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sábado, 21 de janeiro de 2017

Dezessete e Trinta e Quatro, Trinta e Quatro e Cinquenta.


É um título cabalístico. O escrevo como homenagem, reminiscência.

Eu tinha dezessete anos quando iniciei o mais longo e marcante relacionamento da minha vida. E meu parceiro tinha 34, exatamente o dobro de minha idade. Hoje sou eu quem tem 34 anos, e ele está prestes a fazer 51. Seria motivo para eu divagar alguns instantes solitariamente, não tivesse ele, a quem chamarei simplesmente de "J", me mandado um e-mail exatamente no dia do meu aniversário, em 29 de dezembro último.

Eu nunca esqueceria igualmente seu aniversário, em 9 de fevereiro, a o que se soma o detalhe de que também é o aniversário de minha única sobrinha. Ela nasceu bem ao final de nosso relacionamento de 4 anos, e ele soube à época da "coincidência ". Este ano ela fará 13 anos.

Vendo de hoje e de fora, parece sim um despropósito um homem adulto se relacionar com uma adolescente com metade de sua idade. Hoje, eu com 34 anos, não consigo imaginar que conseguiria ter um relacionamento com um moleque de dezessete anos. Mas J não se relacionou com uma "adolescente com metade de sua idade", ele se relacionou COMIGO, que nem aos 17 tinha dezessete anos. Não foi ele quem "deu em cima de mim". Fui eu quem "deu em cima dele", insistiu, seduziu, e, apaixonada, fez de tudo para engatar e manter o relacionamento. E confesso que sim, me senti à época muito orgulhosa de mim mesma por conseguir despertar a atenção de um "homem feito", bem mais velho, admirado, respeitado e até disputado por outras colegas.

J é uma pessoa muito humana, cheia de consciência e escrúpulos. Ele mesmo não gostava do fato de eu ser tão jovem, o falou diversas vezes, que preferia que eu fosse alguns anos mais velha, para não sentir que estava "se aproveitando" de mim. Talvez ele soubesse, lá no fundo, que também eu "me aproveitava dele", não no sentido material (longe disso, ao longo do nosso relacionamento ele sempre esteve muito ruim financeiramente, não pensem que eu tinha qualquer interesse escuso em relação a J, era um sentimento verdadeiro). Eu me aproveitava dele, e de estar neste relacionamento, para amadurecer, crescer, evoluir. J sempre foi um ótimo professor.

Namoramos durante todo o tempo em que estive perdidamente apaixonada por ele, 4 anos e meio, e chegamos a morar juntos. Por isso, quando me perguntam, digo que tenho sim um "ex-marido", embora nunca tenha me casado. Passamos por experiências fundamentais juntos. Eu estava com ele quando entrei na faculdade, saí de casa, virei adulta. Ele estava comigo durante o processo de luto por seu pai, e a morte de sua segunda mãe. Estávamos juntos durante a construção da minha vida e a dissolução da sua. E, sabendo da constância dos meus sentimentos, ele me chamava de "seu porto seguro".

Mas, em determinado momento "a chama apagou". Não foi nenhuma briga, traição, decepção ou mentira em particular. Gradualmente , o sentimento de paixão foi arrefecendo em mim, e talvez também nele, o relacionamento foi se desgastando e resolvemos, de comum acordo, nos separar. A minha e a sua vida haviam mudado. Depois de 4 anos de relacionamento, eu não mais queria, como aos 17 anos, "me casar com meu grande amor" e começar a ter uma "vidinha doméstica". Não aos 21 anos, estudando História na USP.

Eu queria, assim como ele, ter a oportunidade de VIVER, experimentar, quebrar a cara, errar, me arrepender, FAZER E ACONTECER. Não queria "me assentar" tão cedo, ser uma pessoa "dependente e dominada" por um marido muito mais velho. Ele entendeu. Terminamos nosso relacionamento íntimo, mas continuamos amigos.  

Depois de terminar a faculdade, me mudei para o interior e continuamos a, esporadicamente, trocar mensagens. Certa vez em que precisei vir a São Paulo nos comunicamos e ele me ofereceu sua hospitalidade. Dormi em sua casa de homem solteiro só com cachorro, como "velhos e bons amigos". De outra feita, alguns anos depois, eu estava em São Paulo por ocasião das festas de fim de ano e lhe mandei um sms na noite de Natal, apenas saudando-o. Em poucos minutos sua nova parceira começou a me mandar mensagens furiosas enquanto eu só pensava "Que mulher louca e insegura, nem com 17 anos eu me rebaixaria a fazer isso, ainda mais na noite de Natal..." Enfim...

Muitos anos se passaram desde então, mas em nada diminuiu meu carinho e admiração por J, pelo papel tão importante que ele teve em minha vida e em minha evolução pessoal. Grande parte do que eu sou, sei que devo a ele, por todas as nossas conversas e experiências compartilhadas ao longo desses 4 anos em que estivemos juntos. Ele sempre será meu gigante com voz de trovão. Ainda sonho com ele, de tempos em tempos. Me traz o conforto de me sentir acolhida ao lado de um bom e velho amigo. Ele foi fundamental à formação da mulher adulta que sou hoje. Fez de mim uma pessoa mais humana, comedida, intelectualizada, engajada, assertiva, e com um gosto musical muito melhor. Foi J quem me apresentou a Chico Buarque, Eric Clapton, BB King e Billie Holliday. Se apenas isto tivesse feito por mim, já seria muito. Mas sua contribuição à formação do ser humano que sou hoje foi infinitamente maior.

Gostaria que ele soubesse o quanto sou grata por termos divido tantos momentos juntos. Que eu sei que sem ele eu não seria hoje boa parte do que sou. Que me lembro dele com carinho e admiração. Que não importa quantos anos passem ou o que aconteça, nada irá mudar tantas lembranças especiais que guardo dele comigo. Que torço sinceramente por sua felicidade. Que gostaria de sempre que for a São Paulo reencontrá-lo nos restaurantes em que gostávamos de ir.

Que estou bem, sou dona de mim mesma, no domínio do meu destino, independente, sem dever nada a ninguém. Que hoje sou uma pessoa adulta, tenho uma vida respeitável e sou admirada pelo meu conhecimento. E que grande parte da base sobre a qual essa "Fernanda adulta" se assenta, reputo a tudo o que aprendi ao seu lado. Muito obrigada por ter permitido que eu fosse seu porto seguro. De certa forma, você ainda é o meu.

Kings of Leon - Use Somebody https://www.youtube.com/watch?v=gnhXHvRoUd0

Eric Clapton & BB King - Ridding with the King https://www.youtube.com/watch?v=sJK78Y3zoQk

Dave Matthews Band - Where are you going https://g.co/kgs/PhsWHN



sábado, 24 de setembro de 2016

Nome de personagem ecológico

 

É comum as pessoas não gostarem de seu próprio nome. Afinal, com qual autoridade alguém pode escolher o nome de outro ser humano? É uma escolha muito importante e frequentemente os pais não dão a devida atenção a este processo tão importante.

Quando estudamos Literatura os professores nos ensinam que os autores dos livros, ao escolher escolher o nome de seus personagens, muitas vezes já colocam "inserido no nome" algo da personalidade que projetam sobre aquele ser. E daí em diante passamos a cada filme ou livro ver no nome dos personagens "pistas" sobre sua real essência.

Por toda a minha vida cri ter um nome banal, sem nenhum significado ou "duplo sentido". Desde os doze anos falo fluentemente inglês e tenho tido contato com francês, alemão, italiano, castelhano, hebraico e até japonês sem nenhuma indicação de que meu nome tivesse qualquer "subjacência"... Até que...

Soube da existência de um programa na TV americana chamado "Between Two Ferns", programa de entrevistas com o humorista Zach Galifianakis https://en.m.wikipedia.org/wiki/Between_Two_Ferns_with_Zach_Galifianakis e só então procurei por "Fern" num dicionário de língua inglesa e descobri que significa "SAMAMBAIA"!

Nada demais se meu sobrenome não fosse "Ramos", ou "Palmer" em seu correspondente em Inglês. Sim, meu nome equivale a "Ramos de Samambaia". Sim, eu sou um personagem ecológico de um romance água com açúcar nova era "BEM VERDE"... 

E não só quem escolheu o meu nome não tinha a menor ideia disso como eu mesma passei 30 anos de minha vida sem me dar conta de que meu nome é sim um clichê ecológico risível. Tal como "River", "Leaf" ou "Summer" Phoenix, só que acidentalmente!

Na faculdade eu tive uma colega cujo nome do meio era "Relva" e ela explicava aos outros "é por causa da 'grama' mesmo" e eu ria internamente. Pois é. Meu próprio nome é uma referência ecológica completa e eu nem sabia! 



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Dez conselhos que a Fernanda de 34 anos daria pra Fernanda de14 anos



1 - Não tenha pressa. Para nada. Para casar, ter filho, escolher profissão, para nada. A vida é longa e você tem que pensar muito bem antes de tomar decisões definitivas. Não se contente com o primeiro cara legal que aparecer no seu caminho. Outros melhores te aguardam.

2 - Não fume. Fumar na década de 1990 era legal, mas agora já não é tanto. Isso só vai prejudicar sua saúde e te fazer gastar muito dinheiro à toa.

3 - Cultive as boas amizades. Amigos de escola são inestimáveis e te trazem uma sensação de segurança. Amigos de faculdade te ajudarão a ter mais oportunidades de emprego. Cultive-os. Não perca o contato com eles.

4 - Jamais se deixe dominar por ninguém. Família, namorado, melhor amigo, patrão, por ninguém. Ouça com atenção os conselhos das pessoas, especialmente as mais velhas, mas jamais permita que outra pessoa te domine.

5 - Tenha a si mesma como prioridade, sempre. Você é a única pessoa preocupada com o seu próprio bem-estar. Se você mesma não se valorizar, ninguém o fará.

6 - Preste atenção nas aulas de Matemática. Na escola parece que não servem pra nada, mas a maioria das profissões que pagam bem são da área de Exatas.

7 - Não tire fotos comprometedoras, não exagere nas selfies, e nudes jamais! 

8 - Pense antes de falar. Nascemos com duas orelhas e uma boca pra ouvir muito mais do que falar. E em boca fechada não entra mosquito. Se abstenha de "tiradas engraçadinhas" em que só você vê graça. A Fernanda de 34 anos passou por incontáveis situações constrangedoras ao tentar fazer piadas.

9 - Não perca seu tempo comparando sua vida com a de outras pessoas. Cada um tem sua própria trajetória, seus percalços e merecimentos. Enquanto você perde o seu tempo se ressentindo que fulano fez algo que você gostaria, esse mesmo fulano se ressente que você alcançou algo que ele almejava.

10 - Não tenha medo. Você é jovem e tem a vida toda pela frente. Se joga! Tope, encare, vá, viaje, tente, pule e voe! Você só é jovem uma vez e a vida de adulto é muito chata!


sexta-feira, 8 de julho de 2016

Quatro motivos porque somos contra a compra e venda de filhotes de raça.


Você tem uma cachorrinha fêmea de raça. Ela é muito linda, fofa, meiga, uma gracinha. Aí você pensa "Ah, que mal tem? Vou cruzar minha cachorrinha, vender os filhotinhos, fazer algumas famílias felizes e de quebra ganhar uma graninha extra, que mal tem?" 

Aí você compartilha o anúncio da venda dos filhotinhos, tão lindinhos, e não entende porque aparecem uns malucos que se dizem "protetores de animais" te criticando. O que é que você está fazendo de errado, trazendo lindos filhotinhos de raça ao mundo? Que mal tem isso? 

Ou você leva os filhotinhos pra uma feira de pets e aparecem uns loucos protestando contra os maus-tratos aos animais, contra os canis de fundo de quintal, mas você não tem nada a ver com isso, né? Seus filhotinhos são "puro fruto do amor", ainda que vez por outra você saiba que alguns deles morrem logo depois de vendidos. Que pena, né? São tão pequenos e frágeis... Mas não dá pra devolver o dinheiro...

Os protetores de animais nada têm contra cachorros de raça. Amamos cachorros. E gatos. E todos os pets. Sem raça, com raça, de meia raça, de qualquer jeito. O que somos contra é a irresponsabilidade, a exploração e o abandono. Vamos, portanto, tentar explicar pra você, que nós acreditamos que goste de cachorros, porque você deveria parar de cruzar o seu e vender os filhotes.

1 - Você está arriscando a vida, e explorando biologicamente, seu próprio cachorro, a cada gestação. Cada gravidez traz inúmeros riscos de complicações e problemas, ainda mais em raças pequenas. Por melhores que sejam os cuidados que você dedica à fêmea matriz, cada gestação sacrifica o corpinho da sua fêmea.

2 - Você está causando danos psicológicos à fêmea matriz e aos filhotinhos prematuramente desmamados. Imagine o que é uma mãe ser engravidada uma vez por ano, amamentar só até os três meses e ter seu bebê arrancado de si e vendido, como se fosse mercadoria. E para o bebê, ser separado da mãe tão cedo... Não parece legal, né? Se não é legal pra você, porque seria legal para aquela que você chama de "filha"?

3 - Cada filhote vendido é um cachorro de rua a mais que nunca encontrará um lar. Cada pessoa que compra um cachorro, se não fosse possível comprar, adotaria um, que seria retirado da rua. Portanto, cada lindo filhotinho que você traz à vida tira o lugar que poderia ser ocupado por um cachorro de rua.

4 - Cachorros não são mercadoria, e muitas vezes são comprados por pessoas irresponsáveis, que os abandonarão assim que derem "problema". Tome-se por exemplo o filhotinho presenteado no auge da paixão, num dia dos namorados. E depois que o namoro acaba? E o filhotinho lindo, que cresce demais para morar em apartamento? E aquele que late demais, e os vizinhos reclamam? Sim. Muitos desses acabam simplesmente abandonados na rua, pro dono "se livrar do problema". E, na rua, acabam se reproduzindo sem controle. Mas seus filhotes mestiços não serão adotados, porque  a "avó matriz" continua produzindo lindos filhotinhos, até morrer.

Nós, protetores de animais, acreditamos que você seja uma pessoa boa, que realmente ama seus cachorros, e pedimos que você reflita sobre esse texto e se questione se realmente é certo continuar cruzando seus filhinhos e vendendo seus netinhos.

Porque para nós o amor não tem preço. E filhos e netos não se compra nem se vende.





domingo, 24 de agosto de 2014

Pequeno guia com 12 dicas para os iniciantes na Internet



1 - Não aceite a amizade de estranhos. Tem gente que sai adicionando os outros "de bobo", outras que adicionam para passar vírus e dar golpes virtuais. E outras ainda que adicionam desconhecidos por motivos ainda mais escusos, criminosos mesmo. Simplesmente não aceite a amizade de ninguém que não seja previamente seu amigo na "vida real".


2 - Se você for menor de idade, não use uma foto de perfil (avatar) em que isso seja perceptível. Infelizmente, a internet está cheia de pedófilos e fotos que você acha normais e inocentes podem ser vistas de outra forma por esses tarados. Se você é menor, use como foto de perfil uma foto de um desenho, uma flor, uma paisagem, um personagem, de forma a que simplesmente pela foto o pedófilo não identifique que você é uma criança ou adolescente. Outra forma de evitar pedófilos é informar no seu perfil outro ano de nascimento, mais antigo, de forma a que os desconhecidos achem que você já é maior de idade. 


3 - Se algo é segredo, você deve ser o primeiro a guardá-lo. Não conte a NINGUÉM. Se você mesmo "espalha" o seu segredo, como pode achar que os outros vão guardá-lo? Procure, você mesmo, não espalhar fofocas nem publicar nada que ofenda a terceiros. Você poderá ser acionado judicialmente e processado no "mundo real" pelas coisas que publica na Internet.


4 - Nunca, jamais, em nenhuma circunstância, faça fotos "sensuais" ou nu. Nem com seu namorado, noivo ou marido. Pode parecer que "não tem nada de mais", mas tem sim. As pessoas são muito neuróticas com sexo e nudez. Uma única foto sem roupas poderá transformar sua vida num inferno, te tornar alvo de chacota e destruir sua reputação... para sempre. 


4 A - Pense: as pessoas cobram, muito caro, para posarem nuas... Por que você faria isso de graça... a menos que pretenda "divulgar seus serviços sexuais"? É justamente isso que as pessoas pensarão ao ver suas fotos nuas: que você é um profissional do sexo.


4 B - Pense nisso antes de tirar fotos com seu namorado ou marido na hora da "empolgação". Hoje vocês se amam de paixão, mas e quando esse relacionamento acabar? As pessoas são vingativas e aquele que você acha que é o "amor da sua vida" pode no futuro, por raiva, vazar na net suas fotos íntimas. Ele vai parecer um "garanhão conquistador", e você sairá dessa como uma "prostituta". Imagens que para você são de "amor", para os outros são pornografia.


4 C - Mesmo que você não seja vítima de um ex vingativo nem você mesma publicar as fotos "sensuais" que tira escondido de si mesmo, pense: e se você perder ou alguém roubar seu celular, tablet ou pen drive com essas fotos? E se um hacker invadir seu computador? Você acha que o ladrão terá algum escrúpulo em vender suas fotos para sites pornográficos ou de pedofilia? Com certeza, não. A única forma de se proteger disso é nunca, jamais, em nenhuma circunstância, tirar fotos sugestivas ou sem roupa. E até de biquíni.


5 - A internet é uma praça pública. Tudo o que você publicar será usado contra você, mesmo 50 anos depois. Tome muito cuidado com publicações polêmicas, brincadeiras "aparentemente inocentes" e "zoações" em geral. Se um dia, daqui a 30 anos, você for candidato a presidente, aquela sua foto entornando uma garrafa de vodka, ou com o "dedinho na boca" pode, e fará, você perder a credibilidade diante dos eleitores.


6 - Não faça postagens públicas, selecione "só para amigos". Proteja-se dos curiosos e dos haters (gente que te odeia). Seja cioso de sua intimidade, explore e se informe sobre as opções de configuração de privacidade com cuidado para que não "vazem" informações suas por aí sem o seu conhecimento.


7 - Se você for publicar algo e perceber que seus pais, ou seu chefe, não aprovariam, não publique. Nenhuma piada ou gracinha vale você "queimar seu filme" com aqueles que determinam o seu sustento.


8 - Pense se vale mesmo a pena atualizar seu "status de relacionamento" toda vez que trocar de namorado ou "ficante". Pense que no futuro quando você encontrar sua "cara metade" você pode até perdê-la se ela pesquisar e descobrir que você já teve 20 ou 30 outros parceiros. E também no que seu "grupo de amigos" vai pensar de você se você troca de parceiro engatando um novo relacionamento "sério" mês sim, mês não.


9 - Quando estiver namorando, não exagere nas "fotos românticas" e não publique fotos beijando. No futuro, se o relacionamento acabar, você vai odiar essas fotos, bem como seus futuros parceiros. Você poderá deletar as suas, mas e se houver várias dessa fotos, com dezenas de diferentes parceiros, nos perfis de outras pessoas? Nessas você não conseguirá "dar sumiço" e podem ser fruto de grande desconforto, dores de cabeça e crises de ciúme.


10 - Pense que um dia você terá filhos, netos e bisnetos. E talvez, se você não viver muito, eles só te conheçam a partir dos seus perfis nas redes sociais. Não publique coisas que poderiam envergonhar seus bisnetos daqui a 50 anos. Na internet tudo é eterno.


11 - Não perca o sono. É tentador "virar a madrugada". Não vale a pena. Não há nada que seja publicado depois da meia-noite que não possa esperar o dia seguinte para ser curtido, comentado e compartilhado. O sono é fundamental para nossa saúde e bem estar. Dormir poucas horas te fará se sentir mal e produzir pouco no dia seguinte. Durma pelo menos 8 horas por noite. E mais, se possível.


12 - Cadastre no seu perfil do Facebook todos os livros que ler e filmes que assistir. É uma forma legal de divulgar que você tem interesses culturais, de passar uma imagem positiva para todos. E, em nosso mundo, infelizmente, mais importante do que "ser" é "parecer" ou "divulgar". Cuide para que as informações que divulga sejam positivas, falem bem, e não mal, de você.


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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Da Máfia chinesa



Em texto anterior, mencionei que minha segunda experiência profissional foi em uma firma de videokê comandada por chineses, e au passant que meu desligamento desta empresa não foi tão pacífico. Vamos aos detalhes.


Os japoneses, ao que me consta, criaram uma forma de entretenimento denominada "karaokê", termo que significaria "sem banda". Pelo mundo espalhou-se o hábito de, em bares e locais de entretenimento, haver uma máquina que, com o acionamento de moedas, tocava a trilha de uma música, possibilitando aos clientes o entretenimento de cantá-la.


Na passagem entre os 1990 e os anos 2000 o karaokê "evoluiu" para o videokê, com o avanço de que agora havia uma tela que mostrava a letra da música a ser cantada. Rapidamente começaram a pulular pelos bares as "jukebox de videokê". E justamente no fornecimento de "máquinas de videokê" a empresa King Star entrava no mercado.


Entrei em contato com ela através do meu então colega de cursinho, e para sempre grande amigo, Henrique "Figura". Ele morava no mesmo prédio do dono da empresa, e assim conseguiu o emprego. No curso pré-vestibular Figura verificou que meu domínio do português era muito bom, e me convidou, a princípio, para um trabalho freelance como revisora da grafia da letra das músicas. Me forneceu um equipamento e por alguns finais de semana gastei todas a minhas horas livres nisso, entregando o trabalho antes do prazo.


Meu trabalho causou boa impressão e me convidaram para um trabalho fixo na King Star. Adorei pois seria minha segunda experiência empregatícia, e o local de trabalho ficava a 300 metros da minha casa no Tatuapé. Sem registro em carteira, receberia, em 2001, 300 reais por mês, o que creio que fosse próximo ao salário mínimo da época.


O dono da empresa atendia pelo nome "brasileiro" de Fernando, meu xará. Era um taiwanês de 26 anos com esposa e filho pequeno, empreendedor arrojado que também empregava seus irmãos, que atendiam por Cris e Mário. Soube que antes de se dedicarem ao videokê trabalhavam com máquinas de caça-níquel, mas que haviam abandonado esse ramo por conta da proibição legal e subsequente fiscalização.


Figura rapidamente me ensinou seu métier, que era bem mais simples do que eu pensava. As máquinas, semelhantes a DVD players, vinham prontas da China. A nossa parte era desenvolver o software. Ou, mais precisamente, adicionar o máximo de músicas ao acervo do software do videokê. Baixávamos pela internet arquivos .mid com a melodia e também pesquisávamos a letra dessa canção. Nosso trabalho era simplesmente o de sincronizar letra e música, acertando compassos, timbres e tons.


Mesmo sem saber quase nada de música e sendo incapaz de tocar qualquer instrumento, era muito simples esse trabalho. E até o de multiplicar músicas, se gravadas por mais de um artista. Nosso trabalho frutificava, e as vendas iam bem até o ponto em que foi contratado um terceiro membro para nos ajudar. Após algumas entrevistas, selecionaram Roberto Mautone Jr., que frequentava minha sala do cursinho pré-vestibular.


Tudo ia muito bem... Até que... A China chamou.


Nosso chefe Fernando não nos explicou muito bem os pormenores, mas pelo que pude entender, o capital que havia usado para iniciar o negócio viera de Taiwan, de parceiros comerciais que, portanto, eram sócios no seu negocio na King Star. Aparentemente seu sócio em Taiwan estava passando por problemas, ou desconfiava de sua retidão na condução da empresa, e portanto enviaria "emissários" para um tipo de "auditoria"


Os chineses que vieram eram 2, um homem e uma mulher, esta aparentemente esposa do superior de Fernando, e aquele aparentemente seu "testa de ferro". Só falavam chinês e um pouco de inglês. Sendo nós contratados numa firma com 3 chineses e 3 subalternos brasileiros, ouvir chinês para nós era corriqueiro. Fernando, com seu sotaque pesado, veio me perguntar se eu "realmente falava inglês de verdade" e quando disse que sim, me pediu que fizesse um "meio de campo" com os visitantes, os levasse para passear no bairro, almoçar, etc, e assim fiz.


Foi numa dessas oportunidades que descobri que minha primeira tatuagem não era em japonês, mas em chinês. No dia de meu aniversário de 18 anos eu comparecera a um estúdio de tatuagem. Folheara o portfólio e selecionara duma folha onde se lia "Letras japonesas" o ideograma sob o qual estava escrito "verdade". Estava tranquila desse fato até que o "testa de ferro" do chinezão, ao vê-la, abriu um sorriso e disse: "nice, honesty!"


Eu disse "I beg your pardon, what did you say?" E ele disse "I just read your tattoo". Repliquei: "can you read it? Is it in chinese? I thought it was 'truth' in japanese". E ele disse meio que rindo da minha cara "well, it's chinese, and says 'honesty', wich also can be translated as 'truth'." Me senti meio tranquila e meio lograda. Pelo menos eu não havia tatuado "conteúdo 300 gramas" ou "sopa de cebola".


Após algumas semanas chegou da China, ou de Taiwan, pois para eles "era tudo a mesma coisa" o chefão cuja esposa eu estivera ciceroneando, mesmo com seu péssimo inglês. Aparentemente vinha para "tomar o negócio" do Fernando. Num sábado de janeiro de 2002, logo após eu fazer as provas da segunda fase da FUVEST o Fernando nos disse para ir ao trabalho "normalmente", mas para ficarmos alerta, pois algo de importante aconteceria. Eu, Figura e Beto permanecemos no andar de cima, em nossos computadores, enquanto "a chinesada" fez uma reunião no andar de baixo. No meio do expediente, ouvimos do andar de cima barulhos que pareciam de uma briga física entre eles.


Quando se aproximou a hora do fim de nosso expediente, Fernando subiu as escadas, foi à nossa sala, nos dispensou e me entregou, numa caixa, uma fita de vídeo VHS. Me pediu que a ocultasse em minha bolsa, a levasse para minha casa, e disse que mais tarde, ainda neste dia, a iria buscar. E que eu a guardasse enquanto isso como a minha vida. Ok. Enquanto íamos embora, o testa de ferro do chinesão chamou o Figura para uma conversa particular.


Beto me acompanhou no curto trajeto até minha casa e, lá chegando, não nos contivemos em colocar a fita no meu videocassete, rebobiná-la e assisti-la. Era uma gravação de uma câmera escondida colocada na luminária do teto da sala onde acontecera a reunião, no andar de baixo. A "chinesada" obviamente só falara em chinês, mas mesmo não compreendendo uma só palavra, assistimos tudo, vidrados.


A linguagem corporal não deixava dúvidas. Travavam nosso chefe Fernando, o chinesão seu superior e seu testa de ferro que reconhecera minha tatuagem uma discussão aguerrida, por conta de dinheiro ou da condução da empresa. Assistimos ao momento em que o "chinesão big boss" deu uma série de socos na mesa, e este fôra o barulho que nos alarmara, ouvido do andar de cima.


Ao fim da tarde nosso chefe Fernando veio bater à porta da minha casa, perguntando com ansiedade e insegurança de menino "onde estava a fita". A entreguei na mesma caixa, sem lhe informar que a assistira, e ele a abraçou como a uma joia preciosa.


Abriu um sorriso, me agradeceu pela discrição e disse:


"Essa fita vai salvar a minha vida".


Na semana seguinte recebi a notícia de havia sido aprovada no vestibular da USP para o curso vespertino de História e pedi meu desligamento da King Star. E soube que o "chinesão big boss" não era o "big boss" after all. Que havia, acima dele, lá na China, um "chefão" superior, e que essa fita da discussão em chinês lhe havia sido remetida por Fernando como uma forma de provar sua honestidade na condução do negócio, no intento de "queimar", lá na China, com o "verdadeiro chefão" aquele que socara a mesa da King Star.


Nesse meio tempo o Figura nos revelou o conteúdo de sua conversa com o chinês. Ele sofrera uma tentativa de suborno. O chinês lhe dissera que a King Star seria desfeita, e o convidou para "virar a casaca": abandonar o Fernando e passar a trabalhar diretamente para ele, o que lhe valeria um reajuste salarial de 50%. De 300 passaria a ganhar 450 reais. Só ele, eu e o Beto não. Não havia espaço para nós. Figura nos disse que por nenhum momento cogitou aceitar isso. Que conhecia o Fernando há anos e não colaboraria com essa "puxada de tapete". Que não aceitaria essa proposta, levando o know-how que aprendera com o Fernando, para seus agora "inimigos" e futuros concorrentes. Que não faria parte deste "golpe empresarial" que resultaria no fim do emprego meu e do Beto, seus "trutas". O Figura sempre foi muito "firmeza".


Depois disso, não mais soube que rumo levou essa contenda. Com o avanço da tecnologia, e o fim da moda, essas máquinas de videokê que vendíamos caíram no ostracismo. Não há mais quem as compre. Não sei que rumo tomaram Fernando e seus irmãos. Mas tenho certeza que estão enriquecendo, empreendendo, trabalhando diligentemente, como os chineses, ou taiwaneses, sabem fazer tão bem.


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quinta-feira, 15 de maio de 2014

O canario Frank Sinatra


O dia 14 de maio de 2014 marca para mim a conclusão de uma das mais importantes incumbências que já recebi. Em seu leito de morte, meu avô me pediu que eu cuidasse "dos seus" com um sussurro. Padecendo de câncer terminal, saturado de morfina, em seu último momento de lucidez tivemos uma conversa física e metafísica de despedida. E, no seu último olhar, que foi de preocupação, percebi que ele, vendo-se partir, me repassava a responsabilidade de cuidar dos de sua casa. E assim foi.


Os que moravam "sob a asa" do meu avô até ele partir, eram uma pessoa, 2 cachorros e 2 pássaros. Os cachorros, Jade e Whiskey, morreram de velhos com mais de 14 anos e pude, com carinho, cuidá-los até o fim do decreto de seus dias. Minha avó, cuidei bem, alimentei, pensei suas feridas, fiz compania e até ensinei a mexer no celular. Mas para surpresa de todos, precocemente, faleceu em viagem ao Rio de Janeiro, para encontrar parentes, de derrame cerebral. Dentro das minhas forças, dela cuidei o melhor que pude, no que esteve ao meu alcance. O papagaio Chico foi doado pela minha vó Tula há muitos anos para o viveiro de um veterinário.


Restava o canário, o mais longevo de todos.


Criar canários do reino é um velho costume português que herdamos e sinceramente não me lembro de nenhuma ocasião em que a casa de meu avô não tivesse ao menos um canário. Às vezes alguns. Chegaram a dar cria. Além de singelos e de trato simples, os canários do reino cantam bonito, e interagem de forma até carinhosa com seu cuidador.


Desde o falecimento de meu avô assumi essa responsabilidade com certo pânico: nunca ninguém me instruíra a como cuidar de um passarinho tão frágil, mas pude fazer o backup das muitas memória do Major Vicente Novais da Silva, homem talhado em pedra, redobrando-se em carinhos e cuidados com seus pequenos. É simples. Basta água fresca, alpiste, vitamina uma vez por dia e de vez em quando um pedacinho de ovo, de fruta ou folha verde.


É simples, mas não era um "canário qualquer", era o canário do meu avô, que ele amava, e me pedira em seu leito de morte para cuidar. Portanto, eu não tinha "só" que cuidar dele. Para honrar ao meu avô, e a confiança que ele depositara em mim, eu tinha que cuidar MUITO BEM do agora "meu" canário, como não pude cuidar do meu avô.


Esse sentimento de responsabilidade, de cumprir a contento uma missão muito importante, não tive só a respeito do canário. Mas diferentemente dele, o papagaio, os cachorros, minha vó INTERAGIAM diretamente comigo. Depois da morte do Morzinho, minha relação com eles passou a ser DIRETAMENTE com eles. O Chico, que eu conhecia desde criança, mesmo esclerosado, ainda dançava às mesmas músicas de 20 anos antes. Os cachorros, até o problemático Uísque, me abanavam o rabinho e faziam festa. Minha vó conversava comigo, eu a levava ao shopping, almoçávamos juntas.


O canário não. Eu sabia que já era adulto, ninguém soube precisar o quanto, mas minha vó garantiu que estava com eles desde antes de eu entrar na faculdade, portanto há pelo menos 7 anos. Não me lembrava de ter ouvido meu avô chamá-lo pelo nome, e questionei Tula, mas ela não soube me dizer se tinha nome. Remexendo entre os discos de meu avô, encontrei um de Frank Sinatra, e como nosso canário era bom cantor, escolhi eu mesma este ser o nome pelo qual o chamaria.


Por pelo menos 2 anos ele me estranhou. Se assustava e entrava em rebuliço quando eu me aproximava da gaiola. Bichinho frágil e arisco, no qual nem se pode tocar, enquanto o papagaio Chico nos franqueava ainda coçar-lhe o cangote...


O canário hesitava em ter uma relação direta comigo, então minha relação sempre foi com a lembrança do meu avô, através dele. Até este dia do hoje, todas as manhãs, quando descobria Frank do seu pano de dormir azul e lhe dava vitamina, me lembrava logo cedo do meu avô. E todas as noites, quando olhava no relógio para não deixar passar da hora de pôr pra dormir o canarinho idoso, me lembrava de meu avô ao cuidadosamente cobri-lo com seu pano azul para dormir, dizendo "boa noite, Frank, durma bem."


E o mesmo terror de falhar na missão em relação a cada um destes seres que eram da responsabilidade de meu avô me assombrava em relação ao canário. Tinha medo de deixar faltar-lhe água ou comida e que morresse por minha irresponsabilidade. Tinha medo de pegá-lo para cortar suas unhas e quebrar um de seus delicados ossinhos, matando-o com minha brutalidade. Tinha medo de deixá-lo fugir da gaiola ou vê-lo atacado por um pardal e que ele morresse por minha inépcia. Tinha medo de esquecer de cobri-lo à noite, no frio, ou de esquecer de descobri-lo pela manhã, e ele sufocar, morrendo por meu descuido.


Enfim, tinha um profundo medo de não corresponder a contento à missão que meu avô me dera, e mesmo post-mortem, decepcioná-lo. Que um dia eu viesse a sonhar ou vivenciar ele me recriminando a dizer: "fui tão carinhoso sempre com você e você matou o meu canário!"


Com o tempo eu e Frank fomos construindo uma amizade. Afinal, foram quase 8 anos e após o estranhamento inicial, ele percebeu que eu era sua cuidadora agora e passou a me saudar, cantar para mim, quase a comer na minha mão. Posso dizer que enriqueci sua alimentação. Mudei o simples alpiste por um mix de cereais. Sempre lhe cozinhava ovos ao ponto de perceber que ele preferia a gema à clara. Sempre lhe oferecia diferentes tipos de vegetais até o ponto de constatar que seu prediletos eram o pepino, o brócolis e a alface. Em dia quentes, lhe colocava a banheirinha e ele se refestelava com uma alegria que com certeza valeu o registro em vídeo.


http://youtu.be/_KFV-qIZeZw


Até a véspera de morrer, sempre esteve muito bem, se alimentando de forma voraz, detonando as folhinhas, limpando o cocho de vitamina. Sua convalescença foi curta. Em 13 de maio acordou baqueado, passou todo o dia sonolento e desanimado, mas ainda comeu e bebeu um pouco. Não acordou no dia 14. Não morreu de surpresa, atacado, neglicenciado. Sua água e ração estavam cheias. Sua gaiola limpa. Ele, protegido, abrigado dentro de casa.


Morreu em paz. E assim trouxe paz para uma questão de honra para mim: fazer frente e cumprir o último desejo do meu avô. Neste dia morreu o último ser que estava sob a responsabilidade do meu avô quando ele se viu surpreendido pela morte, e cuja incumbência me repassara. Hoje, mais de 7 anos depois, todos estão mortos. E posso dormir tranquila, pois cuidei deles o melhor que pude. E a morte de nenhum deles foi causada por mim.


A partir de hoje, nem eu, nem meu falecido avô temos mais nada com o que nos preocupar. Tudo está bem, em paz, completo.


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sábado, 5 de abril de 2014

Como faz bem fazer o bem



Como faz bem fazer o bem. Como fazer o bem nos faz sentir bem.


Percebi isso hoje.


Sempre tive medo/receio de mendigos, pedintes e moradores de rua. O típico medo da classe mérdia de ser assaltado, explorado, feito de bobo.


Embora os "valores cristãos" nos recomendem praticar a caridade e ajudar ao próximo, essas "boas ações" costumam ser cerceadas por diversos motivos:


1 - Recomendam não dar dinheiro aos pedintes. Pois dar dinheiro não apenas os estimula a continuar na mendicância, como a sua doação pode ser usada para a compra de entorpecentes que prejudicarão ainda mais a saúde, física e mental, destas pessoas.


2 - Recomendam, ao invés de doar diretamente aos pedintes, fazer doações a instituições de caridade, que usarão esse dinheiro em assistência social. Porém, grande parte desta verba é revertida para o pagamento dos funcionários dessa assistência, como os operadores de telemarketing que nos ligam e motoboys que vêm buscar nossas doações. Além de que grande parte dessa população de rua se recusa a ser "institucionalizada" pelo Estado ou ONG's.


3 - Recomendam até não dar comida em pacotes fechados aos pedintes. Era meu costume comprar pacotes de bolacha e miojo extra para dar aos pedintes. Porém em diversas ocasiões fui informada que é comum pedintes coletarem esses mantimentos e os trocar por pedras de crack nas "biqueiras".


4 - Recomendam não "dar trela" para moradores de rua. Pois grande parte deles apresenta problemas psiquiátricos e a última coisa que alguém quer é um morador de rua que "encafifou" com você. E, se você lhe der atenção ou doações uma vez, pode ser que ele bata na sua porta a toda hora, no estilo "você dá a mão, quer logo o braço."


Então, embora em algumas ocasiões tenha dispensado moedas apenas para me livrar rapidamente de pedintes, minha práxis comum tem sido ignorá-los, por mais mortificada que isso me fizesse sentir. 


De certa forma esse é um sentimento de culpa. Pela percepção do quanto somos abençoados por uma segurança financeira que se sustenta sobre a exploração e exclusão (ou inclusão perversa) dessas pessoas na sociedade.


Em São Paulo capital é tão grande o número de mendigos que eles chegam a fazer parte da paisagem, e tropeçamos neles sem pedir desculpas, considerando "um fato natural da vida" a existência de meninos de rua cheirando cola ao meio-dia na praça da Sé. 


Em Rio Claro - SP não há "meninos de rua" e mendigos como em SP. Estamos relativamente bem servidos por entidades de Assistência social. Temos orfanato, "Casa das Crianças", "Casa da Aldeia" (com "mães sociais") e a Casa Transitória que abriga moradores de rua. Portanto é raro, em Rio Claro, ver um mendigo jogado na calçada. E é de se supor que ao encontrar algum, ele esteja na rua justamente por se recusar à institucionalização, a ser "fichado e rotulado".


Esses andarilhos não querem "se enquadrar" no esquema de vida burguesa. O que sempre leva aos membros da "classe média", como eu, a passar por essas pessoas com ar de superioridade e desprezo, ignorando-as. E, ao sermos abordados, frequentemente nos sentimos aviltados "como ele ousa me dirigir a palavra, esse bêbado, esse drogado? Ai, que medo!" E passamos por eles correndo, virando a cara.


No dia de hoje estacionei meu carro em frente a um supermercado e perto dele havia uma casa lotérica, onde aproveitei para ir pagar umas contas. Nesse trajeto, passei a meio metro de um morador de rua. Ao passar por ele, me dirigiu algumas palavras, à quais me recusei a ouvir, passei direto, balançando minha cabeça em negativa, enquanto reparava em sua excessiva magreza. 


Prossegui meu caminho até a lotérica, pensando sobre ele, percebendo que seu jeito idiossincrático denotava que ele provavelmente era possuidor de transtornos mentais. E que estes poderiam ser o motivo de ele prosseguir na rua, recusando as possibilidades de Assistência Social que nossa cidade oferece.


Um bêbado, um louco, um drogado, um desajustado...


Pensando sobre isso na fila cogitei que direito tinha eu de julgá-lo. Netinha do vovô militar que sou, em tudo o que tive estímulo, ele teve desilusão. Em tudo o que tive oportunidades, ele teve barreiras. Em tudo o que tive conforto, ele teve dureza. Em tudo o que tive aconchego, ele teve violência.


Pequeno e magro, jogado na calçada, minha negativa em ajudá-lo começou a me incomodar. Era meu conforto que me incomodava. Era minha arrogância de superioridade que me incomodava. Era a percepção de que na verdade, pequenas circunstâncias da vida dos separavam, que me incomodava. Mas, sobretudo, que eu teria que passar de novo por ele, na volta a caminho do mercado, que me incomodava.


Resolvi que "daria uma chance às circunstâncias": se no trajeto de volta ele falasse comigo de forma que eu não me sentisse ameaçada, o ajudaria. Não com dinheiro. Isso seria pedir demais.


Na volta, mais uma vez ele falou comigo, baixo e timidamente, já antecipando ser ignorado por mais uma patricinha arrogante. Mas, para sua e minha surpresa, parei e o olhei, como a um ser humano, como talvez nem ele mais me sentisse e poucos (inclusive eu) o considerassem. Me dissera sussurrando:


- Me dá uma ajuda...


Parei e lhe disse com a maior simplicidade que pude:


- Você está com fome, sede? Estou indo no mercado, me fala do que você está precisando.


Ele abriu um sorriso amplo, mas com poucos dentes, e disse "Uma Coca". Talvez tenha pensado que se tivesse pedido uma aguardente, eu recusaria, mas eu não teria recusado. Teria-lhe sim comprado um litro de pinga, se pedisse. Na sua condição, é mais do que compreensível que queira se entorpecer. Mas só me pediu um refrigerante e isso me fez ter vontade de também lhe comprar algo de comer.


Fui ao mercado e peguei uma Coca de 600 ml pensando que depois que poderia usar a garrafa para guardar água. Fui à padaria do mercado e peguei uma bandeja de bauru de forno, quentinho, com guardanapos e sachês de maionese e mostarda. Passei pelo caixa e fui levar até ele.


- Comprei uma Coca e uma coisinha pra você comer também.


Ele abriu um sorriso um pouco mais largo, com um dente a mais e disse:


-Deus lhe abençôe!


Tenho certeza que isso me trouxe mais bem-estar do que a ele. Que este ato, quantitavamente, mais aliviou a minha própria culpa por me sentir abençoada e pouco solidária do que a fome objetiva dele. Ele se sentiu um ser humano, mas eu me senti um pouco mais "superior e boazinha".


Ao fazer essa "boa ação" que me fez sentir tão bem, me lembrei de todas as vezes nas quais, em circunstâncias similares, passei reto, ignorei, não ajudei quem previsava, e rapidamente essa intercorrência cotidiana foi esquecida. Como poderia tudo ter sido tão mais simples. E humano...


Graças a Deus, há vários anos tenho emprego fixo, segurança financeira e comprar um refri e um salgado de vez em quando para um pedinte não me custa nada nem faz rombo algum no meu orçamento, cada vez menos apertado. O que me impedia era o medo, tudo aquilo que, com certa sabedoria da experiência, nos recomendam para nossa salva-guarda.


Não escrevo isso para esfregar na cara de quem quer que seja que "sou boazinha" ou alardear "minha caridade", mas justamente para dizer que não costumo praticar caridade diretamente aos que dela necessitam, me abordam pelas ruas e pedem. E que hoje o resolvi fazer, pela primeira vez. E que, com isso, percebi que a oportunidade que esse mendigo me deu para lhe "fazer o bem" trouxe um benefício maior a mim do que a ele. Acho que, a partir de agora, rompida essa barreira, poderei fazer coisas simples como essa mais vezes. Com menos medo da próxima vez.





sábado, 22 de março de 2014

Solo un ratito



Era uma sexta-feira à noite, perto de uma e meia da manhã, eu estava sentada no sofá, na sala da minha casa, placidamente assistindo à TV quando um barulho chamou minha atenção. Olhei para o lado direito, onde estava porta aberta e vi, de relance, tentando entrar furtivamente, um rato. Na verdade um ratinho, um camundongo, pequeno e cinza. Dei um grito, ele se assustou e saiu correndo. Talvez com mais medo de mim do que eu dele.


Terror total! Havia um rato tentando entrar em minha casa!


Imediatamente tranquei todas as portas e janelas, lacrando as frestas com panos de chão. E pensei: "quando escolhi essa casa para alugar vi seu grande jardim como vantagem, se eu soubesse que ratos poderiam se instalar nele, teria ficado com aquele kitnet no terceiro andar..." Mas, contrato assinado, e aqui instalada há mais de 6 meses, a única opção era seguir em frente.


Não foi a primeira vez em que um rato apareceu numa casa na qual eu morava, mas nas 2 vezes anteriores, não era EU a responsável por dar cabo dele. Eu podia simplesmente aguardar que "os adultos responsáveis" pela casa, e por mim, resolvessem o problema. Agora a casa era minha, eu era a adulta, e o problema era meu para resolver.


Na manhã seguinte, decidida a fazer uma "operação de guerra", levei #AmyThePoodle para passar alguns dias na casa da minha mãe. Fui na pet shop, comprei ratoeiras de metal, ratoeiras de cola e veneno (dos que têm aroma artificial de queijo). Fiquei super alerta por uns 4 dias, checando cada sombra. Na segunda-feira, já estava "desencanada" de que o rato tinha ido embora pra rua e no dia seguinte iria desarmar as ratoeiras e buscar a Amy.


Acordei na terça cedo para ir ao trabalho, despreocupada. Fui para a cozinha. Ia preparar meu sanduíche para comer no intervalo das aulas. Abri o armário.


Na parte de baixo, vi um pequeno ser cinza pular, furtivamente, tentando se esconder entre meus pacotes de miojo e batata palha. Era um rato. Berrei e imediatamente tranquei de novo o armário. Com ele e todas as minha comidas dentro.


Para minha sorte, já tinha marcado hora na dentista na quarta seguinte e avisado que daria falta médica no trabalho. Pedi ajuda à minha mãe, pois tenho pânico de ratos, e não conseguiria lidar com isso sozinha.


Não é propriamente uma "fobia". Não tenho medo de ratos albinos de laboratório, do Mickey Mouse, de hamster limpinhos, criados em gaiola. Mas de ratos de rua, tenho absoluta aversão e ojeriza. Penso em leptospirose e febre tifóide como atributos indissociáveis de todo rato de rua, daí meu pânico total.


Minha mãe veio me ajudar. Abrimos juntas o armário. Começamos a tirar as coisas e de repente, no meio delas, ele pulou. Gritamos. Pegamos cada uma uma lata enorme de inseticida (ainda que ele seja um mamífero) e despejamos no armário. Já nós mesmas intoxicadas, trancamos tudo de novo e esperamos mais uma bela meia hora, na esperança de que o rato fosse alérgico, ou asmático, e morresse.


Reabrimos o armário. Tiramos o resto das coisas. Nada do rato. O esquadrinhamos, tombamos, e nada do rato. Teria fugido? Onde estaria? Armário esvaziado, comprei mais veneno e ratoeiras, colocados em locais estratégicos. Com tristeza, deixei a Amy mais alguns dias na casa da minha mãe. Senti muita falta de sua companhia nestes dias.


Quase não entrei na cozinha até o sábado, quando trouxe de novo minha mãe para verificar o rato e o armário. Abrimos. Nada. Tombamos. Eu segurando, ela olhou. Nada. Disse "peraí", cutucou com a vassoura:


- O rato!


Senti terror completo e gritei, segurando o armário pesado, com os olhos fechados:


- Vivo ou morto?!... VIVO OU MORTO?!


Os 2 segundos que ela levou pra responder estão entre os "top ten" momentos mais terríficos de minha existência (até agora). Depois do lapso temporal que me pareceu levar várias horas de completo terror, ela disse:


- Morto. Tá estufado, comeu o veneno, olha!


- Não quero ver, tira ele de casa!!!


Ela tirou, colocou num saco e jogou no lixo externo. Ufa! Aí sim fui inundada por uma sensação maravilhosa de alívio. Não só tinha de fato um rato mesmo e não era loucura da minha cabeça, como eu tinha conseguido prendê-lo, o veneno tinha funcionado, seu cadáver fôra localizado e devidamente descartado. Eu voltava a ser a dona de minha cozinha e área de serviço.


Muito prestativa, minha mãe se prontificou a me ajudar na limpeza completa desses ambientes que se seguiu. Faxinamos tudo com muito desinfetante. Passamos álcool em todas as frestinhas do armário de cozinha. Por termos despejado inseticida sobre as comidas guardadas nele, joguei fora tudo o que estava aberto, e lavei com água e sabão, esfregando bem, todo o resto. 


Pensando em tornar meu armário "à prova de ratos", comprei potes de vidro e plástico bem grosso, onde guardo agora todos os meus gêneros alimentícios. Meu pensamento: "se acontecer de outro rato entrar aqui, não vai conseguir comer nada e vai embora!" Também comprei daquelas "cobras de areia" que se coloca embaixo das portas, para impedir que outro rato entrasse. Desarmei as ratoeiras de metal e pude então ir buscar minha Amy, de quem já estava a morrer de saudades.


Era só um ratinho. Mas para mim foi uma marca, uma conquista. Dei conta. Resolvi o problema. Venci. Aprendi. Escolada, agora estou muito mais atenta. As ratoeiras de cola continuam escondidas em locais estratégicos, onde a Amy não alcança. Deixei veneno embaixo de alguns móveis e no vão das janelas. 


Continuo alerta, prestando atenção a ruídos, verificando o armário e se há "alguma  novidade" nas ratoeiras de cola. Essa é mais uma etapa superada na minha vida. Não que ratos de rua tenham cessado de me aterrorizar. Mas agora, depois de dar cabo do meu primeiro, me sinto mais pronta, segura, senhora de mim, para enfrentar outro, se aparecer.


Sinceramente espero nunca mais ter que passar por isso na minha vida, e essa experiência me fez repensar que quando eu for adquirir um imóvel, é bem provável que isso me faça optar por um novo, e não usado. Mas apesar de não desejar, jamais, ter que passar por isso de novo, por pior que tenha sido, foi uma experiência que me fez sentir poderosa, no controle, capaz. 


#girlpower #singlelady





domingo, 16 de março de 2014

Cotidiano da vida adulta



Percebi que preciso manter minha vida num cabresto curto. Se não, tudo foge dos eixos.


Gosto de rotina, dum cotidiano sem surpresas, de ter dias previsíveis, bem cronometrados e planejados. Gosto de a cada noite, antes de dormir, construir uma imagem mental de como será o amanhã, projetando todas as idas e vindas, e ainda que sejam extenuantes, se foram previstas, não me cansam tanto.


Mas qualquer coisa que saia fora do meu "esqueminha" tem potencial para me abalar, me tirar do prumo, ou mesmo "acabar com meu dia". 


Uma visita inesperada. Uma indisposição. Um imprevisto. Um incidente. Um telefonema. Um e-mail que precisa ser respondido com urgência. Um prazo que só lhe é informado prestes a expirar. Algo que "precisa ser resolvido/entregue/protocolado pra 'ontem'." Ter que correr atrás de papéis. Ter que depender dos "favores" e da "boa vontade" dos outros para cumprir prazos apertados... Te cobrarem por coisas das quais você não recebeu aviso prévio...


A vida adulta parece consistir de só stress, cobrança e trabalho... Prazos, papéis, obrigações... Solidão, sono atrasado e conformismo... Eu achava que quando me tornasse "adulta" eu viveria a MINHA VIDA... 


Não sei se sou só eu, mas me sinto vivendo uma meia-vida. Meio-minha (nas cada vez mais raras horas de folga) e meio "cumprindo minha (extenuante) 'função social'." 


Me sinto feliz de cumprir uma "função social", mas achava que isso seria um complemento à MINHA VIDA. Não que isso seria como o sono, algo inescapável e inadiável, vampirizando a maior parte do meu tempo.


Eu achava que, quando adulta, teria tempo para viver. Mas tirando o dormir e o trabalhar, sobram raros momentos no dia para relaxar: ver TV, tomar uma cervejinha, navegar na net... E quase nenhum tempo, nenhuma brecha para "viver", investir em mim, passear, conhecer pessoas, espairecer, exercer meus hobbies...


http://www.youtube.com/watch?v=WBwo5MzB7io&feature=kp




sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dos Fenômenos Literários



Em conversas com pessoas similares a mim em muitas coisas, como idade, nível social e educacional é comum um "estranhamento cultural": apesar de eu ser uma leitora voraz, não ser adepta de nenhuma "saga literária" das várias que se consagraram como "fenômenos" da "cultura pop".


As mais populares nos anos 2000 são Harry Potter, The Lord of the Rings e The Twilight saga. Não li nenhum dos livros nem assisti a nenhum dos filmes. Quer dizer, cheguei a ser compelida a assistir ao primeiro filme do "Senhor dos Anéis" com um grupo de amigos. E enquanto eu bocejava, eles exultavam.


Os motivos de eu não participar dessa "onda cultural massificada" são vários, e como já fui muitas vezes confrontada pelo espanto dos meus interlocutores por eu não parecer muito empolgada a gastar um ingresso de cinema para assistir ao "Hobbit", vale o registro.


- Tudo isso foi lançado (ou virou viral) quando eu já tinha mais de 18 anos, já tendo lido vários clássicos qualitativamente superiores em enredo, linguagem, estética, como Kafka, Shakespeare, García Márques, Sartre.


- Sempre soube reconhecer o tipo de literatura ou música classificável como "guilty pleasure": algo do que até se gosta, mas se sabe que não tem muita "qualidade". Estava ciente disso já aos 14 anos, ao reconhecer que ler livros do Paulo Coelho e chorar com as músicas do Bon Jovi eram coisas das quais no futuro eu meio que me envergonharia...


- Tive meu próprio "Harry Potter" na figura da série de 14 livros de Anne e Serge Golon "Angélica, a Marquesa dos Anjos", cada um em média com 300 páginas. Aos 12 anos já tinha lido todos, e já tinha um "cenário fantástico" no qual fantasiar com as aventuras de Angélique de Peyrac no século XVI, entre o Poitou, O Languedoc, Versalhes, o Saara e o Novo Mundo.


- Conhecer mitologia grega. Quando criança minha família tinha uma coleção de livros de mitologia grega. Como "descer o nível" depois disso?


- Ter feito faculdade de História, percebendo assim com facilidade todo o humor involuntário dos acochambramentos que os "autores pop" cometem. Isso também me trouxe uma certa visão de que se determinado autor não atingiu o nível de "clássico", com tantos clássicos imortais na minha lista de ainda por ler, devo direcionar meus esforços primeiro ao que é um "dever" ler, antes de qualquer coisa "acessória".


- Estudar a Torah. Se comparada à mitologia grega o "Senhor dos Anéis" parece bobo, o que dizer de sua comparação à Torah? Ter estudado a Bíblia Hebraica em toda a sua riqueza e multiplicidade meio que "estragou minha tolerância" a literaturas fantásticas de banca de revista.


- Perceber claramente uma "mudança de gosto" conforme os anos passaram. Um "fenômeno literário" no qual embarquei foi o de Dan Brown. Li as 400 páginas de "The DaVinci Code" em um final de semana, assim que lançado. Devorei e adorei, com 20 anos. 8 anos depois comprei "The Lost Symbol". Li, com sofrimento, 35 páginas. Achei um lixo completo. Coloquei na prateleira e nunca mais senti vontade de retomar. Se eu fosse ler hj o "Código da Vinci" seguramente também abandonaria.


Em suma, sem querer me desfazer das paixões de ninguém, passo muito bem sem literatura-pop de vampiros, bruxinhos, elfos e gnomos.


Depois de ler Eclesiastes, Provérbios, Sabedoria de Salomão, como poderia apreciar "O Segredo", "A cabana", "Quem mexeu no meu queijo"?



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

15 curiosidades a meu respeito



1 - Nasci exatamente no dia do aniversário do meu avô - e sempre fui sua neta preferida. A gente se entendia só pelo olhar ;)

2 - Nunca chamei meu avô por "avô", o chamava de Papica, Moreco e Morzinho. Porque ele era o AMOR em forma de avô. Ah, ele era primo em segundo grau do presidente militar Humberto de Alencar Castello Branco.

3 - Estou no meu terceiro poodle branco, mas nenhum deles foi comprado - um ganhei de presente, os outros 2 foram adotados da rua. Eu adotaria mais cães se pudesse. Mesmo!

4 - Antes de eu nascer, minha família morou em Fernandópolis - SP. Mas não é por isso que me chamo "Fernanda". Nunca estive em Fernandópolis.

5 - Sou cinéfila e bibliófila. Tenho centenas de DVD's e livros. Quem for me dar um presente, filmes e livros são a melhor opção :)

6 - Sou muito ligada em nutrição, desde sempre. Faço questão de todo dia comer vegetais variados, nem que seja uma saladinha. E como castanha do Pará todo dia. Acredito que uma boa alimentação poderá me fazer chegar até os 100 anos!

7 - Quando criança, o "sonho da minha vida" era ser paquita da Xuxa. Virei historiadora. Portanto, quando você vir uma menina falando que seu sonho é ser funkeira, não perca a esperança.

8 - Criei minha primeira página na internet com 15 anos, em 1998. Era dedicada às poesias de Cecília Meireles.

9 - Meu primeiro computador era um 386, que rodava Windows 3.1 . Odiei quando lançaram o Windows 95. Já usei floppy disks no drive "A".

10 - Evito ao máximo tomar qualquer tipo de remédio. Até pra gripe e dor de cabeça. Só tomo se estiver quase morrendo.

11 - Aprendi castelhano vendo novelas mexicanas quando era adolescente. Só com esse "treinamento", já consegui ler livros inteiros em castelhano.

12 - Só uso brincos. Colares, anéis e pulseiras me incomodam.

13 - Já namorei um cara que tinha exatamente o dobro da minha idade. Durou 4 anos.

14 - Eu sou muito "prendada": sei cozinhar, bordar, tecer, crochetar, fazer caixas de tecido, costurar à mão. Mas não me peça pra fazer faxina. Odeio...

15 - Minhas cores preferidas são o lilás e o verde-água. Minhas comidas preferidas são charuto de folha de uva e salpicão de frango.

E você, quais são as 15 curiosidades a seu respeito?

sábado, 17 de agosto de 2013

Como melhorar a qualidade dos seus sonhos


Nesta sexta feira 16/08/2013 aconteceu-me algo incrível. Só precisaria dar aulas às 12:30, portanto na noite anterior coloquei meu celular para despertar às 10:00 e às 10:10.

Pontualmente às 8:06 minha cachorrinha Amy acordou-me gemendo aflita, olhei as horas, pensei "putz, tava num baita sonho legal", mas me levantei e abri a porta da casa para ela poder ter acesso ao jardim, caso tivesse vontade de ir ao banheiro. Estava frio. Voltei à cama para aproveitar o tempo que me restava de sono, e deitei com o pensamento "será que consigo retomar aquele sonho?"

Aquele sonho sei que não retomei. Mas tive outro, desta vez interrompido pelo sinal das 10:00, do qual guardo lembrança vívida.

O tema era "passarinhos".

Amy caçava passarinhos, e estava a brincar com um filhotinho de canário amarelo. Eu pegava o filhotinho, surpreendia-me de estar inteiro, e o adicionava à gaiola do meu canário Frank Sinatra. Anda no mesmo sonho, Amy caçava outro canário, desta vez adulto, e eu também o pegava nas mãos e o colocava na gaiola no Frank.

Então, mesmo no sonho, me passou pela cabeça que em inúmeras situações isso se repetira, e à esta altura, já devia estar lotada, com dúzias de pássaros oníricos a gaiola do pequeno Frank.

Então percebi que tenho tido inúmeros sonhos envolvendo pássaros. E, ainda deitada na cama, percebi que o "ruído de fundo" do meu sono era o piado de dezenas de pássaros, de variadas espécies, na jaqueira que faz sombra à minha casa. E que, da área de serviço, já cantava alto, reclamando de ainda estar coberto, o meu pequeno Frank.

Todos estes elementos - Amy caçadora de pássaros, o cantar do Frank, e os piados insistentes dos pássaros na jaqueira - resultavam-me num sonho leve, delicioso, propício e feliz: eu acompanhando a Amy caçando seus passarinhos, e tal qual num "pesque e solte", ao invés de ela os matar, eu os guardava, seguros, a fazer companhia ao já idoso e não tão mais solitário canário Frank, que herdei de meu avô.

Dreamgirl - Dave Matthews Band http://youtu.be/uoS_RYoDwNw

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sábado, 6 de julho de 2013

Dos poodles brancos

Em postagem anterior, relatei a "história de vida" de dois cachorrinhos que tive ( http://inadvertidamente.blogspot.com.br/2010/11/prosaica-elegia-de-jade-e-lucca-meus.html ), como viveram e, tristemente, morreram.

Mas a vida dá muitas voltas, e às vezes parece que torna a nos colocar diante das mesmas situações, como se o tempo fosse cíclico.

Desde o falecimento de Jade, em outubro de 2010, guardei-lhe um longo luto. E por um bom tempo ter outro cachorro pareceu-me fora de questão. Sentia como se ao pegar outro cachorro eu estivesse sendo infiel a Jade, como se ela fosse substituível. E não é, nunca foi.

O espaço que meus cachorros tiveram, têm, em meu coração, jamais poderá ser preenchido por outros, quais sejam. Cada um tem seu lugar em minhas memórias, em meu afeto, e sua falta jamais cessará de apertar meu coração.

Eu nunca comprei um cachorro a dinheiro e sou pessoalmente contra o se comprar filhotes. Lucca, ganhei de presente de meu ex-sogro. Jade foi encontrada perdida na rua. Nenhum deles foi comprado. E eu não compraria jamais um cão.

Quando minha avó Tula faleceu em fevereiro de 2013, me vi completamente sozinha numa casa enorme, que faz eco, cheia de 30 anos de lembranças e muita saudade não só dela, mas também de meu avô Vicente, falecido há 6 anos e meio.

Logo minha mãe Maria José Tomasella, que tem 5 cachorrinhas adotadas da rua, me disse que eu deveria ir atrás de um cachorro, para ajudar com a minha solidão, aplacar um pouco da minha tristeza. Fiquei meio na dúvida, temerosa. Mas aos poucos fui me acostumando à idéia e pensei comigo: "assim que minha situação se resolver e eu mudar de casa, então vou no Centro de Zoonoses e pego um cachorrinho abandonado".

Nós sempre achamos que podemos programar, planejar, "nossa vida". Mas a vida, ah, a vida, sempre nos surpreende, nos atropela, ignora completamente e passa por cima dos nossos projetos. O "nosso tempo" nem sempre é simultâneo, sincronizado, com "o tempo" e os fatos que a vida nos oferece, possibilita. 

Eu não planejava pegar um novo cachorro tão logo, mas a vida me atropelou, com a amorosa intervenção de minha mãe.

Me disse que já há algum tempo ela observava que um casal seu vizinho tinha uma cachorrinha que não era bem tratada. Certa feita, conforme me relatou, estava na porta, quando viu os vizinhos saindo de casa, e a cachorrinha deles fugiu. A esposa, displicentemente, disse ao marido apenas:

- Não corre atrás não, deixa fugir...

Maria José não teve dúvida, correu atrás da cachorra, foi até eles e disse:

- Se vocês não querem a cachorrinha, eu quero! Eu fico com ela.

A o que sua "dona" disse simplesmente:

- Então pode ficar!

Um dia depois o marido dela veio à porta dela e disse que "tinha pensado melhor" e que a queria de volta. Devolveu, mas continuou "de olho". Alguns dias depois, num feriado prolongado, foram viajar, e deixaram a cachorrinha, sozinha, trancada do lado de fora, no quintal. Enquanto estavam fora, a cachorrinha tanto que fez que conseguiu fugir mais uma vez, mas providencialmente Maria José viu, correu atrás e a resgatou, de novo.

Me ligou. Disse que tinha resgatado uma cachorrinha pequenininha, e me perguntou se a queria. Sem titubear, eu disse que sim. Passei no supermercado, comprei ração, latinhas de "patê" para cães, um ossinho de couro, e fui à sua casa pegar minha nova filha.

Maria José me esperava no portão, com um cãozinho branco no colo, em péssimo estado. Me aproximei, ela me passou o cãozinho ao colo e a primeira coisa que pensei foi: "que bom, ele não rosnou, é bem dócil". Ao senti-la nos meus braços, percebi "como está magra, devia estar passando fome". Seus ossinhos saltados cutucavam. Estava emaciada, esquálida.

Lhe dei uma boa olhada então e pensei: "ora bolas, parece ser poodle, será que é mesmo ou vira-lata mista com poodle?" Não tinha como saber, dado seu estado lastimável. Estava muito feia. Tinha o pelo bem longo, todo emaranhado, cheio de nós e bolotas. Em seus olhos, 2 enormes pedras pretas de ramelas de meses, que ninguém limpava. Fedia. 

A meti no carro e levei para casa. No trajeto, pensava em qual nome lhe daria. Após cogitar vários, veio-me um à mente: vendo como era pequenina, cabia-lhe também um nome pequenino, cheio de charme, delicado. Lhe disse em voz alta, como se a estivesse a chamar:

-Amy!

E imediatamente ela atendeu, virou a cabeça e me olhou. O vi como um sinal de que gostou e aceitou este nome, e depois disso nenhum outro poderia ser cogitado. O reputo como homenagem à falecida cantora Amy Winehouse e à personagem do seriado "The Big Bang Theory" Amy Farrah Fowler (Mayim Bialik).

Chegando em casa, como estava suja, não a pude acarinhar como queria. Era feriado, primeiro de maio, e só por isso não a mandei imediatamente ao banho e tosa. Lhe ofereci água e ração. Comeu e bebeu como se não comesse e bebesse há vários dias. Senti meu coração se apertar por isso.

Já estando farta e parecendo mais alegre, lhe disse, mesmo sabendo que ela nada entenderia:

- Olha, agora vc é minha filhinha. Eu te prometo que vc nunca mais vai passar fome nem nenhuma necessidade. Vou cuidar bem de vc, mas em troca vc tem que prometer que vai "durar" pelo menos 10 anos. Vc está PROIBIDA de morrer antes que eu complete 40 anos, viu?!

Como eu ainda não a conhecia bem, nem como seria sua rotina de xixis e cocôs, a mantive a princípio apenas no quintal. Em sua primeira noite, peguei um travesseiro velho para lhe servir de cutcho. "Cutcho" e "cutchar" é uma das poucas expressões italianas que persistiram em nossa família. Equivalem ao "dormir" ou "deitar". Nos primeiros dias, antes de ganhar minha confiança, dormiu no quintal, e não lhe permiti acesso à cozinha.

No dia seguinte de sua chegada, já dia útil, a levei ao pet shop, para banho e tosa. Ao ir buscá-la, era outra! Eu deixara lá uma cachorra bege que eu suspeitava ser mista de poodle. E de lá retirei uma poodle branco-gelo, perfeitinha.

A moça do pet shop, que se lembrou ao me ver da época em que lá mesmo eu deixava o casalzinho Jade e Whiskey, disse:

- Eu acho que essa cachorrinha nunca tinha sido tosada, teve medo da maquininha, do secador. E ela estava cheia de carrapatos. Tiramos, mas vc deve ver isso.

Fui direto ao melhor pet shop da cidade, com a pequena Amy no colo. Por primeiro, comprei-lhe um carrapaticida. Depois, como ela não aparentara simpatizar muito com o travesseiro velho, talvez por estar cheio do cheiro do suor de várias pessoas que ela jamais irá conhecer, me pus a selecionar-lhe caminhas.

Como minha idéia a princípio era de que ela dormisse do lado de fora, no quintal, mas não queria que passasse frio, fui ver as em formato de iglu. Não queria uma "caminha", mas uma "casinha". As de madeira não me pareceram suficientemente confortáveis e fui ver as de tecido, todas acima dos 100 reais. A vendedora disse que os cachorros costumam "não gostar muito de casinhas fechadas", preferindo caminhas, mas atalhei: "é que ela vai dormir no quintal, quero protegê-la do frio".

Com sua ajuda, escolhi uma grande, bonita, bem quentinha. Na seção de coleiras, experimentamos algumas até nos decidir por uma bem "gracinha", lilás. Eu já estava no caixa quando a vendedora que me ajudara a escolher o tamanho certo da casinha, me abordou:

- Ela assim tosadinha não vai passar frio dormindo no quintal? Pq vc não leva também uma roupinha?

Normalmente eu não aceito nenhuma dica de "vendedores", sempre na sanha por vender mais e mais. Mas na inflexão de sua voz percebi uma preocupação genuína de um "dog lover"; e aquiesci. Com sua ajuda, experimentamos na pequena Amy algumas roupinhas até chegar a uma rosa-choque, xadrez, que levei.

De volta em casa, ela agora limpinha e bem tosada, a pude abraçar, pegar no colo e acarinhar. Em alguns dias, auferi que ela tinha algum nível de "consciência" sobre higiene, fazendo suas necessidades no ponto extremo do quintal, onde deveria, mesmo que eu não a tivesse instruído a isso.

Quando percebi que ela não faria suas necessidades no meu quarto, passei a permitir que dormisse comigo, no quentinho, na intimidade do "quarto da mamãe". Apesar da preocupação da vendedora, Amy a-do-rou sua casinha em formato de iglu, nela se sente muito confortável e segura. É com certa alegria que quando ralho com ela por algo que não gostei, a vejo correr e se refugiar na casinha, pois lá se sente segura de todos os "perigos".

Percebi nela alguns traumas, como o de vassouras. Logo da primeira vez que peguei vassoura e pá para recolher suas necessidades, ela fugiu, com medo. Meu coração apertou. Também, ao trocar de sapatos, quando ela me viu com o chinelo na mão, imediatamente fugiu, se refugiando na casinha, tremendo de medo. Hoje, que ela já está comigo há 2 meses, isso não mais acontece. Ela já sabe que eu não usarei nem a vassoura nem o chinelo para lhe bater, e não mais fica com medo quando me vê com eles na mão. 

Foi com muita dor no coração que então constatei o quanto ela era terrivelmente maltratada em seu antigo lar. Não só passava fome, mas também era agredida, e abandonada à ação livre de parasitas, sem os devidos cuidados de saúde e higiene. Como tinham coragem de tratar tão mal a uma cachorrinha tão boazinha e delicada, com menos de 3 quilos?

Maria José me disse que quando finalmente voltaram de viagem seus vizinhos, foi lhes perguntar da cachorrinha, a o que a antiga dona disse com displicência:

- Ah, fomos viajar e ela fugiu. Achei até bom, uma preocupação a menos, ela tava cheia de carrapatos, dava muito trabalho.

Trabalho?!... Depois disso, vi que seus antigos donos não sentiam nenhuma falta dela, e que a partir de então podia ficar descansada de que não a queriam de volta. Isso somado aos maus tratos de que era anteriormente vítima, por parte deles.

Desde a chegada da pequena Amy, percebi nela apenas 2 "defeitos":

1 - Ela é fujona MESMO. No começo, acostumada que sempre estive a cachorros "tranquilos", que jamais tentaram fugir, abria o portão e a deixava livremente "dar uma conferida" na rua. No primeiro mês, ainda insegura e temerosa, nem saía da frente de casa.

Mas logo aprendi que não devia "dormir no ponto" com ela. Ao receber amigos de visita, enquanto eles entravam com as malas, Amy se afastou na rua. A chamei "Amy!" E ela prosseguiu a se afastar. Chamei de novo e de novo. Minhas chamadas apenas pareciam fazer ela ir mais longe. Quando a vi 5 casas adiante, fui atrás. Ela correu mais longe, em direção à Avenida Perimetral. E quanto mais eu ia em sua direção e a chamava, mais longe ela corria.

Cruzou a avenida, para meu desespero. Corri atrás dela, deixando atrás meus visitantes desconcertados. Vendo-a ir em direção ao Rheder Netto, vendo que gritar "Amy!" em tom de desespero apenas a fazia correr mais longe, disse bem alto, em tom doce:

- Vem colinho!!!

Como mágica, ela deu meia volta e veio em direção aos meus braços. Ufa!

Semanas depois, recebi a visita de outra amiga. Resolvemos sair, à pé, até a rotisserie da esquina, pegar um marmitex. Enquanto saíamos, decidi deixar a pequena Amy na garagem, pois voltaríamos em coisa de 10 minutos. Saímos. Enquanto escolhíamos dentre as opções, Amy entrou no estabelecimento e meu sangue gelou:

- Como vc chegou aqui?!

Achei que tinha deixado o portão aberto. A peguei no colo. O segurança da rotisserie disse:

- Ela é sua? Foi por sorte que não foi atropelada. Cruzou a avenida 3 vezes antes de entrar no restaurante.

A trazendo de volta pra casa, encontrei uma vizinha, com quem pouco converso:

- Ela te achou? Graças a Deus! Vi ela passando pelo portão, e não consegui pegar, pois ela correu!

Chegando à porta, vi que o portão permanecia trancado. Perguntei à vizinha:

- Mas ela passou por entre as frestas do portão? Mas como?!

- Não sei como, mas vi ela se espremer, se retorcer, até passar!

Então vi que não poderei, jamais "dormir no ponto" com a pequena Amy. E minha amiga falou:

- Vc escolheu o nome certo! Ela é loki, maluquete tal qual a Amy Winehouse!

2 - Amy tem instinto caçador. Especialmente a respeito de passarinhos. Desde o primeiro dia deixou claro que acha apetitoso e tem muita vontade de comer o canário do meu vô, Frank Sinatra. Ela lambe os beiços quando o vê e fica pulando, tentando alcançar sua gaiola. Também aos pardais e pombas da rua quer comer.

Quando saímos para passear, fica en-lou-que-ci-da com todos os pássaros que vê. Quer correr em sua direção e devorá-los. Talvez pq em sua casa anterior passasse fome e "complementasse sua alimentação" caçando passarinhos. É com muito esforço e cuidado que tenho mantido o pequeno Frank longe do seu alcance, tentando em vão convencê-la de que ele é "irmãozinho" e não comida.

Fora ela ser fujona e querer comer meu canário, só tem qualidades. É dócil, amorosa, carente, obediente, higiênica, linda e carismática. Mas, sobretudo, me ama. Incondicionalmente.

Chegar em casa e ter "alguém" que se alegra, efusivamente, em me ver, trouxe um novo colorido à minha vida. Eu já tinha meio que esquecido o quanto isso é bom. E de como é doce o som de um cachorrinho se sacudindo, fazendo aquele barulho típico das orelhinhas batendo.

Eu havia me esquecido de como é boa a sensação de acarinhar um cachorrinho entre os braços. De como é gostoso ver um cachorrinho se espreguiçar, bocejar e se abandonar, bem leso e molinho, entre seus braços, seguro de que está "no colinho da mamãe". De como é bom virar e revirar um cachorrinho no colo enquanto ele te lambe a abana o rabinho.

Mas, além disso, de como é bom, ao fazer tudo isso com minha pequena Amy, lembrar-me que também o fazia, de igual forma, com Jade e Lucca. De certa forma, ao abraçar Amy, me sinto também abraçando aos dois poodles brancos que tive antes dela.

Ao ter essa sensação nostálgica, a cada vez, agradeço o belo gesto de minha mãe ao reservá-la para mim. Ela poderia ter pego a Amy para ela. Mas, ao vê-la poodle branquinha, sabendo que eu já tivera 2 poodles branquinhos, soube que ela seria perfeita para mim.

E é. Racionalmente, eu teria preferido pegar um vira-latas, sem raça definida. "Cai melhor" a uma pessoa com meu discurso e postura ter um vira-lata. Pois quem me ver ao lado de Amy jamais pensará que ela foi resgatada, mas sim comprada, e como disse acima, sou contra o se pagar dinheiro, comprando, um cão, como se fosse mercadoria.

Meus 2 poodles anteriores, não os peguei por serem "de raça". Lucca ganhei. Ser "de raça" (duvidosa) foi surpresa. Jade fôra resgatada, prenhe. Ser "de raça" também foi surpresa. Igualmente, Amy não "escolhi por ser de raça". Ganhei de presente da minha mãe. Ser "de raça", poodle toy, branquinha, foi uma feliz e bem-vinda, "coincidência".

Sei que tê-la me fará ser obrigada a alugar casas um pouco maiores e mais caras, e isso custará alguns milhares de reais a mais por ano. Mas já não consigo imaginar minha vida sem ela, que já considero minha filhinha. É com prazer que trabalharei dezenas de horas a mais, para sustentá-la.

Amy me traz alegria, sorrisos, paz, tranquilidade. Aplacou minha solidão. Desde sua chegada, comecei a ver a vida de outra forma, vislumbrando um futuro. Agora tenho um compromisso ao qual não pretendo faltar, jamais. Tenho uma obrigação com ela. Assumi um compromisso de lhe proporcionar um lar confortável, seguro, comidinha da melhor, e muito carinho.

Ao menos pelos próximos 10 anos, enquanto minha pequena Amy viver, tenho um bom, um ótimo, motivo para continuar na luta. Antes dela, voltar pra casa era melancólico. Tudo o que me esperava era o vazio, a saudade, a tristeza, o luto, os fantasmas do passado.

Hoje, quando volto pra casa cansada do trabalho, já chego com um sorriso. Antes de terminar de estacionar o carro ouço os latidos de Amy, alegre de que a "mamãe" voltou. E me sinto feliz em voltar e ter "alguém" que está a me esperar e me recebe com felicidade. E ela é contagiosa!

Obrigada, mãe, obrigada, Amy, por tornarem minha vida muito mais feliz!

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