sábado, 21 de janeiro de 2017
Dezessete e Trinta e Quatro, Trinta e Quatro e Cinquenta.
sábado, 24 de setembro de 2016
Nome de personagem ecológico
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Dez conselhos que a Fernanda de 34 anos daria pra Fernanda de14 anos
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Acreditar em um "falso messias" viola algum mandamento?
Este é um texto genérico, não se refere especificamente a nenhuma vertente religiosa.
A palavra "Massiach" (Messias) não consta da Torah.
Há porém duas passagens um pouco contraditórias a respeito de "profetas como Moisés" a vir no futuro, vejamos.
Dt 18:
15 O Eterno seu D'us fará surgir, dentre seus irmãos, um profeta como eu em seu meio, e vocês o ouvirão. 16 Foi o que você pediu aO Eterno seu D'us, no Horeb, no dia da assembléia: ‘Não quero continuar ouvindo a voz dO Eterno meu D'us, nem quero ver mais este fogo terrível, para não morrer’. 17 O Eterno me disse: ‘Eles têm razão. 18 Do meio dos irmãos deles, eu farei surgir para eles um profeta como você. Vou colocar minhas palavras em sua boca, e ele dirá para eles tudo o que eu lhe mandar. 19 Se alguém não ouvir as minhas palavras, que esse profeta pronunciar em meu nome, eu mesmo pedirei contas a essa pessoa. 20 Contudo, se o profeta tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que eu não tenha mandado, ou se ele falar em nome de outros deuses, tal profeta deverá ser morto’.
21 Talvez você se pergunte: ‘Como vamos distinguir se uma palavra não é palavra dO Eterno?’ 22 Se o profeta fala em nome dO Eterno, mas a palavra não se cumpre e não se realiza, trata-se então de uma palavra que O Eterno não disse. Tal profeta falou com presunção. Não tenha medo dele.
Nesta passagem, Moshe Rabeinu afirma que O Eterno lhe disse que, no futuro, faria surgir no povo de Israel "um profeta como ele". Note: um profeta como Moisés, que não era o Messias. Porém outra passagem, que finaliza a Torah, afirma algo que aparentemente contradiz isso, vejam:
Dt 34:
10 Em Israel nunca mais surgiu outro profeta como Moisés, a quem O Eterno conhecia face a face. 11 Ninguém o igualou em todos os sinais e prodígios que O Eterno o mandou realizar no Egito contra o Faraó, contra toda a sua corte e contra sua terra. 12 Ninguém se igualou a Moisés na mão forte e em todos os feitos grandiosos e terríveis que ele realizou aos olhos de todo o Israel.
E sobre o advento de "novos profetas", a Torah também diz:
Dt 13:
2 Quando no meio de vocês aparecer algum profeta ou intérprete de sonhos e apresentar a você um sinal ou prodígio - 3 se esse sinal ou prodígio que ele anunciou se realiza e ele convida você: ‘Vamos seguir outros deuses (que você não conheceu) e vamos adorá-los’ - 4 não dê ouvidos a esse profeta ou intérprete de sonhos. Trata-se de uma prova com que O Eterno seu D'us experimenta vocês, para saber se vocês de fato amam aO Eterno seu D'us com todo o coração e com todo o ser. 5 Sigam ao Eterno seu D'us e a ele temam; observem seus mandamentos e lhe obedeçam; sirvam a ele, e a ele se apeguem. 6 Quanto ao profeta ou intérprete de sonhos, deverá ser morto, porque propôs uma revolta contra O Eterno seu D'us, que tirou vocês do Egito e os resgatou da casa da escravidão, e porque procurou afastar você do caminho pelo qual O Eterno seu D'us havia mandado seguir. Desse modo, você estará eliminando o mal do seu meio.
Dessas passagens podemos concluir:
1 - Se algum dia virá "um profeta como Moisés", há dúvidas. Pois tanto se afirma que um dia haverá (Dt 18:18), como também que "nunca mais em Israel houve um profeta como Moisés". (Dt 34:10).
2 - Se o profeta for verdadeiro e as pessoas não crerem nele, não há punição prescrita, apenas esta sentença:
Dt 18: 19 Se alguém não ouvir as minhas palavras, que esse profeta pronunciar em meu nome, eu mesmo pedirei contas a essa pessoa.
3 - Se o profeta for falso e as pessoas crerem nele, e ele incitar as pessoas à idolatria, a Torah não especifica nenhuma punição aos fiéis "desviados", apenas ao falso profeta, que incite os demais à idolatria (Dt 13:6).
Tudo isto posto, perguntamos:
1 - Acreditar em um "falso messias" que não incite as pessoas à idolatria viola qual mandamento?
2 - Há alguma punição para quem acreditar em um falso messias que incite as pessoas à idolatria?
3 - O Eterno diz em Dt 13:4 que coloca à prova seus fiéis com o advento de "falsos profetas" e afirma a seguir que o importante é se apegar a D'us e seguir seus mandamentos (Dt 13:5). Assim sendo "ficar procurando um Messias" ou "novos profetas" não seria perigoso, e a postura mais segura não é simplesmente se concentrar em seguir as Leis da Torah?
4 - Precisamos mesmo ficar ansiosamente perscrutando, desesperadamente procurando indícios de última hora de "quando virá o Messias"? Afinal, quando ele chegar, não instaurará a Era Messiânica e todos saberemos então, sem sombra de dúvida, que ele veio?
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sábado, 2 de novembro de 2013
Saudades Eternas
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Do Escapismo
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Vou-me embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira
sábado, 17 de agosto de 2013
Como melhorar a qualidade dos seus sonhos
terça-feira, 18 de junho de 2013
De Jarson Brenner
sábado, 20 de abril de 2013
De Orlando Nunes
O conheci em 2005, na comunidade Perguntas Cristãs Complexas. Era uma comunidade do Orkut de debates religiosos que se distinguia por sua proposta democrática, variedade de participantes, pluralidade e pelo elevado nível dos debates. Mais do que tudo, era um espaço único, no qual pessoas de diferentes credos podiam interagir, comparar seus dogmas, ver os pontos fracos e fortes de cada vertente teológica.
Os debates eram muito variados. Desde temas do "dia a dia" como sexo, vestuário, alimentação, comportamento e política, até pequenas abstrações filosóficas impalpáveis, mas teologicamente essenciais.
Nessa época eu me classificava como "espírita kardecista". Ainda o digo quando perguntada por alunos. Foi no período de amadurecimento teológico durante o qual participei desta comunidade que me descobri Noachide. Na comunidade, ao assim começar a me dizer, os membros entendiam a o que eu me referia. Seu eu me declarar "filha de Noé" aos meus alunos, seria muito difícil fazê-los entender do que tal se trata. E o Noachidismo pode nem ser considerado uma "religião", mas uma derivação do Judaísmo.
Orlando Nunes era calvinista. Protestante histórico seguidor de João Calvino, o célebre reformador franco-suíço. Se destacava por ser, ou aparentar ser, uma pessoa madura, equilibrada, pluralista, e de profundo conhecimento teológico. Por sua postura sempre ilibada, todos os membros lhe dedicavam o mais alto respeito, eu inclusa. Até o admirava por sua seriedade e simpatia.
Ainda na PCComplexas tivemos alguns debates memoráveis. Um ponto que exploramos até a exaustão foi se, ao ser suspenso no madeiro (a cruz) o corpo de Jesus se tornou maldito, conforme:
Deuteronômio 21:
22 Se um homem sentenciado à pena de morte, for executado e suspenso a uma árvore, 23 seu cadáver não poderá permanecer na árvore durante a noite. Você deverá sepultá-lo no mesmo dia, pois quem é suspenso torna-se um maldito de HaShem. Desse modo, você não tornará impuro o solo que o eterno seu D'us lhe dará como herança.
Gálatas 3:
13 Cristo nos resgatou da maldição da Lei, tornando-se ele próprio maldição por nós, como diz a Escritura: «Maldito seja todo aquele que for suspenso no madeiro.»
Orlando simplesmente não podia conceber a idéia de seu deus e messias ter se tornado maldito ao morrer. E, tecnicamente, Jesus foi suspenso num madeiro ao ser crucificado, tornando-se, assim "maldito" de acordo com as Escrituras, o que para ele era uma interpretação herética. Podia ser blasfema para ele, mas essa acepção tem amplo respaldo, com duplo testemunho, na Bíblia que ele próprio considerava sagrada. Também debatemos, provavelmente por meses, a questão do livre arbítrio, que os calvinistas negam existir, e que é fundamental para 90% das outras vertentes cristãs.
Debatíamos, discordávamos, refutávamos um ao outro. E ambos tirávamos grande prazer disso. Tudo ia muito bem até que o "clima político" da PCCplex foi pesando por diversas efemérides, mas especialmente por a proposta de "Democracia plena" não se concretizar, e algumas atitudes questionáveis do grupo de moderadores.
A coisa foi crescendo a um ponto que muitos dos membros "chave" pensavam em debandar em protesto. Nesta circunstância, Orlando Nunes me mandou um e-mail com uma proposta muito interessante: a de fundarmos nosso próprio espaço, convidando os dissidentes, uma nova comunidade de Perguntas Cristãs, essa sim democrática, aberta, plural e transparente.
Incluímos nesta troca de e-mails tb ao grande amigo que fizemos na PCX Alex "Aleph" de Paula, cristão evangélico neopentecostal da Assembléia de Deus. E Aleph prontamente aderiu ao projeto. Detalhe bastante significativo é que tanto Orlando Nunes como Aleph são pastores evangélicos certificados, ainda que não o exerçam. E ambos me viam em nível de igualdade com eles para dar início a um projeto, para nós, tão importante. Nem posso dizer como me senti honrada, em minha pequenez cheia de defeitos, de que pessoas com tão alto prestígio no "meio religioso" tanto virtual como físico, me vendo como "no mesmo nível" deles!
Tb convidamos para ser membro fundador conosco ao biólogo, naturista, defensor dos Direitos Humanos, budista e jedi Arthur "Dogbert" Golgo Lucas, mas por uma série de desencontros virtuais, ele se tornou membro, mas não com tanta participação.
Nas conversas por e-mail entre mim, Orlando Nunes e Aleph foi decidido que "reciclaríamos" uma comunidade quase inativa do Orlando Nunes, a "Cristianismo Puro e Simples", a rebatizaríamos de "Religião & Vida", promulgaríamos regras democráticas (a parte de criar esta legislação ficou, com muito gosto, na minha responsabilidade), convidaríamos os membros da PCC-plex e de outras comunidades de debate religioso, fazendo da nossa comunidade o que a PCComplexas deveria ter sido.
No começo, foi tudo muito bem. A comunidade bombou. Muitos membros de outras comunidades além da PCComplexas aderiram e participavam ativamente da nossa. Nessa época, eu já trabalhava, e não podia mais, como antes, dar longos plantões nos debates de que tanto gostava. Mas diversos tópicos interessantes pululavam em comentários. Rapidamente a comunidade ultrapassou mil membros. Até moderadores que haviam motivado nossa saída da PCX "faziam as honras" de ir até nossa comunidade para debater conosco. Na nossa comunidade, as regras que eu elaborara e colocara em votação protegiam a liberdade de expressão de todos muito melhor que as regras da PCX que nos haviam feito sair de lá.
Ainda nessa época em que tudo eram flores, eu estive em São Paulo, e conversei com o Orlando para nos encontrarmos pessoalmente. Falei com ele ao telefone, combinamos de finalmente nos conhecer no Conjunto Nacional, na esquina da Avenida Paulista com a rua Augusta. Perto da hora acertada fui a um Cyber Café, só para "dar um tempo" e vi uma mensagem sua com alguma desculpa ou justificativa de que ele não poderia ir. Isso deveria ter levantado um sinal de alerta, mas não o percebi. O coloquei na conta dos "bolos comuns" que as pessoas nos dão por conta de algum "imprevisto", e não mais me preocupei a respeito. Deveria.
Tudo continuou a ir muito bem na comunidade... Até que... Começaram a surgir os problemas. Orlando começou a demonstrar incômodo com o teor e o rumo "liberal", "blasfemo" ou "não edificante" (no seu ver) dos debates. Começou a criticar os demais moderadores e a querer "mandar mais" que eu e o Aleph. Com nossos protestos, Orlando tirou da manga o trunfo que jamais pensei que tinha guardado: que ele era o "dono" anterior da comunidade, portanto, ela lhe pertencia mais do que a nós.
Debatemos isso num tópico. Sabendo que ele estava a usar um argumento falacioso, copiei e colei os trechos dos e-mails que trocamos combinando os termos da fundação da R&V. E ressaltei em negrito todas as vezes que ele colocou, por escrito, "NOSSA comunidade". E lhe disse: "se em cada vez que vc escreveu NOSSA COMUNIDADE vc tivesse escrito MINHA COMUNIDADE, eu não teria aderido ao seu projeto."
Ao invés de perceber seu erro, ele ficou "ofendidinho" por eu estar divulgando o teor dos e-mails que havíamos trocado. Logo o Aleph renunciou ao seu posto de moderador. Em solidariedade a ele e por já estar bem de saco cheio de tudo aquilo, muito frustrada e me sentindo lograda, tb renunciei, no mesmo dia. Orlando manifestou estar se sentindo traído.
Depois disso meio que "larguei mão" e não ia mais todo dia lá debater, apenas dava uma "conferida no fórum" esporádica, sem me engajar muito. Depois de um tempo, não sei bem como ou pq o próprio Orlando renunciou a prosseguir moderando "nosso/seu" grupo, repassando-o a outros moderadores. Por vários meses assim ficou a comunidade.
Até que... Sumiu!
Demorou para cair a ficha. Por algumas semanas, eu entrava no Orkut, acessava o link dos favoritos da R&V e ele simplesmente não abria. Eu tinha certeza que era algum erro temporário até que entrei em contato com Jarson Brenner e ele me disse o que havia acontecido. Inadvertidamente Orlando Nunes havia, não sei tecnicamente como, reativado sua condição de "dono" da R&V e simplesmente a DELETADO. Sem explicação, sem justificativa, sem saída, sem registro. Por debaixo dos panos, ele havia desaparecido sumariamente com uma comunidade muito ativa, deixando órfãos, perdidos e desnorteados seus mais de mil membros. Que nome se dá a isso?
Me falaram que o Orlando provavelmente tencionava se tornar um "líder religioso" e fazer da R&V "sua congregação virtual ", na qual ele arregimentaria adeptos para sua visão teológica. E quando viu falhar o projeto de fazer dessa comunidade seu "trampolim" para construir um bom nome no meio religioso, decidiu, sumariamente, deletá-la, sem nenhum respeito aos membros ativos e aos membros fundadores, que tantas horas e tanta dedicação haviam destinado a esta comunidade virtual.
Nem sei se consigo adjetivar de forma justa este ato, nem como ele me surpreendeu da pior forma possível. Por todos os anos de convivência com Orlando, pelo tanto que eu o respeitava e achava que o conhecia, e pelo próprio discurso que ele fizera quando da fundação da comunidade, nenhum de nós suspeitava que ele seria capaz de um ato tão baixo, tão vil. Eu não havia jamais visto nenhum "sinal de alerta" de que ele seria capaz de nos dar uma rasteira tão inesperada.
Orlando Nunes foi a pior decepção que já tive na Internet.
De certa forma, ter uma boa memória pode ser considerado uma maldição...
Lara Fabian - Love by Grace http://youtu.be/Kjqa_Csf29Q
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sábado, 6 de abril de 2013
De Guedes
Era 1998. Eu tinha 15 anos e acabara de entrar no Ensino Médio. Estudava na EE Prof. José Marques da Cruz, na Vila Formosa, zona Leste de São Paulo, capital.
Na oitava série, eu completara o Ensino Fundamental ao lado de meus até hoje muito amigos Maristela, Romeu, Gisele e Thaís. Na passagem para o Colegial, Thaís e Gisele se matricularam em outras escolas, mas Romeu e Maristela se matricularam no "Jomacruz" junto comigo, e caímos na mesma sala. Rapidamente nosso "trio parada dura" virou um "quarteto fantástico" com a adição de Francisco Eduardo, o "Chico" ou, para mim, "Chicote".
Em nossa sala de aula havia pelo menos outros 30 alunos, e um deles demonstrava profundo interesse em se tornar o "quinto elemento" do nosso quarteto: TGO, adiante denominado "Guedes", seu apelido, pelo qual já o chamávamos à época.
Os 2 membros masculinos de nosso grupitcho são homossexuais, e embora à época fossem um tanto "jovens demais" para fazer uma corajosa "saída do armário", já era perceptível, e nenhum dos dois disfarçava, que "aquela Coca era Fanta". Também o Guedes era homossexual, mas bem mais afetado que os dois: era, desculpem-me a expressão, uma "bichona", bem efeminada.
Mas, surpreendentemente, seu alvo de interesse em nosso grupo não era nem Chico nem Romeu, mas eu. Não fosse o Guedes gay, eu pensaria que ele estaria com alguma paixonite por mim. E até me perguntaram isso certa vez, ao que respondi:
- O Guedes não quer namorar comigo, ele quer SER EU.
Ele me imitava, adulava, babava meu ovo, ria de tudo o que eu falava, e também o levava tudo muito a sério, puxava meu saco, até um ponto que chegava a ser irritante. Essa sua subserviência me incomodava. Era chato falar as coisas sabendo que ele não as analisaria, simplesmente as aplaudiria, nunca discordaria de mim, nem me enfrentaria, em nada. Não era isso, definitivamente, o que eu procurava em um amigo. Eu procurava pessoas "firmeza", interessantes, com personalidade. E Guedes era um "Maria vai com a Fernanda", que nada me acrescentava.
Eu tinha 15 anos e a maturidade psicológica de uma ervilha, e não me orgulho hoje do que relatarei a seguir.
Percebi que eu poderia "me aproveitar" do "rabinho sempre abanando" deste candidato a amigo. Então lhe disse: "tá bom, se vc quer ser meu amigo, então de hoje em diante vc vai carregar minha mochila e meu material." E ele aquiesceu com um sorriso, como se tivesse sido promovido a minha "dama de companhia". E por várias semanas eu tive um courier, sempre a postos para carregar minhas coisas.
Até que o Guedes fez ou falou alguma coisa que eu não gostei, não lembro exatamente qual foi o motivo, e eu decidi que não queria mais amizade com ele. Mas ele continuou a insistir que queria ser "readmitido" no grupo. Conforme ele não cansava de apelar a Maty, Romeu e Chico, resolvi fazer o seguinte: estipular condições que ele não aceitaria pro prosseguimento de nossa amizade. À época já fumávamos, todos, e eu impus como condição: para falar comigo, ele teria que me entregar toda segunda feira um maço de cigarros, o que garantiria que eu falasse com ele durante a semana.
Eu achava que ele ia rir e falar "de jeito nenhum", finalizando a questão. Mas para minha grande surpresa ele topou, e por algumas semanas eu não precisei mais me preocupar em comprar cigarros, pois o Guedes mos dava, em troca do simples prazer de poder falar comigo.
Eu o destratava, era irascível com ele, na esperança que ele se posicionasse: "estou farto, chega!" Mas não, ele alegremente me entregava um maço de cigarros toda semana e ainda solicitamente se oferecia para carregar meu material, o que só aumentava minha exasperação.
Então resolvi endurecer ainda mais "as condições" para eu "me dignar a dirigir-lhe a palavra": um maço de cigarro não bastava, daquele dia em diante, eu queria semanalmente um maço de cigarro mais 10 reais. E em 1998 R$10,00 era muito mais do que "déis real" hoje...
Eu esperava que ele dissesse "No Way", mas mais uma vez, para meu assombro, ele aquiesceu. E eu simplesmente não acreditei quando na segunda feira seguinte, ele me entregou logo ao me ver à 6:55 da matina, o maço de Marlboro Lights mais uma nota novinha de "dez conto". Também disso desacreditaram Chico, Romeu e Maristela.
Nenhum deles comigo, por "minha amizade estar à venda", pois minha amizade nunca esteve à venda, mas com a absoluta falta de dignidade do Guedes em aceitar as condições absurdas que eu estipulava. Pois amizade, por definição, deve ser incondicional.
Provavelmente o Guedes achou que aqueles dez reais lhe garantiriam meus sorrisos e simpatia, o que não ocorreu: prossegui a desdenhá-lo. Ao final da terceira semana ele finalmente disse que estava farto, e não daria prosseguimento ao nosso "escambo" de afinidades. Fiz um "Ufa!" interno, pois se ele jamais tomasse uma posição, eu só prosseguiria em minha escalada de condições cada vez mais absurdas, e talvez na próxima semana eu passasse a lhe cobrar 20 reais mais o sagrado maço de cigarros.
Ele parou de me adular e de insistentemente tentar entrar em nosso grupo, e jamais vi qualquer outro motivo para readmiti-lo. Eu não via nele nenhuma "substância", "desafio", "personalidade" ou "doçura" que me fizesse querer me aproximar. Eu não via nele nada de "interessante", ou diferente. Eu não via nada que ele pudesse "me acrescentar". Eu nunca quis um "puxa-saco" nem um séquito, uma entourage, de aduladores. E era justamente esse papel que Guedes queria ter, o que muito me irritava. Não me importava que ele fosse gay, queria que ele fosse "homem", uma pessoa com dignidade e auto-respeito.
Sempre fui cheia de "marra" e personalidade, e de certa forma eu sentia que o Guedes me vampirizava, imitava meus trejeitos e gírias, elogiava tudo meu, emulava minha postura, como que planejando ser uma "versão drag" de mim... Ele me achava "o máximo" e, para mim, isso era um pecado mortal, pois nisso eu percebia que ele não me elogiava "de verdade", pois não importava o que eu fizesse, para ele era tudo maravilhoso.
Depois de me formar no terceiro colegial, nunca mais vi o Guedes, mas soube por amigos que o encontraram vez ou outra "na noite" e pelos dark rooms da vida, que após eu já estar bem adentrada no curso de História na USP, também o Guedes estava a fazer o curso de História, mas na UNG (Universidade de Guarulhos). Nunca pude tirar a dúvida se era simples coincidência, mas sinceramente creio que não. Acho que ele se matriculou em História apenas depois de saber, e apenas porque soube, que eu estava a fazer esta graduação.
Não sei se ele se formou, nem se hoje é professor como eu. Hoje me sinto um pouco culpada pela forma como o tratei. Vendo de hoje, percebo como foi completamente absurdo estabelecer condições para ser sua amiga. E como foi surreal que ele tenha "topado" isso. Sinto que talvez ele fosse um garoto muito perdido, e visse em nosso grupo o único que o aceitaria sem levar em conta sua sexualidade.
E nunca foi sua condição sexual que me incomodou: mas sim sua subserviência. Provavelmente ela fosse fruto de uma baixa auto-estima, e se eu tivesse naquela época minha cabeça de hoje, teria procedido de forma muito diferente a respeito dele.
Às vezes me pergunto como estará o Guedes hoje, inclusive me questionando se ele está vivo. Quando estávamos no colegial, ele era obeso. E depois, quando já ambos na graduação, soube pelos que o encontraram na "cena gay" que ele estava assustadoramente anoréxico, e provavelmente envolvido com químicos pesados.
Gostaria de saber que rumo ele levou, se se tornou uma pessoa mais confiante e assertiva, qualidades minhas que eu creio que ele ambicionasse. Se concluiu a faculdade, no que ele trabalha, se continua a frequentar os "inferninhos", ou se transformou-se radicalmente, para um rumo inimaginado. Se ele encontrou pelas veredas da vida "outra Fernanda" na qual se espelhar, e se outras vezes se submeteu às coisas que o fiz passar, se de outras pessoas ouviu calado as "desancadas" que com tanto venenoso prazer eu lhe dispensava.
E qual tipo de desdobramento esses fatos tiveram em sua vida, no que tudo isso resultou, para o bem ou para o mal.
Chico Buarque - Sinal Fechado https://www.youtube.com/watch?v=949SuBskT2U
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quarta-feira, 27 de março de 2013
O Getsêmani, o cálice e o pêndulo
Eu já lera boa parte da Bíblia, já concluíra diversas disciplinas de cultura e história judaicas na Letras da USP. Queria interagir com outras pessoas interessadas nestes mesmos assuntos. Queria "testar hipóteses", debater, tentar levar a exegese aos seus limites. Pesquisei por "perguntas cristãs" (à época eu me considerava cristã, hj sei que nunca fui) e o primeiro resultado, de uma comunidade à época com 30 mil membros, foi a "Perguntas Cristãs Complicadas".
Interessante. Entrei. Logo percebi que aquela era uma comunidade confessional direcionada a cristãos evangélicos. E que eles passavam boa parte do tempo tentando debater com diversos malabarismos de copiar e colar, enxertando Cântico dos Cânticos no meio da Torah, com umas pitadas de profetas, tudo temperado pelo Apocalipse. Uma salada mista, pra quem vinha da Academia e procurava debates refinados. E grande parte destes malabarismos era para tentar decidir qual dentre as milhares de vertentes evangélicas é a "única e verdadeira". Também apreciavam bastante menosprezar a Igreja Católica, como se o Papa fosse o anti-Cristo, e desrespeitar a Maria de Nazaré de todas as formas possíveis.
Logo ao começar a apresentar perguntas e oferecer respostas, percebi que minhas posições afrontavam diretamente as interpretações religiosas deles. E não apenas eu percebia esse mal-estar. Diversos outros membros "se estranhavam" com o moderador Shaylon, que sumariamente expulsava as pessoas que ele achava que não estavam lá para "edificar a fé". Devido às suas ações intransigentes, outros membros que estavam lá há mais tempo resolveram debandar e criar sua própria comunidade dissidente: a Perguntas Cristãs Complexas.
Recebi um scrap de Leandro Moreira com um convite, e migrei. Na PCComplexas a proposta era de um ambiente democrático, com moderadores eleitos pela comunidade, e com plena liberdade de expressão. Era uma comunidade muito ativa e diversa: com ateus, budistas, espíritas, evangélicos de todas as vertentes imagináveis, católicos e outros tipos de protestantes, inclusive os tais dos "judeus messiânicos". Tínhamos até um seguidor de Inri Cristo. Não era piada, o Unamundo era uma pessoa racional e esclarecida, que defendia que Inri Cristo de fato era uma reencarnação de Jesus.
Logo os tópicos pegaram fogo. A participação era tanta, que eu chegava a meio que "dar plantão" nos finais de semana, finalmente debatendo cada pequeno meandro do texto bíblico, com pessoas das mais diferentes formações, para meu grande deleite intelectual. Um tópico em especial foi um hit instantâneo, com o tema: "sexo antes do casamento é pecado mesmo? Onde isso está escrito?"
Um prato cheio pra mim, que sempre gostei de "esgarçar" as interpretações da Torah até o limite máximo de sua liberalidade. Construi uma argumentação amparada em diversas passagens, mas sobretudo nesta:
Ex:22
15 Se alguém seduzir uma virgem solteira e se deitar com ela, pagará o dote e se casará com ela. 16 Se o pai dela não quiser dá-la, o sedutor pagará em dinheiro, conforme o dote das virgens.
Essa passagem diz: se uma moça se entregar de boa vontade "seduzida" por seu namorado, não há obrigatoriedade de casamento, apenas uma indicação. Se o pai não concordar com o casamento, ele não se realizará. O pai deve ser indenizado por ter "sua propriedade avariada". Fora a "multa", NENHUMA punição é prescrita a nenhum dos enamorados, e não é dito que eles estejam a partir daí proibidos de contrair matrimônio com terceiros.
Há mais uma dezena de outras passagens bíblicas que me autorizam a defender que, pela Torah, essa "neurose" cristã com a virgindade não tem respaldo legal. Debate vai, debate vem, um membro em especial, Sílvio, que era mórmon, se demonstrava revoltado com, na sua forma de pensar, eu estar a "estimular a promiscuidade" e de eu estar usando a própria Bíblia para isso.
Ao longo de uns 400 comentários o debate foi cada vez pegando mais fogo até que... Até que certo dia o tal Sílvio foi ao perfil moderacional e deixou 2 ou 3 scraps lá reclamando de a comunidade dar espaço para, nas suas palavras textuais, "uma garota de programa enrustida".
Imediatamente o moderador Marcel Vasconcelos excluiu o membro, fez um screenshot e deletou os scraps. No dia seguinte a comunidade estava em polvorosa, sem que os membros soubessem exatamente o que tinha acontecido, e os amigos do Sílvio questionando sua retirada. A moderação da PCCplex explicou a todos que o conteúdo da postagem que resultara na expulsão do Sílvio era altamente ofensivo, e portanto não seria posto à vista de todos.
Me mandaram uma cópia do screenshot e ao ler que eu havia sido chamada de "garota de programa" (pra quem não sabe, isso se refere às prostitutas) meu sangue imediatamente gelou nas veias, e me senti profundamente ultrajada. Eu jamais tinha imaginado que por passar minhas noites e finais de semana pendurada na internet debatendo Teologia eu poderia ser acusada de fazer sexo a dinheiro.
Pois, obviamente, se eu fizesse sexo a dinheiro, primeiro que não debateria Teologia, segundo que se eu fosse deste métier, nas noites e feriados eu estaria ocupada demais para ficar em casa madrugadas a fio debatendo pequenos detalhes da Lei de Moisés. Então a pessoa que me ofendeu, e se dizia um mórmon muito dedicado à sua religião, sabia a princípio que estava levantando falso testemunho contra mim, o que sim é pecado claramente expresso no Decálogo (Cf. Ex 20:16).
Mas o Sílvio prosseguiu a reclamar, e a incitar os membros que lhe eram próximos contra a moderação da PCX. A Moderação então franqueou que ele nomeasse um "advogado", um membro da comunidade no qual ele confiasse para o representar. Ele escolheu Orlando Nunes José, que à época era amplamente respeitado por todos, até por mim (posteriormente ele se revelou uma das maiores decepções que eu já tive na Internet, mas isso fica para outro texto).
Mandaram a Orlando Nunes o screenshot. E, sabiamente, ele deu razão à Moderação. Concordou que a expulsão do Sílvio era sim justa. Mesmo tendo sido nomeado por Sílvio como defensor, não havia como ele defender seu amigo diante da forma como este me ofendera. Sílvio engoliu o sapo e não mais nos incomodou por alguns meses.
Tempos depois, ele pediu para voltar, e a Moderação me consultou. Minha posição foi: que ele volte, mas que se desculpe publicamente pelo que fez. Se a ofensa foi pública, igualmente deveria ser a retratação. E ele o fez, criou um tópico chamado "O Getsêmani, o cálice e o pêndulo", no qual se mortificava pelo que havia feito. Li, não me convenci de sua sinceridade, mas me dei por satisfeita. Posteriormente até cheguei a voltar a debater com ele outras questões.
Depois de muito tempo, sanadas todas as feridas, hoje este episódio me traz um certo "orgulho", como o que um soldado sente a respeito de suas cicatrizes de guerra. Foi algo, completamente inesperado, que me marcou muito. Tanto pela ofensa como pela proteção que o grupo de moderadores me deu. Foram rápidos, eficientes, e agiram da melhor forma possível à época. Depois tivemos nossos entreveros sobre a não realização da proposta de "democracia plena", mas isso tb fica para outro texto.
Muitas mulheres são acusadas de ter um comportamento sexual desregrado, ofendidas como "garotas de programas" e tratadas como prostitutas, sem o ser.
Mas poucas podem dizer que passaram por isso porque gastavam todas as suas horas livres, varando madrugadas e finais de semana, a debater Teologia.
Tópico do orkut - http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?tid=2442448414765242414&cmm=6452454&hl=pt-BR
http://pccomplexas6452454.blogspot.com.br/2006/03/o-getsemani-o-clice-e-o-pendulo-annimo.html
Depeche Mode - Personal Jesus http://youtu.be/cNd4eocq2K0
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terça-feira, 19 de março de 2013
De quando salvei a vida da minha avó
Era uma segunda feira. Na semana anterior a professora Bruna, de português, avisara que faltaria na segunda. Contudo, mesmo tendo avisado, a escola não conseguiu um professor substituto. E isso salvou a vida da minha avó.
Naquela segunda feira eu deveria dar aulas até 22:30, porém como a professora de português faltara, eu dei aulas "paralelas": ao mesmo tempo em 2 turmas. Se o diretor fosse "linha dura", me teria feito permanecer na escola até as 22:30 "cumprindo o horário", o que teria resultado em eu chegar em casa e encontrar minha avó já morta. Mas como o diretor dessa escola (E.M. Armando Grisi) era legal, me deixou ir embora às 20h40.
Eu poderia ter ido passear, comer alguma coisa, tomar uma cerveja. Mas voltei diretamente para casa, sem saber o quanto essa pequena cadeia de coincidências seria importante.
Às segundas à noite, minha avó Tula ia ao Centro Espírita "Fé e Caridade", e chegava em casa por volta de 20:50. O trajeto entre a escola "Armando Grisi" e a minha casa é de 10 minutos. Portanto, eu cheguei em casa imediatamente, ou poucos minutos depois dela.
Um dia muito normal. Cheguei, o carro dela já estava na garagem, estacionei o meu ao lado. Abri a porta da sala. A TV estava ligada. Tínhamos 2 cachorros, que sempre vinham me fazer festa quando eu chegava. Neste dia foi estranho. Eu abri a porta. Só Jade veio me fazer festa. Onde estava Whiskey? A TV da sala estava ligada, mas Tula não estava na sala. Enquanto terminava de abrir a porta, vi a cena mais arrepiante de minha vida.
Olhei o fundo do longo corredor que liga a sala aos quartos. No fim do corredor, na porta do quarto da minha avó, vi 2 pezinhos.
2 pezinhos apenas, saindo do quarto da minha avó, cuja luz estava acesa. 2 pezinhos de uma pessoa caída no chão, desfalecida. A cena mais assustadora que já vi. Um com sapato, outro sem sapato, caído ao lado. Meu primeiro pensamento foi: "Meu Deus, ela morreu!"
Corri até o quarto. Uma enorme poça de sangue aureolava a cabeça da minha vó, toda pisada pelas marcas das patinhas de Whiskey, aflito ao seu lado. Para meu alívio, Tula não estava desmaiada, mas semi-consciente, tentando descoordenadamente se levantar. Pela profusão de sangue, temi que ela tivesse tido traumatismo craniano. Peguei suas mãos e disse:
-Tula, não tente se levantar. Deita, relaxa. Vou chamar a ambulância.
Ela se acalmou e parou de se mexer. Numa vã tentativa de estancar o sangue e prevenir maiores danos cerebrais, peguei seu travesseiro na cama e coloquei sob sua cabeça ferida.
-Tula, fique deitada, aguente firme, preciso chamar o resgate. Não se mexa.
Embora minha vontade fosse ficar ao seu lado para ela não se sentir sozinha, corri para a cozinha para pegar o telefone. No fogão, uma chaleira fervia furiosamente. Apaguei o fogo. Liguei para o 193. Descrevi a situação e pedi uma ambulância. Ao desligar, veio o medo "e se pensarem que foi trote e não vierem???"
Peguei na bolsa da minha avó seu cartão do convênio médico. Liguei para o hospital do convênio, desesperada, avisando do que acontecera, e perguntando se o resgate público nos deixaria no hospital particular. Responderam que sim. Atalhei: "então se preparem para receber um paciente idoso com traumatismo craniano, em 5 minutos."
Eu queria então voltar a segurar a mão da minha vó, mas havia mais providências práticas a tomar. Whiskey era um cachorro problemático. Se eu o deixasse ao lado da Tula, ele atacaria os socorristas, então o peguei e tranquei no quintal, junto com a Jade. Ele latiu em protesto, e prosseguiu a latir incessantemente.
Com os 2 carros na garagem, os socorristas não conseguiriam entrar nem sair com uma maca. Então, mesmo sabendo que minha avó agonizava sangrando no chão, eu sabia que muito mais proficiente que ficar segurando suas mãos no aguardo da ambulância, seria tirar meu carro da garagem antes que o resgate chegasse, para agilizar seu trabalho. E foi isso o que fiz. Apenas depois de tirar meu carro da garagem, deixando todas as luzes acesas para quando o resgate chegasse, agilizar seu trabalho, tornei a atendê-la.
Peguei o telefone sem fio, e voltei ao quarto. Enquanto segurava as mãos de Tula e a tentava deixar tranquila, ambas sujas pelo mais de 1 litro de sangue espalhado pelo chão, liguei para Maria José Tomasella, pedindo ajuda.
Não sei quantos, se 5 ou 10, mas a ambulância demorou intermináveis, excruciantes, minutos para chegar. Buzinaram na frente de casa. Corri. Abri o portão "é aqui mesmo, corram!". 3 bombeiros entraram com uma maca e itens para imobilização: "vc moveu a paciente?"
- Não, não mexi nela, e pedi que ela não se movesse. Só coloquei um travesseiro para estancar o sangue.
Eles a suspenderam e pediram minha ajuda para colocar a maca embaixo dela. Sobre a maca, lhe colocaram o colar cervical, e amarraram seus braços e pernas. Devido a eu ter tirado o carro da garagem, rapidamente a puderam colocar na ambulância. Agarrei sua bolsa, com seus documentos, e fui com eles na ambulância, na parte da frente, ao lado do motorista.
Muita aflita, lhe disse algumas vezes em voz alta:
-Tula, eu estou aqui, vc vai ser levada pro hospital, fique tranquila.
E a ouvi dizer aos bombeiros, para meu grande alívio:
-Eu sou viúva de um policial. Meu marido era major.
Eles sorriram. Pediram que eu lhes desse um documento dela. Lhes entreguei sua habilitação. Tentando checar seu nível de consciência, perguntaram seu nome completo. Resposta certa. Perguntaram a data de seu aniversário:
- Primeiro de novembro
O bombeiro fez um tsc, tsc, meneando a cabeça negativamente, pois o documento marcava 13 de fevereiro. Com muita felicidade, expliquei ao bombeiro:
-Ela disse a data certa, ela nasceu dia primeiro de novembro, mas foi registrada em 13 de fevereiro.
Menos de meio minuto depois chegamos à emergência do hospital particular. Como eu havia ligado, eles já estavam de sobreaviso, esquematizados para recebê-la com um neurologista. Foi imediatamente levada ao aparelho de ressonância magnética, enquanto fui encaminhada à recepção sem nem poder agradecer aos bombeiros pelo resgate.
Comecei a responder às perguntas da recepcionista, e percebi que estava a deixar impressões digitais marcadas em sangue por todo o setor de atendimento. Pedi para ir ao banheiro para lavar as mãos. Na volta, ela me informou que, como havia possibilidade de morte, a Guarda Civil precisava ser acionada.
Uns 5 minutos depois, sem que chegasse nenhuma notícia sobre o atendimento, chegou o Guarda Civil e a recepcionista me chamou. Ele começou a fazer perguntas sobre o ocorrido, e mesmo tentando ser o "mais sensível possível", pude detectar que uma das suas preocupações era se não teria sido EU a agredir minha avó na cabeça... Apesar de me sentir ofendida por esta simples insinuação, compreendi que era necessário ele descartar essa possibilidade.
Quando ele percebeu que não era este o caso, perguntou se eu verificara a casa toda, se não teria sido um invasor, um ladrão, a agredir minha avó. Sinceramente, isso nem passara pela minha cabeça. Lhe disse que a casa estava toda trancada, tudo no lugar, que com certeza tinha sido um acidente, com a dúvida subjacente de q eu nem tivera cabeça para verificar a casa, as jóias, os dólares, o quintal... Sim, era possível que enquanto eu socorria minha avó um ladrão tivesse ficado escondido no quintal e enquanto eu respondi a esta pergunta, a casa vazia poderia estar sendo saqueada... Mas isso era o de menos. Eu não sabia se minha avó sobreviveria, e isso era tudo o que me importava.
Logo Maria José chegou ao hospital, e então liguei para Renê e Regina, avisando do ocorrido. Sim, até para Regina liguei, e lhe disse: "se eu tivesse mãe e ela estivesse em risco de vida, gostaria que me avisassem. Por isso estou te avisando." Eu esperava q ela dissesse: "estou pegando o carro, em 2 horas estou aí", pois é o que eu teria dito nessa situação. Mas, com um suspiro de enfado, respondeu: "amanhã vou ver se dá pra ir..." Sem mais comentários...
Na recepção do hospital, algum tempo depois vieram chamar "a responsável pela paciente Shirley". Fui levada até sua maca. Ela estava consciente. Cheguei ao seu lado, e ao me ver ela me dirigiu um olhar eloquente, absolutamente indescritível, de alívio e confiança. Agarrou minha mão como quem dizia: "Estou viva!"
Não falei nada, virei minha cabeça para o médico e ele logo explicou:
- Fique tranquila, ela não teve traumatismo craniano. Ela sofreu um corte profundo na nuca, por isso sangrou tanto. Demos 4 pontos. Mas amanhã mesmo ela deve ter alta, sem nenhuma sequela, sem nenhum problema.
Uma lágrima rolou do canto do meu olho e eu sequer pude articular-lhe uma frase. Lhe dirigi um olhar pungente e tornei a olhar o rosto de minha avó, que a esta altura já sorria.
É verdadeiramente indescritível a sensação de ter salvo a vida da minha vó. E mais ainda, de que se todas a felizes coincidências que me levaram a poder fazer isso não tivessem se concatenado (a outra professora ter faltado e o diretor me dispensado mais cedo), e eu tivesse chegado às 22:40, eu a teria encontrado já morta, não com 1, mas com 3 litros de sangue derramados no chão.
Deus proveu. Eu a pude acudir. E ela pôde viver mais 3 anos. 3 anos nos quais viajou à Argentina, ao Sul e ao Nordeste, recebeu parentes, visitou parentes, foi alegre, seguiu a vida "de casa para o supermercado para o centro espírita" de que tanto gostava, viu mais umas 15 novelas, costurou várias dezenas de conjuntos de travesseiro e lençol para bebês doados a mães carentes. E pudemos conviver.
Nesse meio tempo operou-se das pedras na vesícula e da catarata, sem poder dirigir nem cozinhar por vários meses, nos quais fui suas pernas, sua motorista, seus olhos e sua cozinheira. Numa das vezes em que estava-lhe servindo de motorista devido à operação da catarata, reclamei que o trânsito me atrasaria e ela falou, como uma criança emburrada com os braços cruzados sobre o peito:
-Eu sei que eu sou um peso...
E eu pude lhe dizer, com todas as letras:
- Você não é um peso, você é minha avó e eu te amo, só estou reclamando do trânsito.
Ela não sorriu, nem falou nada, Tula era "dura na queda", e não era afeita a "demonstrações públicas de afeto", apenas colocou sua mão sobre a minha, que estava no câmbio trocando marchas e deu uma leve apertadinha.
Esse pequeno gesto, de ela apertando levemente minha mão foi mais eloquente que qualquer declaração de amor. Foi um gesto de confiança, que ela sentia na mão que ora lhe servia de motorista a mesma firmeza da mão que naquele dia, ensopada no seu sangue, a salvara. Foi como se ela tivesse dito : "obrigada por você estar aqui para me dar a mão, para me acudir, para dirigir e cozinhar para mim. Obrigada, simplesmente por você estar aqui e eu ter a sua mão para apertar, seus ouvidos para reclamar e sua voz para dizer que me ama."
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domingo, 3 de fevereiro de 2013
Bloggar ampliou os sentidos da minha vida
E sempre achamos q todos os outros são muito mais felizes q nós. Sentimos q se falharmos em apenas um item dos q aparentemente são necessários para uma "satisfatória" vida burguesa, somos completos fracassados. Nos comparamos aos outros. E a cada foto de nossos amigos sorridentes na Europa ou na Polinésia, nos sentimos um pouco pior, como se estivéssemos "ficando para trás" e deixando de "aproveitar a vida" q todos os outros parecem "curtir adoidado", menos nós.
A melancolia nascida do marasmo do cotidiano nos deixa a impressão de q não estamos "vivendo", mas apenas vendo o tempo passar, e perdendo inúmeras oportunidades q jamais voltarão.
Não percebemos q na mesma medida q "invejamos" as fotos de um amigo cercado por seus filhos, do outro lado da tela este mesmo amigo inveja nossas fotos sozinhas. Nós invejamos sua vida familiar enquanto ele inveja nossa vida despreocupada. E assim retroalimentamos nossa frustração coletiva...
Sábios são os versos de Renato Russo: "Digam o que disserem / O mal do século é a solidão", às vezes parece q nossas "vidas virtuais" apenas servem para aumentar nossa tristeza e depressão. Comparamos nossas vidas, e temos pena de nós mesmos, nos sentimos girando em falso enquanto os outros progridem, rumo ao sucesso q nunca teremos verve para pleitear. Vemos os outros tomando corajosamente posse da vida q gostaríamos de ter, mas q não tivemos coragem suficiente para correr atrás. Os outros recebendo medalhas na Olimpíada q arranjamos alguma desculpa para não ir.
E é neste momento q devemos fazer uma escolha. Se vamos deixar "os caminhos da vida" colocarem cabresto nos nossos sonhos. Se vamos escolher "não escolher", mas "deixar a vida nos levar" e permitir q as circunstâncias nos encaminhem pelas trilhas corriqueiras, fáceis e bem iluminadas, q não nos apresentam desafios, nem conquistas. Ou não.
Foi num desses momentos, em q sentia simplesmente "deixar-me levar" pelos acontecimentos, e vendo o quanto o simplesmente "trabalhar" me deprimia, percebi q eu PRECISAVA fazer "mais alguma coisa", algo q simplesmente me desse "prazer", alegria, "distração", algo q "ocupasse meu tempo" e me trouxesse a sensação de estar contribuindo, construindo alguma coisa. Realização q, sinto, nunca encontrarei em meus alunos...
Eu já tinha um blog, e vendo q ele me trazia essa "satisfação" q eu tanto procurava, perguntei-me pq não criar mais blogs. E assim, me perguntando qual seria o "mote" do meu novo blog, "inventei" um: tirar fotos de flores. Agora eu tinha um bom motivo pra sair de casa: registrar no meu "Inventário de Flores Urbanas" toda a belíssima flora gratuitamente posta diante de meus olhos. E, com isso, meu cotidiano ganhou toda uma nova cor, e minha existência ganhou mais um propósito. Link: http://inventariodefloresurbanas.blogspot.com.br/
Mas ainda me restavam centenas de horas vazias, q eu gastava sem propósito, assistindo inúteis e inúmeros programas de TV. Percebi q havia outro aspecto da minha vida sobre o qual poderia blogar: minhas habilidades artesanais. Desde criança sempre gostei de trabalhos manuais, e fazê-los sempre me trouxe satisfação. Já tinha dezenas de peças únicas, exclusivas, feitas com minhas próprias mãos, e percebi q valia, sim, a pena publicá-las.
E, ao indexar minhas artes prontas, me senti estimulava a fazer mais delas. Aprendi a tecer em tear e comecei a fazer cachecóis. Conforme eles foram se acumulando, percebi q poderia presenteá-los às pessoas de minha estima. Poderia, com minhas mãos, confeccionar coisas bonitas, únicas e exclusivas. E, ao dá-las de presente, não só me sentia útil, como entregava aos outros em forma de arte um pouco de meu carinho por eles. E essa sensação acrescida do "orgulho" de exibir minhas peças na internet, e vê-las elogiadas. Assim nasceu o blog "Tessituras de Penélope" e adicionei "artesã" à minha descrição pessoal. Link: http://tessiturasdepenelope.blogspot.com.br/
Recentemente, vendo outro aspecto em q eu era em algum grau "boa", e sobre o qual tb poderia bloggar, criei 2 blogs "espelho": um em inglês, outro idêntico em português, para divulgar minhas receitas. E assim nasceram os blogs "Easy Foodie" e seu gêmeo "Comidinha Simples". Eles apenas engatinham, ainda vou configurá-los e devidamente divulgá-los quando já tiverem um bom acervo de receitas para oferecer aos leitores. Links:
http://easyfoodie.blogspot.com.br/
http://comidinhasimples.blogspot.com.br/
Agora já tenho 5 blogs nos quais publico regularmente. Fazer isso me traz certa sensação de "eternidade", e de estar de alguma forma contribuindo para a indexação, organização e "upload" do analógico para o digital de coisas úteis, interessantes. Me sinto colaborando com a construção de um novo mundo de ideias, disseminando conhecimento, ajudando a "cultura" com o q tenho a contribuir: minhas reflexões, as lindas fotos da flora q me cerca, divulgar minhas peças de artesanato "oxigenando" a palheta de possibilidades de outros artesãos, dando receitas simples e deliciosas, muitas q eu mesma inventei, propiciando q outros tb possam degustá-las.
Bloggar não só ocupa as muitas horas vagas de minha vida, como adicionou propósitos a ela. Publicar as coisas q faço com prazer e esmero na internet me estimula a fazer artes ainda mais belas, inventar receitas ainda mais gostosas, procurar flores q nunca antes vi, elaborar textos sobre assuntos nunca antes publicados.
Bloggar torna minha vida muito mais rica, interessante e cheia de sentidos. Recomendo a todos ter ao menos 1 blog, um "domínio", seu pequeno "minifúndio virtual" no qual possam se expressar, se eternizar, elaborar seus pensamentos, sua visão de mundo, divulgar seus hobbies, paixões, e a beleza q vê em estar vivo.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Do primeiro passo na obervacao
Resumo: é essencial aprender a calar a boca e observar os q nos cercam.
Sempre me disseram q eu era uma "pessoa difícil", de "personalidade forte", "desbocada" e me aconselhavam a ser "mais cordata", "mais flexível" e discreta. Até pouco tempo eu achava q proceder assim seria como renegar-me, deixar de ser "eu mesma".
Eu achava q "sinceridade" era qualidade, e quanto mais dela, melhor. A muito custo, percebi q é defeito, e muitas vezes crime capital. Percebi q "ser sincera", falar as coisas q pensava, era uma atitude antissocial. Q, ao invés de me valorizarem por falar a verdade, as pessoas pensavam mal de mim por ser "dura", "chata" e "desagradável".
Mesmo os meus melhores amigos não estavam interessados em ir ao fundo ou debater eticamente as questões q apareciam em nossas conversas. Apenas e tão-somente queriam q eu "os aceitasse", balançasse a cabeça, fizesse inúmeros "ahã", lhes desse atenção e lhes servisse de palco, de coadjuvante, aprovando e elogiando tudo q fizessem. Percebi q nas "relações sociais", muito mais valiosa q a verdade é o teatro das aparências.
Aos poucos, percebendo q numa conversa meus amigos não procuravam um interlocutor, um debatedor, mas uma platéia, comecei a colocar em prática o apenas ouvir. E nisso, ao invés de ficar elaborando qual seria minha frase seguinte, já sabendo q seu destinatário não estava interessado nela, passei a perceber melhor o q as pessoas falavam, pq o falavam, e os motivos q as levavam a assim proceder.
Muitas vezes achamos q as coisas q os outros nos dizem ou fazem têm a ver conosco, pois seguramente nosso umbigo é o centro em torno do qual o Universo gira. Ao deixarmos para trás essa postura reativa e adquirirmos uma postura contemplativa, perceberemos q para os outros somos apenas fantoches, formigas, e nada representamos.
Vou exemplificar como isso ficou claro para mim. Ao comprar um iPad imediatamente percebi q isso fazia os outros "virarem o nariz" para mim. Isso ficou muito palpável quando um dos meus colegas, q eu tinha certeza q me odiava, pois nunca respondia aos meus "bom dia", de repente apareceu com seu próprio iPad. E, como mágica, toda aquela antipatia acabou. Com seu iPad na mão, agora respondia aos meus "bom dia".
Ficou transparente: esse colega não "me odiava". Pra ele eu era "uma formiguinha", e uma formiguinha q possuía algo q ele gostaria de ter, mas não tinha. Ele não odiava a mim, odiava ao meu iPad. Não odiava meu iPad, amava meu iPad, mas invejava e EU tinha um iPad, e ele não. Quando ele comprou um iPad, o motivo q tinha para ser antipático cessou de existir. Ele passou a não me ver mais como "superior", mas como "igual". E mudou de atitude comigo, sem q minha atitude mudasse para com ele.
Percebi q esse colega não tinha nada contra mim. O problema era dele. Uma vez q ele resolveu o problema dele, parou de projetar seu problema em mim e pudemos "nos harmonizar".
Pensando muito sobre isso, parei um pouco de ter tanto medo, um instinto tão exacerbado de auto-preservação. Por exemplo, antes ao entrar numa sala onde andava animada uma conversa coletiva, o pensamento imediato era esquadrar se havia alguma possibilidade de o assunto ser "eu".
Hj percebi q a única pessoa interessada comigo sou eu mesma, portanto jamais o assunto das pessoas será "eu", o assunto das pessoas sempre é "elas próprias". 90% do q as pessoas falam é a respeito de si, suas opiniões, impressões, emoções. Para elas, eu sou uma formiguinha. E, ao menos q as pique, nem perceberão minha existência.
Parando de "picar" ou "alfinetar" as pessoas, aprendendo a guardar "minhas opiniões" para mim mesma, comecei a conseguir vislumbrar nas outras pessoas traços psicológicos e posturas parecidas com as q criticavam em mim.
Percebi q os outros tinham os mesmos defeitos q eu, e se eu identificava quando eles eram "desbocados", "difíceis" e "sincericidas", e via o quanto essas atitudes eram contra-producentes, isso me servia de lição para "domar" minha própria língua, disciplinar meus comichões, e agir melhor q eles: controlando-me.
Há um sábio ditado q professa: "da palavra dita és escravo, da não-dita, és senhor". Ou seja, uma vez q vc falou algo, isso ganha vida própria, e vc terá talvez q se explicar mil vezes desculpando-se por uma única frase mal-colocada. Já seus pensamentos são livres. Portanto, pense mil vezes antes de falar algo q pensou.
E, se vc quer um conselho: numa conversa, mesmo com um amigo, não fale o q vc pensa. Na verdade, não fale nada. Seu amigo provavelmente não está interessado no q vc tem a dizer. De vc ele apenas espera um palco, ahãs, e q vc arremate com um "que legal".
O q chamamos de "conversas" atenderiam melhor pelo nome de "monólogos paralelos compartilhados", cada um preocupado só em falar, se mostrar, tentar "iluminar aos outros" com seus sábios pontos de vista, opiniões, melhores conselhos possíveis e exibir suas altas capacidades (afinal, todo mundo se acha o supra-sumo da inteligência, da moderação, da esperteza, da sinceridade, do bom senso...),
É claro q cada um tem certeza de q a própria forma de fazer as coisas é a melhor de todas, se achasse ruim, faria de outra forma. Então, como cada um quer "ajudar" aos outros, ficará muito satisfeito enquanto estiver falando e sendo ouvido com atenção, desfiando cada pormenor das coisas maravilhosas, opiniões elaboradíssimas e informações muito relevantes q, num gesto de generosidade, compartilham com sua platéia.
Faça o teste. Na próxima vez q for conversar com quem quer q seja, ao invés de enquanto ouve já ficar elaborando sua réplica, desista da réplica. Apenas ouça, observe e vocalize alguns ahãs. Claro q algumas perguntas, sempre sobre o assunto, ajudam a demonstrar q vc está mesmo interessado, então intercale ahãs com uns "sério?!" e outros "continua, e então, o q aconteceu?". Arremate com uma frase dizendo o quanto tudo foi maravilhoso. Ao se fazer de palco para a pessoa, ela sairá muito satisfeita, jurando q esse foi o melhor encontro q vcs já tiveram. E, se o assunto for o preferido de cada um, o seu próprio eu, aí é possível q seu amigo até te abrace emocionado no fim da conversa, e seus ahãs te conquistem um amigo muito mais "próximo".
Para ele, vc é apenas uma formiga. Lhe será útil enquanto vc se conformar com a posição de coadjuvante na história em q ele tem certeza de ser protagonista. Não experimente revirar os papéis, pois ao "ser sincero" vc se tornará o antagonista a ser combatido e execrado.
Numa "conversa social" não há nada q vc falando, possa "ajudar" aos outros. Já na mesma situação, há muito q vc calando e observando, pode aprender com os outros.
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