolveram debandar e criar sua própria comunidade dissidente: a Perguntas Cristãs Complexas.
Recebi um scrap de Leandro Moreira com um convite, e migrei. Na PCComplexas a proposta era de um ambiente democrático, com moderadores eleitos pela comunidade, e com plena liberdade de expressão. Era uma comunidade muito ativa e diversa: com ateus, budistas, espíritas, evangélicos de todas as vertentes imagináveis, católicos e outros tipos de protestantes, inclusive os tais dos "judeus messiânicos". Tínhamos até um seguidor de Inri Cristo. Não era piada, o Unamundo era uma pessoa racional e esclarecida, que defendia que Inri Cristo de fato era uma reencarnação de Jesus.
Logo os tópicos pegaram fogo. A participação era tanta, que eu chegava a meio que "dar plantão" nos finais de semana, finalmente debatendo cada pequeno meandro do texto bíblico, com pessoas das mais diferentes formações, para meu grande deleite intelectual. Um tópico em especial foi um hit instantâneo, com o tema: "sexo antes do casamento é pecado mesmo? Onde isso está escrito?"
Um prato cheio pra mim, que sempre gostei de "esgarçar" as interpretações da Torah até o limite máximo de sua liberalidade. Construi uma argumentação amparada em diversas passagens, mas sobretudo nesta:
Ex:22
15 Se alguém seduzir uma virgem solteira e se deitar com ela, pagará o dote e se casará com ela. 16 Se o pai dela não quiser dá-la, o sedutor pagará em dinheiro, conforme o dote das virgens.
Essa passagem diz: se uma moça se entregar de boa vontade "seduzida" por seu namorado, não há obrigatoriedade de casamento, apenas uma indicação. Se o pai não concordar com o casamento, ele não se realizará. O pai deve ser indenizado por ter "sua propriedade avariada". Fora a "multa", NENHUMA punição é prescrita a nenhum dos enamorados, e não é dito que eles estejam a partir daí proibidos de contrair matrimônio com terceiros.
Há mais uma dezena de outras passagens bíblicas que me autorizam a defender que, pela Torah, essa "neurose" cristã com a virgindade não tem respaldo legal. Debate vai, debate vem, um membro em especial, Sílvio, que era mórmon, se demonstrava revoltado com, na sua forma de pensar, eu estar a "estimular a promiscuidade" e de eu estar usando a própria Bíblia para isso.
Ao longo de uns 400 comentários o debate foi cada vez pegando mais fogo até que... Até que certo dia o tal Sílvio foi ao perfil moderacional e deixou 2 ou 3 scraps lá reclamando de a comunidade dar espaço para, nas suas palavras textuais, "uma garota de programa enrustida".
Imediatamente o moderador Marcel Vasconcelos excluiu o membro, fez um screenshot e deletou os scraps. No dia seguinte a comunidade estava em polvorosa, sem que os membros soubessem exatamente o que tinha acontecido, e os amigos do Sílvio questionando sua retirada. A moderação da PCCplex explicou a todos que o conteúdo da postagem que resultara na expulsão do Sílvio era altamente ofensivo, e portanto não seria posto à vista de todos.
Me mandaram uma cópia do screenshot e ao ler que eu havia sido chamada de "garota de programa" (pra quem não sabe, isso se refere às prostitutas) meu sangue imediatamente gelou nas veias, e me senti profundamente ultrajada. Eu jamais tinha imaginado que por passar minhas noites e finais de semana pendurada na internet debatendo Teologia eu poderia ser acusada de fazer sexo a dinheiro.
Pois, obviamente, se eu fizesse sexo a dinheiro, primeiro que não debateria Teologia, segundo que se eu fosse deste métier, nas noites e feriados eu estaria ocupada demais para ficar em casa madrugadas a fio debatendo pequenos detalhes da Lei de Moisés. Então a pessoa que me ofendeu, e se dizia um mórmon muito dedicado à sua religião, sabia a princípio que estava levantando falso testemunho contra mim, o que sim é pecado claramente expresso no Decálogo (Cf. Ex 20:16).
Mas o Sílvio prosseguiu a reclamar, e a incitar os membros que lhe eram próximos contra a moderação da PCX. A Moderação então franqueou que ele nomeasse um "advogado", um membro da comunidade no qual ele confiasse para o representar. Ele escolheu Orlando Nunes José, que à época era amplamente respeitado por todos, até por mim (posteriormente ele se revelou uma das maiores decepções que eu já tive na Internet, mas isso fica para outro texto).
Mandaram a Orlando Nunes o screenshot. E, sabiamente, ele deu razão à Moderação. Concordou que a expulsão do Sílvio era sim justa. Mesmo tendo sido nomeado por Sílvio como defensor, não havia como ele defender seu amigo diante da forma como este me ofendera. Sílvio engoliu o sapo e não mais nos incomodou por alguns meses.
Tempos depois, ele pediu para voltar, e a Moderação me consultou. Minha posição foi: que ele volte, mas que se desculpe publicamente pelo que fez. Se a ofensa foi pública, igualmente deveria ser a retratação. E ele o fez, criou um tópico chamado "O Getsêmani, o cálice e o pêndulo", no qual se mortificava pelo que havia feito. Li, não me convenci de sua sinceridade, mas me dei por satisfeita. Posteriormente até cheguei a voltar a debater com ele outras questões.
Depois de muito tempo, sanadas todas as feridas, hoje este episódio me traz um certo "orgulho", como o que um soldado sente a respeito de suas cicatrizes de guerra. Foi algo, completamente inesperado, que me marcou muito. Tanto pela ofensa como pela proteção que o grupo de moderadores me deu. Foram rápidos, eficientes, e agiram da melhor forma possível à época. Depois tivemos nossos entreveros sobre a não realização da proposta de "democracia plena", mas isso tb fica para outro texto.
Muitas mulheres são acusadas de ter um comportamento sexual desregrado, ofendidas como "garotas de programas" e tratadas como prostitutas, sem o ser.
Mas poucas podem dizer que passaram por isso porque gastavam todas as suas horas livres, varando madrugadas e finais de semana, a debater Teologia.
Tópico do orkut - http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?tid=2442448414765242414&cmm=6452454&hl=pt-BR
http://pccomplexas6452454.blogspot.com.br/2006/03/o-getsemani-o-clice-e-o-pendulo-annimo.html
Depeche Mode - Personal Jesus http://youtu.be/cNd4eocq2K0
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Legiao Urbana - Tempo Perdido
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...
Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem! Selvagem!
Selvagem!...
Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos...
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...
Tão Jovens! Tão Jovens!...
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Legiao Urbana - Metal contra as nuvens
Não sou escravo de ninguém
Ninguém é senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais
Eu sou metal
Raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal
Eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal
Quem sabe o sopro do dragão
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos
Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra
Tem a Lua, tem estrelas
E sempre terá
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo
Olha o sopro do dragão (4x)
É a verdade o que assombra
O descaso que condena
A estupidez o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos
Eu sou metal - raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal: eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal: me sabe o sopro do dragão
Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então
Tudo passa
Tudo passará (3x)
E nossa história
Não estará
Pelo avesso assim
Sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá
Vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora, ahh!
Apenas começamos
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sábado, 12 de janeiro de 2013
De como comecei a fumar
O tabagismo futuramente será considerado uma das mais sui generis excentricidades da espécie humana. Me aventurando na insidiosa senda da futurologia, creio q o futuro será dominado pela ditadura de tudo q é saudável e politicamente correto, e não haverá mais fumantes.
Fumar era um vício meso-americano, rapidamente trasladado ao Velho Mundo, como coisa "sofisticada", de gentis-homens. Já no século XIX, tb as mulheres "da alta sociedade" começaram a fumar, munidas de longas piteiras cheias de charme. Ao fumar publicamente, uma mulher apresentava uma declaração de liberdade, auto-determinação, expunha sua verve avant-garde.
Já no século XX, aparentemente "todos" os homens eram fumantes. Poetas, escritores, nobres, jornalistas, artistas, políticos. Fumar era "chic", marca dos boêmios e bon-vivants. Não havia "área de fumantes" pois podia-se fumar em todos os lugares: corredores, elevadores, salas de reunião, aviões, restaurantes, hospitais (célebre é a imagem do pai, ao nascimento do filho, distribuir charutos a todos os amigos; e da mesma forma q é "falta de educação" ser servido numa taça e não beber, era receber um charuto e não fumá-lo).
Nas fotos de grandes eventos históricos, era freqüente vermos todos os "figurões" da política munidos de seus cigarros e charutos, posando alegremente. Àquela época, ostentar um charuto era símbolo de status e elegância, como tb eram a bengala, o monóculo e a cartola.
Foi no ocaso deste cenário histórico, ao fim da Guerra Fria, q principiei a fumar. O ano era 1997. Eu tinha 14 anos e começava a "sair de balada" com minhas amigas de escola. Queríamos ser "prafrentex", modernas, antenadas, transgressoras, rebeldes. E era necessário demonstrar isso exteriormente, através de nossas roupas, atitude, linguajar, penteado, postura.
Éramos adolescentes, e para provar a nós mesmas q não mais éramos crianças, queríamos degustar pequenos aperitivos da "vida adulta": salto alto, saia curta, decote, bebida alcoólica, beijar os rapazes, sair à noite e fumar. Queríamos deixar bem vincada a linha q nos separava de nossos pais "chatos e antiquados". E ter pequenos segredos entre nós era parte importante disso.
Diz-se q os adolescentes são altamente influenciáveis pelos "amigos", e é verdade. Quando a primeira de nós começou a fumar, o hábito se disseminou rapidamente em todo o grupo, como um vírus. Entramos "na onda" da galera. Do grupo de 5, 3 tornaram-se fumantes convictas, uma fuma bem de vez em quando, e a outra jamais pegou gosto pelo cigarro.
Dei meu primeiro trago num cigarro na boate Stravaganza, situada à rua Henrique Schaumann, em Pinheiros. Fui lá algumas vezes, na companhia de Thaís, Maristela, Gisele e Aline. Tínhamos todas a mesma idade, na plena efervescência hormonal de nossos 14 anos. Queríamos "pagar de gatinhas descoladas" e, como todos os "transgressores e rebeldes" fumavam, nós tb queríamos.
Naquela época fumávamos Gudang Garang, cigarro de cravo interminável com filtro adocicado. O maço era caro e o comprávamos coletivamente, fumando só para "fazer charme" para os garotos. Logo a diversão ocasional transformou-se em hábito quando entramos no Ensino Médio.
Àquela época só havia 2 tipos de Marlboro: o vermelho "estoura peito" e o "light", dourado. O maço custava algo como 1 real e sessenta centavos, o q naquela época era dinheiro, com o Real valorizado. E assim já aos 15 anos comecei a comprar meus próprios maços de cigarro.
Todo o meu quarteto do colegial, completado por Chico, Romeu e Maristela, era fumante. Apenas eu tinha dinheiro, ou coragem, pra comprar maços de cigarro. Em nossas muitas aulas vagas, ficávamos sentados num canto do pátio fumando, e eu vendia-lhes cada cigarro a dez centavos. Sob protestos de q eu seria algum tipo de mercenária por lucrar 2 ou 3 centavos em cada um, me repassavam a moedinha, e ríamos, fumando despreocupadamente, sem sermos incomodados pelos inspetores de alunos. Curioso perceber q no dia de hj, no mesmo "José Marques da Cruz", se um aluno acender um cigarro leva uma suspensão, e nós há 13 anos podíamos fumar livremente no mesmo ambiente... Outros tempos, nem tão longínqüos...
Ao entrar na faculdade de História na USP, foi reconfortante sentir-me acolhida numa sociedade de fumantes; na qual tal hábito, além de sinal de boemia e vanguardismo, era a marca da intelectualidade. Não só a maior parte de meus colegas eram fumantes, como até os professores fumavam, sem reservas, enquanto davam suas aulas. A certa altura do curso, afixaram nas salas de aula avisos de "por favor, não fume". Na primeira aula posterior à adição do aviso, o professor entrou, sentou, aproximou o lixo no qual costumava jogar as cinzas, mirou a placa, deu de ombros, nos fitou e falou em voz alta:
- Que me multem!
Outro professor, mais sensível, na mesma situação, começou a aula da seguinte forma:
- Há entre vcs pessoas q se incomodam com a fumaça do cigarro?
Uma meia dúzia levantou a mão, e ele concluiu:
- Então, por favor, sentem no fundo da sala, pois eu vou fumar.
Simples assim. Até 2005, 2006, "chato" era o não-fumante q reclamava do fumacê alheio. Todos fumavam em ambientes fechados, restaurantes, aviões, e até então todos encaravam a fumaça com naturalidade, como uma das "coisas da vida", q podemos não gostar, mas toleramos, como hj se faz com pessoas q falam em voz alta no celular, ouvem funk sem fone de ouvido e comentam sobre a tabela do campeonato brasileiro.
Hj, poucos anos depois, é um absurdo, e completo anátema, algum fumante exercer seu hábito em qualquer "ambiente público fechado" ou mesmo aberto. Não se fuma mais nos escritórios, boates, restaurantes, barzinhos. Se antes fumar era "chique" hoje virou algo q nos aliena, afasta, "quebra o clima", segrega.
Fumar antes era fator de integração social. Hj, os fumantes precisam se retirar da baladinha, ir pra fora, fumar na calçada, no frio e na chuva, enquanto o "agito rola solto" lá dentro. Se antes fumar era coisa de gente moderna, transgressora, sofisticada, hoje fumar virou coisa de gente antiquada, excêntrica, antissocial, segregada.
Hj em dia, em quase nenhum lugar mais se pode fumar, e nos q se pode, é comum q quando acendemos um cigarro os estranhos ao lado nos fulminem com um olhar de reprovação, torçam o nariz e se afastem como se fôssemos leprosos, deixando subjacente a frase: "vc é muito folgado e está contaminando o meu ar!"
A ditadura do politicamente correto está fazendo um ótimo trabalho em transformar todos nós em mauricinhos e patricinhas bunda-mole, garotos-propaganda da "geração saúde". Se hoje, quando assisto a filmes e seriados dos anos 1990 nos quais todo mundo fuma em todos os lugares, até eu estranho e acho graça, apenas posso imaginar a surpresa dos q viverem daqui a 50 anos diante da mesma situação. E a hilaridade q será no futuro assistir a "The X-Files" (Arquivo X, série protagonizada pelos agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully) com meus netos e responder à cândida dúvida:
- O q é esse bastão q solta fumaça q o Canceroso segura em todo lugar?
Estou certa q o tabagismo entrará para a História como uma "excentricidade" prescrita, e no futuro ninguém mais poderá fumar, em nenhum lugar... Este é o chato mundo q estamos a construir...
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
A mais louca festa de 15 anos
Antigamente, era costume resguardar as filhas na privacidade do lar, preservando-as e à sua honra até o momento de elas finalmente serem apresentadas à sociedade, quando já fossem "moças na idade de casar". Na tradição hispano-americana essa apresentação se dava na "Festa de Debutante", ou "Quinceañera", quando a moça completava 15 anos e ganhava uma grande festa de gala, q marcava sua entrada na sociedade e de certa forma no "mercado do casamento".
Eu mesma não cheguei a ter uma festa de Debutante pois preferi substituí-la por uma viagem. Mas tive oportunidade de comparecer a alguns desses bailes de amigas. Mas a mais marcante comemoração de 15 anos a q compareci não foi um baile de Gala.
No primeiro colegial estudei com uma semi-xará, MFC. Tínhamos a mesma idade. Ela era uma moça magrinha, mignon, bonita, cheia de vida, alegre. Grande foi a surpresa minha e de meus colegas quando ela nos disse q já era mãe, de um bebê recém-nascido. Nada em seu jeito ou compleição denunciava q ela já tinha um filho.
Muito animada, eu diria baladeira, em pouco tempo me chamou pra comemorar seus 15 anos. Como seus pais estavam a gastar muito dinheiro com a neném q tivera aos 14 anos, e tb não fazia muito sentido promover um "baile de apresentação social" para uma moça q já era mãe, tinham lhe avisado q não lhe fariam um baile de Debutantes. Ela não se fez de rogada e resolveu comemorar numa danceteria, apenas com amigos.
Não me lembro pq Chico, Romeu e Maristela, q estudavam conosco, não foram. No dia da festa peguei minhas roupas de clubber, meti na mochila e fui de ônibus pra casa de MF. Lá conheci, enternecida, sua linda neném, P., com uns 3 meses, ainda em amamentação. Nos vestimos, maquiamos, perfumamos, ela deu um beijinho de despedida na filha e disse:
- Tchau, meu amor, mamãe vai pra balada!
De lá fomos a pé à casa de outras 2 amigas, A. e D., de cabelos coloridos e meio cybers. Pegamos o ônibus para a Moóca, já em clima de festa. Descemos na porta da Over Night, casa noturna célebre na época, cada uma em posse dos seus documentos "de maior" ;)
Como dentro da balada a bebida sempre é mais cara, começamos a fazer nosso "esquenta" num boteco lá perto, bebendo batidas de vodka e pinga com mel. Ao ver MF beber tive a preocupação de perguntar-lhe se ela ainda não estava "de resguardo", parida, pois seu bebê ainda era muito pequeno, ao q ela simplesmente respondeu: "Não! Relaxa, Fê!"
Ok. Entramos na Over Night. Dançamos na techneira ensurdecedora, mesmerizadas pelo jogo de luzes. A certa altura, MF chegou até mim bastante pálida, suada e desgrenhada, dizendo q estava passando mal. A. e D., entretidas com a música e os rapazes, meio q deram de ombros e falaram para eu levá-la ao banheiro. Escorei MF o melhor q pude e a carreguei até lá.
Abafado, sujo e lotado, ficamos uns 5 minutos na fila até q ela sussurrou q não aguentava mais tanto calor e me pediu para tirá-la de lá. Com muita dificuldade devido à lotação da casa noturna, meio q escoltei, meio q arrastei MF pra fora, já sabendo q não poderíamos retornar e q nossa balada acabaria por aí.
Sentamos na calçada, na frente dum bar. Ela meio q mais pra lá do q pra cá enquanto eu, ansiosa e preocupada, perguntava a cada minuto se ela estava melhor, sem q ela respondesse nada. Naquele momento, vendo uma adolescente magrinha recém-parida passando mal sob minha responsabilidade, o sangue gelou nas minhas veias no pensamento: "Putz, e se ela morrer agora? Com q cara vou falar pros pais dela como isso aconteceu? E a bebezinha dela, vai crescer sem mãe? Meu Deus, q q eu faço?!"
Vomitou a cântaros. Percebi q ela estava a um passo de desmaiar. Sem dinheiro para pegar um taxi, entrei no bar e perguntei se podiam nos ajudar, se alguém nos levaria ao hospital. A resposta veio na displicente frase: "O q não falta aqui é bêbado passando mal todo dia." Deixando claro q ninguém ali faria nada por nós.
Já desesperada, vi uma viatura da Polícia Militar passando em nossa frente, pois nessas baladas, além de bêbados passando mal, eram comuns as brigas. Não tive dúvidas. Me pus na rua e sinalizei pra viatura parar. Pensei q talvez não socorreriam minha amiga por estar simplesmente bêbada, então lhes disse:
- Por favor, me ajudem! Minha amiga teve um neném há 3 meses. Ela tomou só um copo de batida e está passando muito mal. Ela precisa ir pro hospital! Por favor, nos ajudem!
Os 2 policiais desceram, deram uma conferida em MF desfalecida na calçada, toda suja de vômito, e falaram q tudo bem, iam nos ajudar. Pegaram cada um num ombro de MF e a colocaram no banco de trás. Sentei ao seu lado, e esta foi a primeira vez em q entrei numa viatura da Polícia.
Não lembro a qual hospital nos levaram. Chegando, enquanto colocavam MF na maca, ela só teve forças para dizer:
- Não fala nada pros meus pais...
A puseram na enfermaria. Apesar de ser um hospital público, fomos atendidas rapidamente. Enquanto a examinavam me disseram para ir fazer a ficha dela. Pedi q ela me desse sua carteira, e ela não reagiu. Retirei a carteira do bolso de sua calça e fui à recepção. Encontrei seu RG falso "de maior" e o verdadeiro, "de menor". Com medo de q descobrissem a falsificação e isso trouxesse ainda maiores transtornos, entreguei o verdadeiro e quando a atendente pediu o telefone de seus responsáveis, pois ela era menor de idade, apesar de ter o número, disse q não o sabia, pois se o informasse talvez ligassem imediatamente.
Ficha preenchida, retornei à enfermaria e sentei-me no cantinho da maca de MF, pois não havia cadeira. Deitada de lado com o soro na veia, o q saía de sua boca não era mais vômito, mas um líquido viscoso esverdeado. Eu jamais vira alguém vomitar algo verde e fiquei muito alarmada, achando q ela estava à beira da morte. E se ela morresse ali, como eu explicaria aos seus pais, q eu cumprimentara algumas horas antes, pq não dera seu telefone na recepção? Se ela morresse, com q cara no futuro eu explicaria a P, q eu acalentara algumas horas antes, em q circunstâncias ficara órfã?
Chamei a enfermeira:
- Acuda! Minha amiga tá vomitando verde!
Calmamente, a enfermeira veio, verificou o soro e o vômito esverdeado. Meio em tom jocoso me disse:
- Não precisa se preocupar, já administramos glicose pra sua amiga. Isso q ela está vomitando é bile. Não precisa se preocupar. Em algumas horas ela estará pronta pra outra! Só fica de olho pra ela ficar deitada de lado. Se ela virar de barriga pra cima pode se sufocar no próprio vômito...
Eu sabia da existência da bile, mas achava q ela apenas "descia" da vesícula biliar e do duodeno para os intestinos. Não tinha a menor idéia q o fluxo do trato intestinal poderia ser revertido e a bile "sair por cima". Eu mesma nunca bebi de passar mal ao ponto de ser hospitalizada e precisar tomar glicose na veia, e nunca cheguei ao ponto de vomitar bile. Aquela foi uma experiência inédita e, até hj, única.
As horas da madrugada passaram sem q nenhuma sombra de sono me acometesse. Como eu poderia dormir me vendo responsável por uma querida amiga, mãe recente, desmaiada num ambulatório de hospital público, tendo q me certificar q ela não morreria sufocada no vômito quase fluorescente q expelia?
Creio q já eram umas 10 da manhã quando ela acordou e ainda zonza me perguntou como tínhamos chegado ali. Lhe relatei o q ocorrera durante seu desmaio. Ao ir recobrando lentamente os sentidos, me agradeceu por não ter avisado seus pais pois eles "a matariam se soubessem".
Já era mais de meio dia quando ela se viu em condições de ficar em pé. Minha casa não era perto da dela, mas lhe perguntei se ela queria q eu fosse com ela de volta. Já quase "pronta pra outra" disse q era melhor não, pois isso só faria seus pais acharem q algo tinha dado errado. Combinamos q ela diria aos pais q depois da balada ela tinha ido dormir na minha casa, por isso estava voltando tão tarde. E q eu deveria dizer o mesmo na minha casa: q depois da balada eu teria dormido na casa de MF.
No fim das contas, deu tudo certo, ninguém desconfiou de nada, pois mesmo quando ainda tínhamos 15 anos, já era comum q voltássemos pra casa só na tarde do dia seguinte. MF hj é muito bem casada, com 4 filhos. P hj já é uma moça, linda e muito bem criada.
Infelizmente, devido à formação de turmas em nossa escola, em anos posteriores não estudei mais com MF e acabamos por nos afastar. Uma pena, pois teria sido muito legal ter ido a mais baladas com essa minha amiga "louquinha" e cheia de energia. Mas ficou essa lembrança, da mais curta e tresloucada festa de 15 anos a q já fui. Do medo e da surpresa. Da primeira vez q "peguei carona" numa "veraneio vascaína". Da primeira vez em q fui responsável por outra pessoa além de mim. Do alívio de ter conseguido socorrer minha amiga, levá-la ao hospital, ser "firmeza" com ela, e ter conseguido devolvê-la inteira à longa vida q a espera.
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