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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Da Máfia chinesa



Em texto anterior, mencionei que minha segunda experiência profissional foi em uma firma de videokê comandada por chineses, e au passant que meu desligamento desta empresa não foi tão pacífico. Vamos aos detalhes.


Os japoneses, ao que me consta, criaram uma forma de entretenimento denominada "karaokê", termo que significaria "sem banda". Pelo mundo espalhou-se o hábito de, em bares e locais de entretenimento, haver uma máquina que, com o acionamento de moedas, tocava a trilha de uma música, possibilitando aos clientes o entretenimento de cantá-la.


Na passagem entre os 1990 e os anos 2000 o karaokê "evoluiu" para o videokê, com o avanço de que agora havia uma tela que mostrava a letra da música a ser cantada. Rapidamente começaram a pulular pelos bares as "jukebox de videokê". E justamente no fornecimento de "máquinas de videokê" a empresa King Star entrava no mercado.


Entrei em contato com ela através do meu então colega de cursinho, e para sempre grande amigo, Henrique "Figura". Ele morava no mesmo prédio do dono da empresa, e assim conseguiu o emprego. No curso pré-vestibular Figura verificou que meu domínio do português era muito bom, e me convidou, a princípio, para um trabalho freelance como revisora da grafia da letra das músicas. Me forneceu um equipamento e por alguns finais de semana gastei todas a minhas horas livres nisso, entregando o trabalho antes do prazo.


Meu trabalho causou boa impressão e me convidaram para um trabalho fixo na King Star. Adorei pois seria minha segunda experiência empregatícia, e o local de trabalho ficava a 300 metros da minha casa no Tatuapé. Sem registro em carteira, receberia, em 2001, 300 reais por mês, o que creio que fosse próximo ao salário mínimo da época.


O dono da empresa atendia pelo nome "brasileiro" de Fernando, meu xará. Era um taiwanês de 26 anos com esposa e filho pequeno, empreendedor arrojado que também empregava seus irmãos, que atendiam por Cris e Mário. Soube que antes de se dedicarem ao videokê trabalhavam com máquinas de caça-níquel, mas que haviam abandonado esse ramo por conta da proibição legal e subsequente fiscalização.


Figura rapidamente me ensinou seu métier, que era bem mais simples do que eu pensava. As máquinas, semelhantes a DVD players, vinham prontas da China. A nossa parte era desenvolver o software. Ou, mais precisamente, adicionar o máximo de músicas ao acervo do software do videokê. Baixávamos pela internet arquivos .mid com a melodia e também pesquisávamos a letra dessa canção. Nosso trabalho era simplesmente o de sincronizar letra e música, acertando compassos, timbres e tons.


Mesmo sem saber quase nada de música e sendo incapaz de tocar qualquer instrumento, era muito simples esse trabalho. E até o de multiplicar músicas, se gravadas por mais de um artista. Nosso trabalho frutificava, e as vendas iam bem até o ponto em que foi contratado um terceiro membro para nos ajudar. Após algumas entrevistas, selecionaram Roberto Mautone Jr., que frequentava minha sala do cursinho pré-vestibular.


Tudo ia muito bem... Até que... A China chamou.


Nosso chefe Fernando não nos explicou muito bem os pormenores, mas pelo que pude entender, o capital que havia usado para iniciar o negócio viera de Taiwan, de parceiros comerciais que, portanto, eram sócios no seu negocio na King Star. Aparentemente seu sócio em Taiwan estava passando por problemas, ou desconfiava de sua retidão na condução da empresa, e portanto enviaria "emissários" para um tipo de "auditoria"


Os chineses que vieram eram 2, um homem e uma mulher, esta aparentemente esposa do superior de Fernando, e aquele aparentemente seu "testa de ferro". Só falavam chinês e um pouco de inglês. Sendo nós contratados numa firma com 3 chineses e 3 subalternos brasileiros, ouvir chinês para nós era corriqueiro. Fernando, com seu sotaque pesado, veio me perguntar se eu "realmente falava inglês de verdade" e quando disse que sim, me pediu que fizesse um "meio de campo" com os visitantes, os levasse para passear no bairro, almoçar, etc, e assim fiz.


Foi numa dessas oportunidades que descobri que minha primeira tatuagem não era em japonês, mas em chinês. No dia de meu aniversário de 18 anos eu comparecera a um estúdio de tatuagem. Folheara o portfólio e selecionara duma folha onde se lia "Letras japonesas" o ideograma sob o qual estava escrito "verdade". Estava tranquila desse fato até que o "testa de ferro" do chinezão, ao vê-la, abriu um sorriso e disse: "nice, honesty!"


Eu disse "I beg your pardon, what did you say?" E ele disse "I just read your tattoo". Repliquei: "can you read it? Is it in chinese? I thought it was 'truth' in japanese". E ele disse meio que rindo da minha cara "well, it's chinese, and says 'honesty', wich also can be translated as 'truth'." Me senti meio tranquila e meio lograda. Pelo menos eu não havia tatuado "conteúdo 300 gramas" ou "sopa de cebola".


Após algumas semanas chegou da China, ou de Taiwan, pois para eles "era tudo a mesma coisa" o chefão cuja esposa eu estivera ciceroneando, mesmo com seu péssimo inglês. Aparentemente vinha para "tomar o negócio" do Fernando. Num sábado de janeiro de 2002, logo após eu fazer as provas da segunda fase da FUVEST o Fernando nos disse para ir ao trabalho "normalmente", mas para ficarmos alerta, pois algo de importante aconteceria. Eu, Figura e Beto permanecemos no andar de cima, em nossos computadores, enquanto "a chinesada" fez uma reunião no andar de baixo. No meio do expediente, ouvimos do andar de cima barulhos que pareciam de uma briga física entre eles.


Quando se aproximou a hora do fim de nosso expediente, Fernando subiu as escadas, foi à nossa sala, nos dispensou e me entregou, numa caixa, uma fita de vídeo VHS. Me pediu que a ocultasse em minha bolsa, a levasse para minha casa, e disse que mais tarde, ainda neste dia, a iria buscar. E que eu a guardasse enquanto isso como a minha vida. Ok. Enquanto íamos embora, o testa de ferro do chinesão chamou o Figura para uma conversa particular.


Beto me acompanhou no curto trajeto até minha casa e, lá chegando, não nos contivemos em colocar a fita no meu videocassete, rebobiná-la e assisti-la. Era uma gravação de uma câmera escondida colocada na luminária do teto da sala onde acontecera a reunião, no andar de baixo. A "chinesada" obviamente só falara em chinês, mas mesmo não compreendendo uma só palavra, assistimos tudo, vidrados.


A linguagem corporal não deixava dúvidas. Travavam nosso chefe Fernando, o chinesão seu superior e seu testa de ferro que reconhecera minha tatuagem uma discussão aguerrida, por conta de dinheiro ou da condução da empresa. Assistimos ao momento em que o "chinesão big boss" deu uma série de socos na mesa, e este fôra o barulho que nos alarmara, ouvido do andar de cima.


Ao fim da tarde nosso chefe Fernando veio bater à porta da minha casa, perguntando com ansiedade e insegurança de menino "onde estava a fita". A entreguei na mesma caixa, sem lhe informar que a assistira, e ele a abraçou como a uma joia preciosa.


Abriu um sorriso, me agradeceu pela discrição e disse:


"Essa fita vai salvar a minha vida".


Na semana seguinte recebi a notícia de havia sido aprovada no vestibular da USP para o curso vespertino de História e pedi meu desligamento da King Star. E soube que o "chinesão big boss" não era o "big boss" after all. Que havia, acima dele, lá na China, um "chefão" superior, e que essa fita da discussão em chinês lhe havia sido remetida por Fernando como uma forma de provar sua honestidade na condução do negócio, no intento de "queimar", lá na China, com o "verdadeiro chefão" aquele que socara a mesa da King Star.


Nesse meio tempo o Figura nos revelou o conteúdo de sua conversa com o chinês. Ele sofrera uma tentativa de suborno. O chinês lhe dissera que a King Star seria desfeita, e o convidou para "virar a casaca": abandonar o Fernando e passar a trabalhar diretamente para ele, o que lhe valeria um reajuste salarial de 50%. De 300 passaria a ganhar 450 reais. Só ele, eu e o Beto não. Não havia espaço para nós. Figura nos disse que por nenhum momento cogitou aceitar isso. Que conhecia o Fernando há anos e não colaboraria com essa "puxada de tapete". Que não aceitaria essa proposta, levando o know-how que aprendera com o Fernando, para seus agora "inimigos" e futuros concorrentes. Que não faria parte deste "golpe empresarial" que resultaria no fim do emprego meu e do Beto, seus "trutas". O Figura sempre foi muito "firmeza".


Depois disso, não mais soube que rumo levou essa contenda. Com o avanço da tecnologia, e o fim da moda, essas máquinas de videokê que vendíamos caíram no ostracismo. Não há mais quem as compre. Não sei que rumo tomaram Fernando e seus irmãos. Mas tenho certeza que estão enriquecendo, empreendendo, trabalhando diligentemente, como os chineses, ou taiwaneses, sabem fazer tão bem.


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sábado, 5 de abril de 2014

Como faz bem fazer o bem



Como faz bem fazer o bem. Como fazer o bem nos faz sentir bem.


Percebi isso hoje.


Sempre tive medo/receio de mendigos, pedintes e moradores de rua. O típico medo da classe mérdia de ser assaltado, explorado, feito de bobo.


Embora os "valores cristãos" nos recomendem praticar a caridade e ajudar ao próximo, essas "boas ações" costumam ser cerceadas por diversos motivos:


1 - Recomendam não dar dinheiro aos pedintes. Pois dar dinheiro não apenas os estimula a continuar na mendicância, como a sua doação pode ser usada para a compra de entorpecentes que prejudicarão ainda mais a saúde, física e mental, destas pessoas.


2 - Recomendam, ao invés de doar diretamente aos pedintes, fazer doações a instituições de caridade, que usarão esse dinheiro em assistência social. Porém, grande parte desta verba é revertida para o pagamento dos funcionários dessa assistência, como os operadores de telemarketing que nos ligam e motoboys que vêm buscar nossas doações. Além de que grande parte dessa população de rua se recusa a ser "institucionalizada" pelo Estado ou ONG's.


3 - Recomendam até não dar comida em pacotes fechados aos pedintes. Era meu costume comprar pacotes de bolacha e miojo extra para dar aos pedintes. Porém em diversas ocasiões fui informada que é comum pedintes coletarem esses mantimentos e os trocar por pedras de crack nas "biqueiras".


4 - Recomendam não "dar trela" para moradores de rua. Pois grande parte deles apresenta problemas psiquiátricos e a última coisa que alguém quer é um morador de rua que "encafifou" com você. E, se você lhe der atenção ou doações uma vez, pode ser que ele bata na sua porta a toda hora, no estilo "você dá a mão, quer logo o braço."


Então, embora em algumas ocasiões tenha dispensado moedas apenas para me livrar rapidamente de pedintes, minha práxis comum tem sido ignorá-los, por mais mortificada que isso me fizesse sentir. 


De certa forma esse é um sentimento de culpa. Pela percepção do quanto somos abençoados por uma segurança financeira que se sustenta sobre a exploração e exclusão (ou inclusão perversa) dessas pessoas na sociedade.


Em São Paulo capital é tão grande o número de mendigos que eles chegam a fazer parte da paisagem, e tropeçamos neles sem pedir desculpas, considerando "um fato natural da vida" a existência de meninos de rua cheirando cola ao meio-dia na praça da Sé. 


Em Rio Claro - SP não há "meninos de rua" e mendigos como em SP. Estamos relativamente bem servidos por entidades de Assistência social. Temos orfanato, "Casa das Crianças", "Casa da Aldeia" (com "mães sociais") e a Casa Transitória que abriga moradores de rua. Portanto é raro, em Rio Claro, ver um mendigo jogado na calçada. E é de se supor que ao encontrar algum, ele esteja na rua justamente por se recusar à institucionalização, a ser "fichado e rotulado".


Esses andarilhos não querem "se enquadrar" no esquema de vida burguesa. O que sempre leva aos membros da "classe média", como eu, a passar por essas pessoas com ar de superioridade e desprezo, ignorando-as. E, ao sermos abordados, frequentemente nos sentimos aviltados "como ele ousa me dirigir a palavra, esse bêbado, esse drogado? Ai, que medo!" E passamos por eles correndo, virando a cara.


No dia de hoje estacionei meu carro em frente a um supermercado e perto dele havia uma casa lotérica, onde aproveitei para ir pagar umas contas. Nesse trajeto, passei a meio metro de um morador de rua. Ao passar por ele, me dirigiu algumas palavras, à quais me recusei a ouvir, passei direto, balançando minha cabeça em negativa, enquanto reparava em sua excessiva magreza. 


Prossegui meu caminho até a lotérica, pensando sobre ele, percebendo que seu jeito idiossincrático denotava que ele provavelmente era possuidor de transtornos mentais. E que estes poderiam ser o motivo de ele prosseguir na rua, recusando as possibilidades de Assistência Social que nossa cidade oferece.


Um bêbado, um louco, um drogado, um desajustado...


Pensando sobre isso na fila cogitei que direito tinha eu de julgá-lo. Netinha do vovô militar que sou, em tudo o que tive estímulo, ele teve desilusão. Em tudo o que tive oportunidades, ele teve barreiras. Em tudo o que tive conforto, ele teve dureza. Em tudo o que tive aconchego, ele teve violência.


Pequeno e magro, jogado na calçada, minha negativa em ajudá-lo começou a me incomodar. Era meu conforto que me incomodava. Era minha arrogância de superioridade que me incomodava. Era a percepção de que na verdade, pequenas circunstâncias da vida dos separavam, que me incomodava. Mas, sobretudo, que eu teria que passar de novo por ele, na volta a caminho do mercado, que me incomodava.


Resolvi que "daria uma chance às circunstâncias": se no trajeto de volta ele falasse comigo de forma que eu não me sentisse ameaçada, o ajudaria. Não com dinheiro. Isso seria pedir demais.


Na volta, mais uma vez ele falou comigo, baixo e timidamente, já antecipando ser ignorado por mais uma patricinha arrogante. Mas, para sua e minha surpresa, parei e o olhei, como a um ser humano, como talvez nem ele mais me sentisse e poucos (inclusive eu) o considerassem. Me dissera sussurrando:


- Me dá uma ajuda...


Parei e lhe disse com a maior simplicidade que pude:


- Você está com fome, sede? Estou indo no mercado, me fala do que você está precisando.


Ele abriu um sorriso amplo, mas com poucos dentes, e disse "Uma Coca". Talvez tenha pensado que se tivesse pedido uma aguardente, eu recusaria, mas eu não teria recusado. Teria-lhe sim comprado um litro de pinga, se pedisse. Na sua condição, é mais do que compreensível que queira se entorpecer. Mas só me pediu um refrigerante e isso me fez ter vontade de também lhe comprar algo de comer.


Fui ao mercado e peguei uma Coca de 600 ml pensando que depois que poderia usar a garrafa para guardar água. Fui à padaria do mercado e peguei uma bandeja de bauru de forno, quentinho, com guardanapos e sachês de maionese e mostarda. Passei pelo caixa e fui levar até ele.


- Comprei uma Coca e uma coisinha pra você comer também.


Ele abriu um sorriso um pouco mais largo, com um dente a mais e disse:


-Deus lhe abençôe!


Tenho certeza que isso me trouxe mais bem-estar do que a ele. Que este ato, quantitavamente, mais aliviou a minha própria culpa por me sentir abençoada e pouco solidária do que a fome objetiva dele. Ele se sentiu um ser humano, mas eu me senti um pouco mais "superior e boazinha".


Ao fazer essa "boa ação" que me fez sentir tão bem, me lembrei de todas as vezes nas quais, em circunstâncias similares, passei reto, ignorei, não ajudei quem previsava, e rapidamente essa intercorrência cotidiana foi esquecida. Como poderia tudo ter sido tão mais simples. E humano...


Graças a Deus, há vários anos tenho emprego fixo, segurança financeira e comprar um refri e um salgado de vez em quando para um pedinte não me custa nada nem faz rombo algum no meu orçamento, cada vez menos apertado. O que me impedia era o medo, tudo aquilo que, com certa sabedoria da experiência, nos recomendam para nossa salva-guarda.


Não escrevo isso para esfregar na cara de quem quer que seja que "sou boazinha" ou alardear "minha caridade", mas justamente para dizer que não costumo praticar caridade diretamente aos que dela necessitam, me abordam pelas ruas e pedem. E que hoje o resolvi fazer, pela primeira vez. E que, com isso, percebi que a oportunidade que esse mendigo me deu para lhe "fazer o bem" trouxe um benefício maior a mim do que a ele. Acho que, a partir de agora, rompida essa barreira, poderei fazer coisas simples como essa mais vezes. Com menos medo da próxima vez.





sábado, 22 de junho de 2013

De minha primeira passeata


A História é um campo de eterna surpresa. Por mais que imaginemos que exista alguma teleologia, alguma "mão invisível" a guiar os fatos, eles sempre nos aturdem. São mais rápidos que todas as análises, previsões, planejamentos.

Desde 10 de junho de 2013 , há apenas 2 semanas, os acontecimentos têm atropelado os analistas. Ninguém poderá dizer : "eu avisei", "I saw it coming" porquê ninguém previa os rumos que as passeatas pela diminuição da tarifa de transportes em São Paulo, organizadas pelo movimento Passe Livre, tomariam. Parecemos, hj, à beira da Anarquia, de nossa primeira Revolução, seja popular ou burguesa. Pela primeira vez em nossa História nos vemos diante de mobilizações sociais que abalam governos e convulsionam a sociedade.

Ver a tudo isso, até agora à distância, pela TV e Internet, além de um pouco de frustração por não poder ir à rua, me lembra meu primeiro ano na faculdade de História, na USP. Com frescos 19 anos, cheia de gana, iniciativa, vontade de "mudar tudo".

Assim que comecei a faculdade, pegava todos os panfletos que encontrava, me informando sobre os diversos movimentos sociais nos quais os estudantes se engajavam. Logo no primeiro mês anunciaram uma passeata na avenida Paulista e é claro que eu não podia perder.

Poderia ter sido qualquer o motivo, eu teria ido, tão empolgada que estava. O mote nesta ocasião era a oposição à ALCA, Área de Livre Comércio entre as Américas, uma proposta estadunidense de baixar, ou anular tarifas alfandegárias e impostos de importação.

O pessoal da faculdade, com muita razão, colocou no panfleto de convocação que a ALCA seria uma sentença de morte à indústria nacional, que faliria com a concorrência desleal dos norte-americanos. Me juntei a eles à luta, na rua.

Foi num domingo. Concentração no vão livre do MASP. Fui de metrô. Sozinha, no começo me senti um pouco deslocada. A polícia, avisada, não estava lá para reprimir a passeata, apenas para escoltar, supervisionar e impedir que o trânsito fosse completamente bloqueado. Fizeram um cordão de isolamento nos permitindo ocupar 2 pistas da Avenida Paulista.

Logo encontrei alguns colegas de faculdade, cumprimentados com sorrisos e surpresa: "Vc aqui tb, que legal!". Um deles, não me lembro sinceramente qual, fazia parte da coordenação da passeata e de sopetão, ao trocar meia dúzia de palavras comigo, perguntou todo animado:

- Você não quer subir no carro de som?

Mas é claro!

Me levou até a escada, trocou três palavras ao pé do ouvido com quem a guardava, que logo deu passagem, me permitindo subir a escada metálica, com um certo arrepio da espera do novo.

Lá em cima, além do "puxador" ao microfone, umas 30 pessoas, cheias de ânimo, empunhando cartazes e exibindo faixas, gritando palavras de ordem, agitando os braços ao alto, chamando a multidão. 

E era grande. Só lá de cima vi. Milhares de pessoas ao nosso redor, todas no mesmo compasso: alegria, cidadania, democracia, protesto, luta por melhorias e contra as desigualdades sociais. Ondas de adrenalina coletiva nos estimulavam.

Me senti "no olho do furacão", participando de algo muito especial, transformador, em cima daquele trio elétrico. Me juntei aos demais, cantando com a multidão e ajudando a segurar um longo cartaz de tecido, pintado com os dizeres "Fora ALCA".

Não sei dizer quanto tempo fiquei lá em cima, menos de 1 hora. Quando comecei a sentir minha voz enrouquecer, vitimada pela empolgação, cedi meu lugar a outro manifestante e vi que já era hora de descer. Já estávamos na rua da Consolação.

Prossegui em passeata, procurando outros colegas lá no meio. Encontrei alguns outros, calouros como eu, se sentindo "revolucionários autênticos" ao participar de seu primeiro protesto, como eu.

Vestida com uma blusa branca, nada demais. Ao constatar-me em meio a um mar vermelho, me senti algo deslocada, e como começava a esfriar um pouco, fui até um vendedor ambulante que acompanhava a manifestação com um varal de roupas para vender.

Dei uma repassada nas camisetas e achei uma que preenchia meus anseios: vermelha, com dezenas de pequenos Che Guevaras estampados com a frase "Viva Che". Perfeita. Vesti por cima da blusa branca e comecei a partir de então a me sentir "mais adequada", identificada com a onda coletiva.

Prosseguimos até a praça Roosevelt e na praça da República nos dispersamos. Essa manifestação não foi histórica, não repercutiu, não mudou nada (até hoje a ALCA não chegou ao Brasil, e não parece que vá tão cedo...). Mas me deixou uma marca profunda. Foi a minha primeira.

Na volta, peguei o metrô e, em segurança, voltei para casa. Conseguindo assento no trem, sentei-me com um sorriso no rosto, que coroava a sensação de estar participando de algo maior do que eu mesma. De ser um agente social transformador, que não apenas assiste, mas toma parte nos acontecimentos. Alguém que grita, e faz sua voz ser ouvida, contra o silêncio e a apatia geral.

No dia de hoje, parece, essa apatia do "gigante adormecido" acabou. Há 2 semanas milhares, milhões, de brasileiros saem às ruas, em protestos facilitados pelas redes sociais, azeitados pelas hashtags

#ogiganteacordou #obrasilacordou #vinagre #vdevinagre #passelivre #primaverabrasileira #vemprarua #protesto #manifestasp #changebrazil 

E algo mudou. Todos percebemos. Não sabemos ao certo o teor e a direção da mudança, mas ela está acontecendo. Centenas de cidades se levantam contra a alta no custo de vida, o peso dos impostos, a ineficiência dos serviços públicos, a corrupção institucionalizada, a impunidade à violência, os gastos exorbitantes nas obras da Copa do Mundo de futebol de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Parece que acordamos. 

Me sinto privilegiada em testemunhar acontecimentos Históricos como este.

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sábado, 17 de novembro de 2012

Porque sou Sionista

Muitas vezes é difícil, sendo informado pela mídia ocidental, saber se nossos pontos de vista estão sendo manipulados a serviço de interesses políticos aos quais estamos alheios.

Muitas vezes nem os próprios jornalistas vão fundo nas questões sobre as quais fazem reportagens. E frequentemente suas posições apenas ecoam um paradigma político q parece "bonzinho" à primeira vista, mas não resiste a uma análise mais profunda.

No meu curso de História na USP sempre via os alunos "politizados" metendo o pau em Israel, levantando a bandeira da causa palestina e chamando os sionistas de "nazistas judeus".

Nada mais superficial...

O principal motivo desses grupos serem pró-palestina não é simpatizarem com os palestinos, mas serem anti-yankees. Identificam os EUA como "o inimigo capitalista" e todos os seus aliados como inimigos. E quem é contra os EUA como aliados.

Se não se conformassem com uma visão simplista e maniqueísta, iriam mais fundo na questão, se informando sobre quais bandeiras os palestinos levantam. E elas nada têm de "progressistas". A causa palestina propugna a pura e simples destruição do Estado de Israel e, se possível, a morte de todos os judeus. Pleiteiam em Canaã erigir um estado islâmico, daqueles onde a mulher é obrigada a usar o véu e liberdade de expressão merece pena de morte, por apedrejamento.

O Estado de Israel é laico. É a única democracia de todo o Oriente Médio. Em Israel, cristãos e muçulmanos podem professar livremente sua religião, sem perseguições. Em Israel, as mulheres podem andar com a roupa q quiserem, são convocadas para o serviço militar, são livres, até para ser a chefe do poder, como a primeira-ministra Golda Meir está para o provar.

O Estado de Israel não tenciona extirpar os palestinos da face da Terra. Não faz ataques terroristas nem bombardeios aleatórios. Apenas responde, com ataques cirúrgicos, quando atacado pelo grupo terrorista Hamas.

Qualquer pessoa q estude com sinceridade a causa judaico-palestina saberá q, por justiça, Israel pertence aos judeus. Eles são os ocupantes originários daquela terra. Da mesma forma q os indígenas brasileiros, como ocupantes originais desta terra, são os verdadeiros donos e merecem ter suas aldeias demarcadas e respeitadas.

Em 79 d.C. os judeus foram expulsos de Israel pelo Império Romano. Desde então foram estrangeiros na terra alheia, sem cidadania, discriminados, violentados. O ápice do antissemitismo ocidental foi o Holocausto nazista. Este fato, tão recente em termos históricos, demonstra q não há lugar no mundo onde os judeus podem se sentir 100% seguros de poder viver e professar sua cultura em paz, fora Israel, criado em 1948 justamente para abrigar os sobreviventes da "Solução Final".

Israel é o único país judeu do mundo. Quantos países islâmicos há, ou onde os muçulmanos são maioria? 30 ou 40, se não mais. Os palestinos poderiam tranquilamente viver no Egito, na Jordânia, no Líbano, sem serem incomodados. E os judeus, caso não houvesse Israel, poderiam viver tranquilamente nesses países? Seguramente q não, pois mesmo na Alemanha tão avançada, eis o fim q tiveram...

O Sionismo moderno nasceu com o sonho de Theodor Hertzel. Materializou-se com Oswaldo Aranha e ben Gurion. E este sonho, fragilmente concretizado, continua ameaçado. Israel sabe da fragilidade de sua condição, da inimizade de todos os seus vizinhos, do antissemitismo arraigado dos terroristas muçulmanos q manipulam a causa palestina.

É preciso coragem para declarar-se sionista, e pró-Israel. Mas por questão de honestidade intelectual, como historiadora q foi ao fundo da questão, não há como honestamente ter outra posição.

Israel tem o direito de existir!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Finalmente nos livramos do Windows 95

Esse texto só será plenamente compreendido pelos "dinossauros" que acompanharam a evolução dos sistemas operacionais informáticos pelos últimos 20 anos, pois ele resgata uma experiência muito antiga: o uso da primeira versão amplamente popularizada do Windows, o 3.1 .

Vi um computador pela primeira vez aos 7 anos. Tela de "matriz verde" (não, os primeiros monitores não eram coloridos), sistema operacional DOS, sequer tinha Windows. O primeiro computador q eu tive, com uns 10 anos, era um 486 com Windows 3.1 e eu o adorava. Ao ligá-lo, rodava o DOS, era preciso saber algo sobre comandos sequer para abrir o Windows. Não tinha internet, acho q na época (1993) ou não tinha internet no Brasil ainda ou seu preço era proibitivo (me lembro q o primeiro sinal de "provedor de internet grátis" no Brasil só apareceu em 2000).

E foi justamente do Windows 3.1 q me lembrei ao comprar um iPad. Muitos dos conceitos postos em prática na interface gráfica do iOs estavam presentes no Windows 3.1 e foram abolidos na versão de 1995.

Quando instalei essa versão no meu PC minha primeira reação foi: "Odiei. Dá pra voltar pro 3.1?" Não dava. Se eu mantivesse a versão 3.1 teria q abrir mão de instalar jogos e softwares feitos para a nova versão, e ficaria "parada no tempo", o q em computação é o equivalente ao suicídio. A principal diferença entre as 2 versões era q o novo Windows não mais atendia ao conceito de "janelas" (windows) de navegação, substituídas pelo famigerado "botão iniciar" que abre pastas e subpastas de programas, divididos por categorias, com pouca liberdade de configuração personalizada.

No paradigma gráfico das versões do Microsoft Windows entre o 95 e o 7, era muito fácil instalar um programa e nunca mais conseguir encontrá-lo, perdido nas subpastas cuja lógica era meio incompreensível ao "consumidor final". A facilidade q tínhamos no 3.1 foi resgatada no iOs e agora no Windows 8.

Todas as versões do Windows entre o 3.1 e o 7 pressupõem q o usuário tenha certa destreza no ambiente computacional, saiba fazer certas configurações, saiba bem quando clicar em "OK" ou em "Cancelar" ao ponto de ser relativamente fácil um leigo só clicando em OK após OK desconfigurar completamente seu computador.

Esse problema está sendo progressivamente sanado nas novas versões ao ponto de q hj crianças analfabetas e até animais de estimação podem fazer uso das mais recentes traquitanas tecnológicas. Nesse ponto deve ser dito q, enquanto os Computadores Pessoais com sistema operacional Windows até a versão 7 se propõem claramente a ser um "instrumento de trabalho", o iPad mais parece um brinquedo. Não é possível nele q um leigo só clicando em OK's desconfigure seu sistema completamente. O iPad não pressupõe nenhum conhecimento prévio de tecnologia do seu consumidor. Até agora não é possível se apoiar no tablet como único equipamento informático pois ele não possibilita acesso a várias funções essenciais q usamos em nosso dia a dia. Editar documentos, projetar sites e blogs, dar upload em fotos, tudo que é "meio sério" q se faz num computador é infinitamente mais difícil, ou impossível, de se realizar num tablet.

Mas sua inovação, ou "resgate" na forma de organização gráfica dos softwares, ou apps, não deve ser descartada, e inclusive foi copiada na versão do Windows 8. A informática segue construindo seu caminho meio trôpega, nem sempre acertando nas "novidades". Mas agora posso dizer q por 15 anos odiei os Windows derivados da versão 95, e agora voltei a me sentir confortável com o display dos recursos q tenho em minha "traquitana" (gadget).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Porque nao tenho cartao de credito

Resumo em 2 frases: quem tem dinheiro não precisa de crédito. Quem não tem dinheiro não deve pegar crédito.

Se vc quer ir além do resumo, preciso dizer uma ou 2 coisas a respeito do Capitalismo. Antes de mais nada, ele não é para iniciantes. O Capitalismo é uma grande pirâmide financeira q, mais cedo ou mais tarde, há de ruir. O Capitalismo é uma grande fábrica de vender ilusões. Ilusões de q todo mundo pode ser rico, de q todo mundo pode comprar tudo o q quiser, de q todo mundo pode ter o mesmo nível de vida q os americanos de classe média.

Isso é impossível. Para que o Capitalismo se sustente, é necessária a existência de um grande "exército de reserva" de pessoas desempregadas, subempregadas e exploradas, o famoso lumpemproletariado. E também, de uma boa cota de pessoas endividadas.

Há quem pense q os bancos se sustentam com as taxas bancárias. Tola ilusão. Os bancos se sustentam com os juros q cobram dos q adquirem crédito. Há quem pense q os bancos ficam mortificados quando alguém não paga em dia suas dívidas. Outro ledo engano. Os bancos exultam quando alguém atrasa suas obrigações, pois assim poderão cobrar muito mais juros por este empréstimo.

Banqueiros são agiotas legalizados, sempre querendo mais vítimas para sua exploração, oferecem mil facilidades para os desavisados caírem em sua teia de ilusões. Oferecem mil benefícios, dizem q seus serviços serão gratuitos, q não cobrarão juros nem "taxa de administração". Para quem nunca ouviu a frase, lá vai: "Não existe almoço grátis". Não existe nada q "saia de graça". Especialmente quando estamos lidando com agiotas e usurários.

O cartão de crédito nos diz o seguinte: "você pode gastar além do q vc ganha, nós somos seu 'banco amigo' e estamos aqui para realizar todos os seus sonhos". O cheque especial diz a mesma coisa: "vc pode gastar mais do q vc ganha, nós te damos um limite pra vc ficar no negativo, depois vc paga..."

Os bancos se aproveitam dos desavisados q sequer sabem o significado da palavra "juros" para enredá-los numa trama da qual dificilmente conseguirão sair. Dizem q todo "sonho de consumo" é facilmente atingível. E até é. É fácil ter uma TV de 50 polegadas HD de última geração em casa. O difícil será pagar 2 TV's quando vc só leva 1 para casa. Pq vc leva 1 e paga 2? Simples: pq vc financiou com um agiota.

Há quem ache q a maior parte do lucro das lojas de eletroeletrônicos como Casas Bahia, Magazine Luiza, Ponto Frio, Ricardo Eletro vem da venda de seus produtos. Outro ledo engano. A maior parte do lucro dessas lojas vem da cobrança de juros sobre bens financiados em dezenas de parcelas. Em outras palavras, da agiotagem. Há quem ache q essas lojas preferem q vc compre à vista, e não à prazo. Outro erro crasso. Preferem q vc financie. Assim, além do pequeno lucro da venda, terão o grande lucro dos juros cobrados a cada parcela. E quanto mais prestações tiver o financiamento, tanto melhor para essas lojas.

Na minha vida observei q quanto mais pobre uma pessoa é, mais ela gosta de fazer financiamentos desnecessários. Observei várias vezes o comichão de quem acabou de quitar um carnê de prestações se vendo quase que diante da obrigação de iniciar um outro. Pq "precise"comprar alguma coisa? Não! Pq quer e pq pode.

Quer pq o Capitalismo nos vende a ideia de q, a menos q tenhamos todos os eletrodomésticos de última geração, somos derrotados. Pode pq o Capitalismo nos diz que "todos os nossos sonhos" estão ao nosso alcance, facilitados pela nossa administradora de cartão de crédito.

O Capitalismo nos vende a ilusão de que é possível "vencer" usando as instituições financeiras como "aliadas". Nenhuma instituição financeira é sua aliada. Todas estão à espreita te oferecendo mil facilidades para cair na armadilha q te enredará sem escapatória, por anos.

Na última vez q estive no banco, foi para cancelar o "crédito do cheque 'especial'" q me impingiram sem q eu solicitasse. O atendente atônito tentou mil argumentos para me convencer a não cancelar meu "limite do cheque especial" dizendo q era uma facilidade, q eu podia precisar num mês em q eu descontrolasse meus gastos. Respondi-lhe: "É justamente por isso. Eu não quero me descontrolar em meus gastos. Eu não quero uma armadilha dentro da minha carteira sempre aberta e esperando um tropeço para me enredar". Ele ainda assim pareceu não entender meus motivos. Pareceu achar meio louca uma cliente q recusa "crédito" enquanto mil outros vêm todos os dias lhe pedir, ou mesmo implorar, a mesma coisa.

Sou da opinião de q ninguém deve dar "passo maior q a perna", e q cada um deve aprender a viver dentro das suas possibilidades financeiras, mesmo q isso acarrete em adiar ou mesmo desistir de ter acesso a bens materiais q, ao fim e ao cabo, não "precisamos", apenas "desejamos".

Só conheço uma forma de compra: à vista. Me orgulho em poder dizer q até agora, em toda a minha vida, jamais paguei um só centavo de juros, nunca devi nada a agiotas, nem a bancos ou financeiras. Jamais parcelei nada por um raciocínio muito simples: só devemos comprar algo quando temos dinheiro para isso. Se não temos dinheiro para isso, não devemos comprar. Devemos esperar, juntar o dinheiro e pagar à vista, possivelmente com desconto. Mesmo q sem desconto, ainda assim sem juros ;)

Sei q com isso abro mão de comprar muitas coisas. De ter uma TV, uma geladeira, um Blue Ray disc player, tudo de última geração. Mas ao mesmo tempo abro mão de perder meu sono preocupada com prestações, de possivelmente ter meu nome colocado no SPC e ter o "nome sujo na praça". E não sinto falta nem de uma coisa nem de outra. Aprendi q não devo "dar passo maior q a perna", nem "cair de patinho" nas ilusões de facilidades q me vendem.

Meu conselho aos leitores é este, simplesmente: viva com parcimônia. Todo mês, gaste menos do q vc ganha. JAMAIS tenham cartão de crédito nem cheque especial. NUNCA parcelem nem financiem NADA! Sejam donos do seu dinheiro, nunca paguem nenhum centavo de juros.

Nunca virem escravos do sistema financeiro. Nunca façam dívidas por um motivo muito simples: se vc tem dinheiro, pode comprar e não precisa de crédito/empréstimo. E se vc não tem dinheiro, não deve pegar crédito/empréstimo. Espere até vc ter dinheiro para pagar a vista, e só então compre.

Dormir tranquilo à noite, sem medo dos credores nem das dívidas, é algo q não tem preço!


terça-feira, 6 de março de 2012

Está pensando em comprar um tablet? Leia

Sei que muitos devem estar pensando em comprar um tablet, e na dúvida se vale a pena e qual comprar. Eu também pensei longamente se era melhor comprar o iPad ou o Galaxy Tab e optei pelo primeiro. Gostaria de expor os motivos para que vcs possam fazer uma escolha mais esclarecida.

Antes gostaria de elencar alguns motivos para se comprar um tablet, independente da marca:

1 - Segurança. Com um tablet, vc não precisará se logar em lan houses e computadores de terceiros, suas senhas estarão bem mais seguras.

2 - Praticidade. Com um tablet com internet 3G vc fica com online aonde for, em outras cidades e até outros estados, sem roaming. O tablet faz o seu tempo render mais. Horas antes desperdiçadas no ônibus ou na fila do banco se tornam produtivas quando vc tem um tablet à mão. Sem contar o conforto de fazer (quase) tudo o que fazia sentado na frente do PC, mas agora confortavelmente esparramado no sofá ou deitado na sua cama.

3 - O tablet substitui outros gadgets "físicos": mp3 player, rádio, computador, lanterna, bloco de notas, pen drive, gravador de voz, televisão (sim, o iPad te fará desligar a TV), jornal, revista, livro, agenda, GPS, calendário, calculadora, videogame, câmera fotográfica e filmadora digitais, lista de compras, espelho, despertador, previsão do tempo, telefone (via Skype), guia da TV, qualquer instrumento musical, até os mais estranhos, dicionário em qualquer língua, Kindle, e muito mais. E, insuspeitamente, até animais de estimação. Esqueçam o famoso Tamagotchi (bichinho virtual); no tablet vc pode ter aquários, gatinhos, unicórnios... Eu tenho até um tigre de bengala de estimação! Nenhum deles morre nem faz sujeira...

4 - Muita coisa grátis. Centenas de apps que facilitam baixar música livre de copyrights. Milhares de livros (a maioria em inglês, mas a oferta em português está aumentando) de domínio público. Apps de jornais (a Folha de SP pode ser lida gratuitamente e na íntegra por quem tem iPad, cortesia de uma grande construtora paulista). Há milhares de apps pagos, mas quem tem paciência e sabe garimpar encontra quase tudo o que quer de graça. Milhares de joguinhos clássicos e novos; alguns que eu tenho: xadrez, forca, Wolfenstein, Pac Man, Bejeweled Blitz, The Sims free play, Angry Birds, Free Cell, jogos do Atari, etcs.

5 - Participar das novas redes sociais feitas para smartphones e tablets: Instagram, Foursquare, Pinterest, Social Cam etcs. Você ficará muito mais plugado às novidades que estão bombando!

6 - A tela grande, muito mais confortável para navegar do que a mirrada telinha dos smartphones.

7 - Geolocalização. Não são todos os tablets que tem, e vale a pena pagar mais caro por um com GPS. Com ele sempre ligado, especialmente se vc tiver 3G, se vc for sequestrado ou seu tablet for roubado, é relativamente fácil geolocalizá-lo e a polícia ir direto ao mocó de quem te roubou.

8 - Interface intuitiva com apps educativos. Mexer num tablet é tão fácil que até crianças analfabetas não terão dificuldades. Para quem tem filhos, o tablet é um investimento inestimável. Há milhares de livros infantis interativos, joguinhos de raciocínio, de memória, de conhecimentos. Fazer de seu filho alguém plugado desde cedo pode fazer uma baita diferença em seu desenvolvimento cognitivo.

9 - Facilidades para quem é deficiente. Não precisei baixar nenhum desses apps, mas há centenas de aplicativos adaptados para pessoas com as mais variadas deficiências. Vide

10 - Aplicativos para coisas que vc nunca imaginou, não sabia que precisava e não conseguirá mais viver sem. Alguns que eu tenho: para dormir, tem app que toca mantra budista, sons ambientes para relaxar, app que com infra-sons fazem os cachorros parar de latir, apps estilo "jardim japonês", apps religiosos (tenho uma menorah virtual pela qual é possível segyir toda a liturgia do shabbat), controle remoto virtual (depende da sua TV ser bem moderna, mas funciona!), contador de calorias, personal trainer virtual, e muitos mais que ainda não conheço, mas um dia encontrarei!

11 - Ficar online 24hs. Diferente do computador, que tem ventoinha/cooler e pode superaquecer, o iPad é como um celular que pode ficar ligado direto 24horas. Vc pode simplesmente NUNCA desligá-lo e toda vez que vc quiser dar uma checada na net, simplesmente pegá-lo e usá-lo, sem estabilizador, sem liga/desliga, sem desperdício de energia e... Sem medo que um raio o queime!

Escolhi o iPad por vários motivos:

1 - A variedade de apps (aplicativos, "programas"). A Apple tem uma atração magnética sobre os geeks, que adoram mostrar como podem fazer apps geniais e exibi-los aos outros "nerds". A Samsung, fabricante do Galaxy Tab nem de longe exerce o mesmo fascínio, e portanto tem uma variedade bem menor de apps, e apps menos "cool and trendy".

2 - A qualidade do produto, indiscutível no caso da Apple. É um produto "top de linha".

3 - Memória. O Galaxy só oferece a versão de 16 gigas. O iPad tem 3 configurações: 16, 32 ou 64 GB. Para vcs terem uma ideia, tenho meu tablet há apenas 2 meses e já ocupei 8 gigas de memória.

4 - Bateria. A da Apple dura muito mais!

Agora alguns motivos para vc não comprar um iPad (não podia faltar):

1 - Trabalho escravo. Muitas são as denúncias contra a exploração dos trabalhadores chineses nas fábricas da Apple/Foxconn

2 - Tornar-se escravo dos produtos da Apple. Uma vez que vc caiu na rede, vira peixe dessa empresa com conhecidas práticas monopolistas.

3 - Incompatibilidade. Não rodar "flash" é apenas o mais visível dos problemas. O iPad até vem com cabo USB, mas ao plugá-lo no seu PC Windows vc terá a má surpresa de que os aparelhos não se reconhecem nem se comunicam. É possível fazê-los "se entender" e até sincronizá-los, mas isso é meio difícil para quem é leigo em informática, exige alguns malabarismos operacionais.

4 - Não é multitasking. Vc só pode usar um app por vez. Até agora, apenas apps que tocam música funcionam em segundo plano enquanto vc mexe em outros apps. É chato toda vez que vc vai trocar de app ter que apertar o botão e ter que fechar um para abrir o outro.

5 - Não funciona como celular.

6 - Esqueça qualquer tipo de download ilegal. Produtos da Apple só baixam arquivos legalizados.

Recomendação final: não financie seu tablet associado a um plano de minutos da sua operadora de celular, sai mais caro. Compre o tablet numa loja física, para ter garantia e um lugar onde reclamar. Depois veja qual operadora tem o melhor sinal 3G perto da sua casa. Há planos de internet (hoje) a partir de R$ 30,00. Não escolha o mais caro. O plano mais barato será mais que suficiente.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Educação emotiva pelo cinema: Jerry Maguire

Há muitos filmes fundamentais que merecem ser assistidos não por serem grandes realizações estéticas, mas por transmitirem uma certa “moral da história” relevante à educação emotiva humana. Que fique claro logo no início que há um abismo entre ser “moralista” e observar a “moral da história”.

Muitas lições essenciais que precisamos aprender em nosso amadurecimento são muito difíceis de didatizar, descrever em tópicos e explicar numa simples lição. Por isso as parábolas, historietas que exemplificam certo princípio abstrato, são um recurso muito popular na literatura, e nas variadas artes.

Dentre os filmes com enredo delicado, cuja história busca ser algo mais que um “romance água com açúcar” merece destaque “Jerry Maguire”, em português adicionado de “A grande virada”.

O filme começa com um suicídio.

Não literal. Jerry Maguire (Tom Cruise) é um agente esportivo de sucesso que, incomodado com as práticas amorais da corporação capitalista em que trabalhava, escreve um “Memorando” no qual expõe sua intenção de “humanizar” seu trabalho. Esse é seu suicídio. Percebe logo que não há como “humanizar” uma corporação. E que seu memorando fôra sua nota suicida no mundo corporativo.

Começa então a “grande virada” de Jerry. E a crônica da humanização de um homem. O filme narra no entrelaçamento entre Jerry e sua secretária (Renée Zellweger) como se dá o amadurecimento emotivo de um homem que já se achava pretensamente adulto e se descobre, psicologicamente, infantilizado e temeroso de subir de patamar.

Não creio que outro ator conseguiria tão eloquentemente nos entregar Jerry Maguire em sua plenitude. O olhar de Tom Cruise tem 11 mil facetas, 20 mil dúvidas, 30 mil hesitações e 400 mil boas intenções. Tem as sobrancelhas retas duma alma pura. Um leve vinco de preocupação, tal qual de um jovem pai de família, sobre o nariz. Sua alma transparece no olhar, de um homem que tenta ser honesto e leal.

Tom Cruise enuncia um monólogo inteiro num movimento de sobrancelha. Seu sorriso é sem reservas, entregue, como o de um menino. E ao mesmo tempo sua postura exsuda insegurança, em seus ombros despontando à frente, como quem teme eternamente a derrota ou acaba de ser “chamado à atenção”.

Além de mostrar o amadurecimento emotivo de Jerry, o filme tb mostra a família que ele tenta construir. A descoberta do amor puro numa criança. A alegria do amor que surge da admiração, nascida no respeito. Como se ainda existissem “caras legais” que se prontificarão a ser um bom pai para o filho órfão de uma mãe solteira. E que dirá a ela “Você me completa”, para êxtase de todo um grupo de mulheres descasadas.

O filme também mostra, na cena do acidente em campo do único atleta agenciado por Jerry, como a vida pode dar 3 giros completos num segundo. E num simples átimo todos os seus sonhos podem ser destruídos. Ou colocados vários patamares acima. E como nada disso depende de nós ou de nossas “boas intenções”.

Mas como é um filme de Hollywood, tudo dá certo, Jerry fica rico e seu casamento segue adiante. Mas não julguemos o filme pelo fim. Sua riqueza é a trajetória que narra e desvenda. A crônica de Jerry Maguire é a do difícil caminho que pode fazer de um capitalista sedento de “Show me the money” em um ser humano, capaz de ter sentimentos profundos, verdadeiros, e que duram pela vida inteira. Mostra que o caminho do “verdadeiro sucesso” não é fácil, nem largo, nem próspero, nem bem-iluminado. Que é preciso perseverar, incansavelmente, de forma leal e constante, no caminho do bem. O que é bastante difícil, e para poucos.

Pegar a saída fácil é o caminho mais curto para harmonizar-se com o mundo. E desviar-se de nosso real propósito na vida. Que não tem nada a ver com dinheiro. O dinheiro, na verdade, nos desvia e esconde de nós a Verdade, com V maiúsculo.

Vivemos num mundo cínico”.


"Jerry Maguire", 1996


"The Corporation"


Tim Maia - O caminho do bem

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

De minha breve experiência corporativa

Não consta de meu perfil no Facebook, mas ainda assim é verdade: já trabalhei numa empresa multinacional. De forma terceirizada, como é típico no século XXI, mas ainda assim dava expediente diretamente na sede administrativa da empresa.

Escrevo isso pois no dia de hoje, conversando com colegas de trabalho também professores, ao relatar essa minha experiência profissional, muitos disseram que eu era louca de ter deixado “um emprego de escritório numa multi-nacional, no ar condicionado” para ir dar aulas. Discordei e apresentei alguns argumentos para tal, sem tocar no ponto principal, e delicado, que resolvi trabalhar aqui.

Mas partamos do princípio.

Quem faz bacharelado em História tem uma dificuldade tremenda em obter estágio, que não é obrigatório, devido à escassez de empresas e instituições que lidem com a construção da História no Brasil. Apesar disso, durante a faculdade me foi oferecido, a título gratuito, uma vaga de estágio na empresa “Grifo Projetos Históricos e Editoriais” por minha amiga Luciana Martim Ferraz, que estagiava por esta empresa no Centro de História Unilever Brasil e estava a se transferir, ainda pela Grifo, para o CENPEC.

Lu me abordou, me perguntou se eu estava procurando estágio, e ainda que não estivesse, respondi que sim. Explicou-me sua transferência e indicou que me apresentasse no dia seguinte no “Centro Empresarial” pois estavam selecionando um substituto para sua vaga. Fui, fiz uma breve entrevista, dei a referência de ter sido indicada “pela Lu” e em 5 minutos a chefe Rosimeire Santos disse que eu estava contratada. No mesmo dia dei meu primeiro expediente.

Trabalharia 5 hora por dia para ganhar R$500,00 por mês, sem vale alimentação, sem vale transporte, sem registro em carteira. Dinheiro pouco, mas que faria toda a diferença em meu apertadíssimo orçamento de universitária uspiana que pagava quase isso só de aluguel.

O Centro de História Unilever Brasil era subordinado ao Marketing da Unilever. Nosso trabalho era arquivar embalagens, peças de propaganda, fotos, documentos históricos, livros etcs. E, principalmente, prestar consultoria às novas campanhas de marketing da empresa. Alertá-los para slogans, garotas-propaganda, sabores, aromas e estratégias já usados.

Como éramos subordinados ao Marketing, embora fôssemos terceirizados, tínhamos um crachá com chip que nos dava acesso “ao sétimo andar”. Este ocupava um nível inteiro, uma ampla sala recortada por biombos baixos, com umas 100 pessoas e seus respectivos computadores espreitando-se (e contra-espionando-se) no mesmo ambiente. O principal motivo que tínhamos para ir “ao sétimo andar” era ter acesso à máquina de café italiano, gratuito e livre, que eles tinham, e nós não. Era “de grátis”: café, latte macchiatto, cappuchino, expresso, chocolate quente, e chá. Naquelas maquininhas em que cada xícara custa uns 3 reais. Além disso, na copa tínhamos livre e farto acesso a produtos da Unilever para o “coffe break corporativo”: Ades, Becel, Doriana, pães, bolachas e sorvetes Kibon. Tudo à vontade, com fartura. Muito atraente. A princípio.

Aos poucos, pelo ano excedido que estagiei na Unilever fui percebendo a armadilha escondida sob tantas facilidades aparentes.

Nestes intervalos para o café, eu não podia deixar de reparar no naipe das mulheres que trabalhavam “no sétimo andar”. Todas lindas, magras e malhadas, trajando tailleurs, em cima do salto, maquiadas, com escova e manicure impecáveis. Isso me parecia ótimo até que num certo dia vi duas dessas Barbies corporativas a conversar. Uma delas deu um amplo bocejo. A outra perguntou se ela estava cansada, e obteve como resposta:

- Nossa, estou MUITO cansada. Saí da academia às 22 hs, terminei meu relatório meia-noite e hoje acordei às 5 e meia pra fazer chapinha.

Imediatamente pensei “coitada...” e percebi o preço de se estar sempre em cima do salto. Eu simplesmente JAMAIS acordaria um só minuto mais cedo para ajeitar meus cabelos. JAMAIS me torturaria com saltos altos diariamente durante todo o expediente. JAMAIS encararia o “ir para a academia” como uma exigência para “estar bem no trabalho”. JAMAIS prescindiria de um só minuto de meus momentos de lazer pensando no trabalho, fazendo trabalho voluntário (pois é uma hora-extra não paga) para uma empresa multi-nacional.

Outro detalhe que percebi é que, embora o coffe break fosse “boca livre”, sem tempo determinado, os engravatados e as alisadas do Marketing não perdiam mais do que 5 minutos na copa, rapidamente retornando aos seus postos de trabalho, pois estavam diretamente sob o olhar do chefe. E com o temor eterno de serem rifados na primeira contenção de gastos sob a desculpa de que “gastavam muito tempo no cafezinho”. Não só os chefes fiscalizavam a duração do café de seus subordinados, mas os colegas fiscalizavam-se entre si, numa tensão competitiva latente e muda, plena de olhares enviezados e comentários “à boca pequena”

Vi claramente que eu não desejava eternamente trabalhar num covil de lobos, ou num ninho de serpentes. Que eu não era o tipo de pessoa que cultiva as aparências, que se esmera em marketing pessoal, que alisa o saco do chefe, que procura demonstrar que “veste a camisa da empresa”, adequada para triunfar no ambiente corporativo.

No “alisar o saco do chefe” cabe relatar outro fato ocorrido neste ínterim. Quando eu já estava há muitos meses trabalhando na Unilever, minha chefe Rosimeire recepcionou uma “colega de trabalho”, S, que já chegava em paridade com ela, e com a melhor das referências: era amiga antiga duma das sócias-proprietárias da Grifo. Rosimeire, que era muito eficiente, ensinou a S seu ofício. S nunca foi eficiente, era bastante perdida, não sabia mexer nos computadores, chegava sempre atrasada, não demonstrava o comprometimento com o trabalho, nem a postura, que se espera dum “chefe”. Apesar de tudo isso, e de Rosimeire ser gritantemente mais competente que S, após alguns meses, quando a dona da Grifo achou que Rosimeire já teria ensinado todo o necessário a S, Rosimeire foi simples e sumariamente demitida, sem nenhuma explicação do “motivo”. Só então soube que treinara sua substituta. E que, apesar de incompetente, ficaria com seu posto de trabalho pois tinha “Q.I.”, “quem a indicasse”, ou “as costas quentes”.

Depois disso percebi que a “eficiência do empregado” não era levada em conta para fins de demissão. E parei de me esforçar, pois percebi que ainda que o fizesse, o esforço seria vão, caso eu não me sujeitasse a puxar muitos sacos, dar muitos sorrisos falsos e cultivar uma “aparência de pessoa eficiente e bem-sucedida”. Sobretudo, trabalhando para uma multi-nacional, eu me sentia contribuindo para uma pirâmide financeira global, contribuindo num grande esquema de estelionato que, mais cedo ou mais tarde, haveria de cair. E que esta dívida (o contribuir com este esquema) me seria cobrada um dia. Eu não me sentia bem ajudando a promover o Capitalismo. Nunca senti que ali fosse o meu lugar.

Dar aulas na rede pública traz imensos desafios, e nem de perto remunera como o setor corporativo. Mas pelo menos não me traz uma constante consciência culpada de contribuir para a ereção de uma ilusão perniciosa, que vampiriza e faz falir a “economia real”, regional, nacional, que gera empregos de verdade, para gente que sua na linha de montagem, não na academia de ginástica.

Ainda que eu ganhasse o dobro, ou triplo, num “emprego de escritório”, não estou disposta a pagar o preço que me será cobrado seguramente um dia, nesse plano ou no outro, por participar de toda essa ilusão, desse esquema capitalista desumano.

Creio que um dia terei que responder por cada centavo que ganhei arrancado da mais-valia dos operários da Unilever. Pelo menos minha parcela será muitíssimo menor que a dos engravatados e das alisadas. Desta empresa e de outras.


"13 going on 30"


"The Devil wears Prada"


"Resident Evil"

sábado, 16 de julho de 2011

Das Relatividades

Por “Relatividade”, assim, com érre maiúsculo, humanos esclarecidos compreendem uma alusão à “Teoria da Relatividade Geral” proposta por Albert Einstein, que demoliu o universo copernicano.

Até o Renascimento o Ocidente compreendia o Universo como uma cebola, cujo miolo seria a Terra, e em cujas esferas superiores circulariam as estrelas e o “Céu”. O nome científico para isso seria o Geocentrismo, a noção de que a Terra seria o centro do Universo.

Então veio Nicolau Copérnico e apresentou o Heliocentrismo, a noção de que não a Terra, mas o Sol seria o centro do Universo. Como tudo, ambas as noções são historicamente determinadas. O Geocentrismo pelo paradigma teológico de sua época. E o Heliocentrismo pelas possibilidades científico-tecnológicas de então.

Albert Einstein foi capaz de transcender os limites tecnológicos de sua época. Propôs teoricamente algo que, em seu tempo, não fôra até então observado. Inclusive, após a proposição de sua teoria, houve uma corrida de astrônomos atrás de um bom registro fotográfico de um eclipse solar, que poderia confirmar, ou cabalmente descartar, a proposição até então estritamente teórica de Einstein, de que a gravidade deforma o tecido do tempo-espaço. Que não são separados, mas manifestações de um mesmo continuum, percebido de 2 formas diferentes em nosso Universo tridimensional.

Se eu sou capaz de criar uma imagem que ilustre rapidamente uma implicação prática e observável da Relatividade Geral de Einstein, aqui vai: ela professa que o transcorrer com compasso espaço-temporal é relativo à velocidade e às forças gravitacionais à qual o observador está submetido. Tomemos como exemplo um astronauta que orbita a Terra. Em relação a nós, ele está acelerado a uma velocidade superior, portanto, o tempo para ele transcorre num compasso mais lento. Se antes de ir ao espaço ele sincronizou seu relógio de pulso com alguém que permaneceu na Terra em seu retorno, necessariamente, o relógio do astronauta marcará alguns segundos ou minutos a menos que o de quem permaneceu preso à Terra. E quanto maior foi o tempo da viagem espacial, maior será a discrepância entre os mostradores. Para fins práticos, todo astronauta viaja algumas frações de segundo para o Futuro ao (pelo menos parcialmente) desprender-se das amarras da gravidade terrestre.

Porém a Relatividade não é uma Lei apenas Física, mas verdadeiramente Universal, em todos os níveis da experiência observável humana. Pretendo explorar alguns exemplos variados a seguir.

1 – Luminosidade.

O que é o “claro” e o “escuro”? Depende da abertura de nosso diafragma ocular. Se vc esta num ambiente à plena luz e entra num quarto escuro, imediatamente vc nada vê, fica completamente cego. Porém, alguns segundos depois seus olhos calibram melhor o diafragma e vc começa a enxergar, mesmo que a ausência de luminosidade não se altere.

2 – Do paladar.

Numa festa de aniversário, já te serviram bolo com refrigerante? Isso não é horrível?!

Isso é horrível pela Lei Universal da Relatividade. Refrigerante, doce, é bom para acompanhar comidas salgadas pois há um contraste atraente entre ambos os sabores. Porém o bolo é mais doce que o refrigerante. E ao beber um gole de refrigerante depois de mastigar um pedaço de doce, o refrigerante não nos parece mais doce, e sim amargo. Pois comparadas as duas “doçuras”, o refrigerante perde.

3 – Da beleza.

Venho por meio desta confessar um “guilty pleasure” do qual me arrependerei. “Guilty pleasure” é um “prazer culposo”, algo do que vc gosta mais sabe que é ruim. Confesso. Não me orgulho, não recomendo, mas confesso: assisto ao programa “Keeping up with the Kardashians” e a seus desdobramentos “Kourtney & Khloe take Miami”, “Khloe and Lamar” e “Kourtey & Kim take New York” no E!, Entertainment Television. São reality shows que mostram o cotidiano dessa família, famosa por conta da exposição de Kim.

Para quem não faz parte do meu Universo, um breve resumo. Os anos 2.000 viram florescer a tendência dos “Reality Shows”. Começamos com o Big Brother, e de repente o voyerismo assumiu o controle da TV. Figuras secundárias deste fenômeno são os paparazzi. Paparazzo em italiano significa “mosquito”. Este termo foi aplicado, creio que por Fellini, para referir-se aos fotógrafos de celebridades que incomodam como mosquitos aos famosos, ou não, que perseguem.

Não foi apenas nos anos 2000 que soubemos deles. Em 1997 muito foi alardeada a possibilidade de ter sido um paparazzo, num Fiat azul, o causador do acidente que matou Lady Diana Spencer.

Dentre várias celebridades incessantemente perseguidas, um dos melhores exemplos é o de Britney Spears. Enquanto adolescente, ela foi a “princesinha do Pop”. Ao atingir a maturidade, casar-se e tornar-se mãe, foi sucessiva e impiedosamente flagrada nas piores situações possíveis. Magra. Gorda. Com calcinha. Sem calcinha. Careca e cabeluda. Até agrediu com um guarda-chuvas um fotógrafo. Namorou outro. Chegou a ser flagrada dentro de uma ambulância, na Emergência do Hospital.

Em diversas ocasiões festivas, Britney foi fotografada ao lado de “It Girls” de Los Angeles, mas desconhecidas pelos “simples mortais” ao redor do mundo. Duas delas começaram a ser famosas apenas após flagradas na companhia festiva de Britney Spears: Paris Hilton e Kim Kardashian. E se transformaram imediatamente em duas “famosas” por serem “famosas”. Britney ao menos cantava (ainda que mal). Mas e Paris e Kim?

Pelo sobrenome pode-se fazer a ligação de Paris à cadeia de hotéis Hilton, da qual é herdeira. Kim é filha do famoso advogado de O. J. Simpson Robert Kardashian, e é enteada do atleta olímpico Bruce Jenner.

Para quem nunca viu Kim Kardashian, uma forma de imaginá-la é lembrar-se da princesa Jasmine do desenho “Alladin” da Disney. Porém Kimberly Kardashian é, fisicamente, o que a princesa Jasmine não é, em beleza, à décima potência. Nem um desenhista da Disney seria capaz de projetar, idealmente, uma beleza tão perfeita quanto a que Kim Kardashian tem, tangilmente. Nas palavras de Kelly Osbourne, comentarista do “Fasion Police on E!”: Kim Kardashian é a mais bela mulher que já pisou a face da Terra.

Sua beleza é simplesmente perfeita. Não apenas seu rosto é maravilhosamente bem calculado por algum sumo matemático, como seu corpo é maravilhosamente bem-torneado, com um derriére que de tão avantajado parece até artificialmente turbinado.

Pq qquer uma dessas observações é pertinente à Relatividade? Por conta de Kourtney Kardashian. Kourtney também é uma mulher maravilhosamente bela, com um corpo bem-feito. Quando apenas Kourtney aparece na tela, sua beleza nos atinge maravilhosamente.

Até que Kim apareça.

Embora Kourtney seja uma mulher belíssima, quando contraposta no mesmo frame a Kim, não há como, visualmente, perceber que na presença da irmã perfeita a beleza de Kourtney se apaga tanto quanto a doçura do refrigerante contraposta ao sabor do bolo.

Houvesse Kourtney nascido em qquer outra família, seria “a mais bonita das irmãs”. Porém teve a má sorte de receber como sua caçulinha “a mais bela mulher que já pisou a face da Terra” e diante disso, relativamente, jamais poderá considerar-se realmente bonita. Muito mais corpos gravitarão ao redor de Kim do que ao redor dela.

4 – Do progresso tecnológico.

Sinceramente, qquer ser humano que reclame da existência hj é um grande bunda-mole. O avanço tecnológico da Humanidade facilitou nossa existência de tantas maneiras que um viajante do tempo que chegasse hj vindo de 2 mil anos atrás ficaria rapidamente convencido que grande parte do que ele almejava por uma “vida paradisíaca”, nós já desfrutamos.

Alguns exemplos brasileiros.

Os pioneiros paulistas precisaram, por séculos, escalar manualmente a “Muralha”, a Serra do Mar que divide a Baixada Santista do Planalto Paulista. A árdua escalada durava dias ou até semanas. Hoje, num dia sem trânsito, chega-se de São Paulo a Santos em menos de meia hora, de carro, pela Rodovia dos Imigrantes. Também por séculos, para transportar a produção do planalto paulista ao porto de Santos, eram necessárias tropas de mulas e semanas de viagem. (Por isso foi escrito o livro “Rio Claro” de Warren Dean). Já adiantado o século XIX, algumas horas de viagem de trem. Hoje, de carro, da minha casa no coração do interior paulista, eu dobro apenas 4 esquinas e levo 2h15 para chegar à Marginal.

Duas palavras que transformaram o mundo: energia elétrica. Quantos poetas forçaram seus olhos para ler preciosos e raros livros à luz de velas? Hj todos nós temos à plena luz e à ponta dos dedos via Internet qquer livro que queiramos.

E ainda assim reclamamos.

Nunca nos daremos por satisfeitos pois todas as nossas noções de comparações são historicamente determinadas pelo que nos cerca. Um viajante do passado ficaria maravilhado com todas as nossas facilidades modernas. Nós, porém, acostumados a elas, não lhes damos valor, nem nos sentimos presenteados por termos a nossa vida tornada infinitamente mais fácil pela tecnologia.

Tenho a consciência de testemunhar um momento de transição histórica propiciado pelo avanço da tecnologia. A informática transformará completamente as relações humanas, e apenas engatinhamos nesse sentido.

Estamos saindo da vida analógica para a digital. Testemunhamos a transição para a realidade 2.0, para a Grande Revolução do Admirável Novo Mundo.

Valerá a pena a espera.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

De como perdi meu primeiro emprego

Recentemente vi-me numa conversa entre amigos pós-universitários sobre nossos primeiros empregos. Um fôra office boy, outro atendente numa loja, uma terceira, secretária de uma dentista. Uma quarta comentou, reflexivamente, que seu primeiro trabalho remunerado dera-se apenas depois de graduada. Outro, que nunca tivera assim, propriamente, um emprego, apenas mesadas familiares e bolsas de estudo governamentais.


Percebi que dentre todos eu fôra a mais jovem a exercer atividade trabalhista regular e remunerada. Normalmente crê-se, ao menos no Brasil que quanto mais é postergado o momento de ingresso no eito, mais, em acepção espanhola, experto e preparado é entregue ao mercado de trabalho o cidadão. Discordo em todos os graus. Creio que quanto mais tardio o contato com o “trabalho”, menos disposto estará o cidadão em efetivamente “trabalhar”. Como se diz em minha terra, é de menino que se torce o pepino.


E que não distorçam-me lendo nisto apologia ao trabalho infantil. Mesmo que o próprio conceito de “infância” seja questionável, pronuncio-me aqui apenas a respeito de pessoas legalmente cônscias, excedidas a 14 anos.


O quê são os 14 anos? No Brasil, a idade mínima para o consentimento sexual. Certa vez expliquei a meus alunos:


- Se uma menina de 14 anos “transa” com seu namorado de 13 anos ela pode ser enquadrada como delinqüente no artigo de “estupro de vulnerável”, condenada e mandada para a FEBEM – Fundação CASA, cumprindo de 6 meses a 3 anos de “medida sócio-educativa de internação”.


Embora improvável, isto seria perfeitamente legal. Atualmente no Brasil a legislação prevê que a idade mínima para o trabalho são os 16 anos. Quando eu mesma era adolescente, eram 14 anos e foi por conta disso que aos 15 anos pude ter meu primeiro emprego.


Vi uma faixa no McDonald’s da avenida Anhanhia Mello, da janela do ônibus: “Estamos recebendo currículos”. Fui com meus colegas do colégio Chico e Romeu entregá-los e participar da entrevista. Como sou meio “outspoken”, o que seria meio-traduzido por algo entre faladeira e articulada, fui selecionada e eles não.


Para qquer menina brasileira de classe média-baixa é um orgulho ser recrutada para trabalhar no McDonald’s, um ícone multinacional.


Eu trabalharia no “restaurante” Anália Franco Drive, que seria brevemente inaugurado em frente ao canteiro de obras do então futuro Shopping Anália Franco, no canto milionário do Tatuapé, a 2 quilômetros da vila operária em que eu residia em casa alugada.


Meu treinamento deu-se na loja à rua Serra de Bragança, onde eu já comera muitíssimas vezes, próxima à praça Sílvio Romero, coração do Tatuapé. Lá aprendi o ofício. Orgulhosamente uniformizada, decorei até a temperatura em que cada hambúrguer deveria ser grelhado. Selecionada com o perfil de atendente “de salão”, e bilíngüe, lidava com os clientes e pouco trabalhei diretamente na cozinha.


Ao final do treinamento, fomos avaliados e recebemos notas de 0 a 100. Essas notas foram divulgadas numa reunião. Sem que eu me surpreendesse, obtive a maior nota, 97. Recebi então um adesivo de alguém segurando uma bandeja em meu crachá e um pin, ou bottom, exclusivo, para atachar ao meu uniforme.


Na semana seguinte inauguramos o AFD e havia um espaço em branco na parede assinalado pela placa “funcionário do mês”. Ora, sem modéstia, obviamente concluí que em breve estaria lá minha foto num sorriso exultante, afinal eu fora a que mais exemplarmente concluíra o treinamento.


Rsrsrs... Como eu era boba com 15 anos.


Cheguei num dia seguinte e vi, no espaço vazio, a foto de uma loirinha bonitinha num sorriso tolo assinalada como “Joyce”. Joyce fôra a segunda colocada na avaliação, com 96 pontos. Tinha eu 15 anos e senti coçar-me os brios, o que urgi em comentar em voz alta, publicamente, no refeitório:


- Como assim, a Joyce é a “funcionária do mês”?! Fui eu que recebi o pin! Fui eu a com a melhor nota! Por quê ela? Por que ela é loira? Por que ela é simpática? Por que ela é bonita?


Explicaram-se depois à boca pequena:


- É porque ela é do Drive. Já me disseram que é comum que os funcionários que atendem ao Drive Thru sejam privilegiados.


Compreendi então que no mercado de trabalho muito mais importante que a capacidade eram as coligações políticas: o lugar certo, o sorriso certo, a saudação certa na hora certa. E que mesmo que meu trabalho fosse melhor, o Drive Thru era politicamente mais importante. E também que a loirice de Joyce era mais plástica que minha latinidade.


Eu tinha 15 anos e não engoli isso a seco, não sem lutar. Por isso sei exatamente o motivo pelo qual fui rapidamente demitida. Na semana seguinte estava eu recolhendo o lixo do salão externo. Vindo do salão interno, outro atendente meu colega abordou-me para perguntar:


- Vc viu o Orlando?


Orlando era nosso sub-gerente, subordinado ao todo-todo meu xará Fernando. Não contive, em minha adolescência, minha língua coçando numa insinuação maldosa, amarga e pretensamente espirituosa:


- Não vi o Orlando. Deve estar por aí puxando o saco do Fernando.


Meu colega atendente retornou à cozinha e eu reenfoquei-me no meu serviço. 3 minutos depois vi descer pela escada do andar superior não só o sub-chefe Orlando, mas também o mega-chefe-xará Fernando. E enquanto desciam as escadas, dirigiram-se um após o outro certo olhar fulminante.


Como fôra "um certo olhar" e não "um olhar certeiro", torturou-me por 3 dias a dúvida: “Será que eles ouviram, do andar de cima, aquela frase despretensiosa, e cria eu, sem conseqüências, que eu soltara sem pensar, especialmente que mais alguém ouviria?


No terceiro dia tive a resposta. Ouviram-me.


Chamou-me outra sub-chefe, oxigenada. E a outra atendente da minha “turma”, Karina SS. Disse entre robótica e contrita: “Então, este restaurante não teve o movimento esperado e vamos ter que dispensar vcs duas.”


Fiquei completamente chocada. Achei que talvez eu fosse levar um pito, ser advertida, chamada para uma conversa. Nunca, sumariamente, demitida. Então caiu a ficha de uma frase que eu já ouvira muitas vezes: que eu tinha uma “língua de trapo” ou “de sapo”.


Até então eu achava que a veracidade, autenticidade e sinceridade eram virtudes. Quando, por conta delas, perdi meu primeiro emprego, percebi que estes podem ser defeitos, dependendo do mundo em que se vive. No McDonald’s, com certeza veracidade, autenticidade e sinceridade são defeitos e a superficialidade, cegueira e mudez são virtudes. E não só nesta multinacional, mas em qquer empresa que aglomere muitas pessoas, especialmente mulheres.


Ganhava eu então, em 1998, R$1,46 a hora. O que devia dar algo como US$ 0,60 por hora. Pensem o que quiserem, orgulhava-me eu de ganhar, aos 15 anos, com o suor do meu rosto, meu dinheirinho para minhas coisas adolescentes. CD’s, sessões de cinema, revistas, roupas, refrigerantes.


Assim, com minha primeira demissão, comecei a aprender a ser hipócrita e a não dizer abertamente o que penso. E também que, mais importante que a efetiva capacidade de trabalho, eram as relações pessoais. Quisera eu já ter-me conformado e aprendido tudo isso, mas minha língua cotidianamente coça, e não consigo controlá-la, comprometendo-me socialmente, ainda hoje, com isso. Triste.


Não que eu tenha a língua solta, mas que a sinceridade seja, em nosso mundo, defeito.


Da palavra não dita és senhor. Da palavra dita és escravo” - Abraham Benson.


Portanto, se os leitores querem um conselho que seguramente não vão seguir, mas sobre o qual deveriam ao menos pensar: aprendam a controlar a própria língua e a não falar tudo o quê pensam. E, especificamente, além do falar, publicar na Internet. Isto torna imprescritível cada pequeno deslize. Todos devemos preocupar-nos com isso.


Ditado popular: Deus nos deu dois ouvidos e uma boca para ouvirmos o dobro do que falamos.


Outro: em boca fechada não entra mosca. Mais um: quem fala o quê quer ouve o quê não quer. Feqüentemente negligenciamos tolamente a sabedoria que os "ditos populares" nos legam.


A Internet ecoará pela Eternidade. Permita Deus. Um dia meus netos agradecerão ao Dr. Orkut e aos Srs. Facebook a oportunidade de conhecer-me, em toda a minha inconseqüente, adolescente, espontânea, irrefletida, específica, latino-americana à paulista, autenticidade avacinada. :) Ou nos amaldiçoarão, caso eu mesma macule meu nome. Como disse recentemente Bernie Madoff: o sobrenome de sua descendência foi maculado. Permita minha recentemente nascida prudência que eu não incorra neste pesar.

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