sábado, 30 de junho de 2012

Deus julga as mulheres com maior leveza?

Será que HaShem julga as mulheres com maior "benevolência" do q o faz em relação aos homens?

Vejamos algumas passagens sobre a condição feminina:

Lv 27:
1 Javé falou a Moisés: 2 «Diga aos filhos de Israel: Quando alguém quiser cumprir um voto a Javé, em relação ao valor de uma pessoa, o valor será o seguinte: 3 Se for um homem entre vinte e sessenta anos, a taxa será de quinhentos gramas de prata, conforme o peso padrão do santuário. 4 Se for uma mulher, a taxa será de trezentos gramas. 5 Se for um rapaz entre cinco e vinte anos, a taxa será de duzentos gramas. Se for uma jovem, a taxa será de cem gramas. 6 Se for um menino entre um mês e cinco anos, a taxa será de cinqüenta gramas. Se for uma menina, a taxa será de trinta gramas. 7 Se for um homem de sessenta anos para cima, a taxa será de cento e cinqüenta gramas. Se for uma mulher, será de cem gramas.

Nisto está claro q, ao menos em dinheiro, uma mulher vale menos q um homem. Ou, se visto de outra forma, q um pecado feminino pesa menos q um pecado masculino. Isso tb pode ser inferido daqui:

Gn 3:
16 Javé Deus disse então para a mulher: «Vou fazê-la sofrer muito em sua gravidez: entre dores, você dará à luz seus filhos; a paixão vai arrastar você para o marido, e ele a dominará».

17 Javé Deus disse para o homem: «Já que você deu ouvidos à sua mulher e comeu da árvore cujo fruto eu lhe tinha proibido comer, maldita seja a terra por sua causa. Enquanto você viver, você dela se alimentará com fadiga. 18 A terra produzirá para você espinhos e ervas daninhas, e você comerá a erva dos campos. 19 Você comerá seu pão com o suor do seu rosto, até que volte para a terra, pois dela foi tirado. Você é pó, e ao pó voltará».

Na expulsão do Éden a punição às mulheres é passageira, se dá apenas quando está grávida e vai dar a luz. A punição ao homem é permanente: ele é punido com o trabalho extenuante em todos os dias de sua vida. A punição pesa mais sobre o homem do q sobre a mulher.

Nesta outra passagem é relativizado o adultério. Diz q se uma mulher é levada a isso sem ser livre (e quase nenhuma mulher era "livre") ela não deve ser penalizada.

Lv 19:
20 O homem que se unir a uma mulher que é escrava concubina de outro homem, sem que ela tenha sido resgatada nem alforriada, pagará uma multa. Eles não serão mortos, pois a mulher não era livre.

Outra Lei da qual podemos inferir este princípio é esta

Ex 22:
15 Se alguém seduzir uma virgem solteira e se deitar com ela, pagará o dote e se casará com ela. 16 Se o pai dela não quiser dá-la, o sedutor pagará em dinheiro, conforme o dote das virgens.

Nessa passagem o interessante é: nenhuma punição é prescrita à moça solteira seduzida q se entregou voluntariamente. Apenas o "sedutor" é punido. E não com o apedrejamento, mas com uma simples multa pecuniária.

Creio q isso resulte dessa outra passagem

Nm 30:
2 Moisés falou aos chefes das tribos de Israel: «Assim ordena Javé: 3 Quando um homem fizer um voto a Javé ou se comprometer com alguma coisa sob juramento, não deverá faltar à palavra. Cumpra o que prometeu.

4 Quando uma mulher, ainda solteira e morando com o pai, fizer um voto ou se obrigar a uma promessa, 5 se o pai, conhecendo o voto ou a promessa que ela fez, nada lhe disser, então os votos dela são válidos e a promessa ficará de pé. 6 Contudo, se o pai, no dia em que tomou conhecimento, fez oposição à promessa, nenhum dos votos e promessas que ela fez serão válidos. Javé a dispensa, porque o pai dela desaprovou.

7 Se ela se casar comprometida pelo voto ou pela promessa que fez sem pensar, 8 e se o marido, ao tomar conhecimento, nada lhe disser no dia em que for informado, os votos e promessas que ela fez serão válidos. 9 Contudo, no dia em que o marido tomar conhecimento, se ele fizer oposição, o voto que ela fez ficará nulo, e a promessa que fez sem pensar não terá efeito. Javé os dispensará.

10 O voto de uma viúva ou repudiada e todas as promessas que fizer serão válidos.

11 Quando uma mulher faz um voto na casa do seu marido, ou se compromete com alguma coisa sob juramento, 12 se o marido, ao saber do fato, nada lhe diz e não lhe faz oposição, então os votos dela são válidos e a promessa que fez ficará de pé. 13 Contudo, se o marido, ao ser informado, os anula, então os votos e promessas dela ficam inválidos. Seu marido os desaprovou e Javé a dispensa.

14 O marido pode confirmar ou anular qualquer voto ou juramento de penitência feito pela sua mulher. 15 Contudo, se o marido nada lhe diz até o dia seguinte, então confirma todos os votos e promessas que a obrigam: ele os confirma com o silêncio que guardou ao ser informado. 16 Todavia, se foi informado e os anula mais tarde, ele próprio levará o peso da culpa de sua mulher».

17 São essas as ordens que Javé deu a Moisés para o marido e a mulher, e para o pai e a filha, quando esta ainda vive com seu pai.

A moça solteira, q ainda mora com seu pai, não é dona de si própria e não pode assumir sozinha nenhum compromisso. E caso o faça, seu pai pode livremente anular qualquer compromisso q sua filha dependente assuma, sem que o Criador impute nada negativo a ela. A moça solteira era propriedade do pai, q inclusive podia vender a própria filha como escrava (cf Ex 21:7). A mulher casada era propriedade do marido (cf Nm 5:19 e Gn 2:16), estava sob seu domínio e a ele devia obediência.

A Torah possui 613 mitzvot. Porém as mulheres não são obrigadas a segui-las todas, vejamos:

"As mulheres têm menos obrigações porque são conectadas de maneira diferente dos homens; possuem um progresso espiritual embutido. Os homens precisam usar kipá sobre a cabeça para lembrarem que D’us está acima deles. As mulheres não, porque elas têm a presença de D’us já incorporada em seu projeto espiritual." fonte: http://www.chabad.org.br/interativo/faq/mulher_mitsvot.html

"Apesar da mulher judia estar igualmente obrigada, como o homem, a cumprir todas as proibições da Torá, os mandamentos proibitivos (e estes são a maioria - 365 "não faças"para 248 "faça").
"Entretanto, no que se refere aos mandamentos positivos, a mulher judia está isenta do cumprimento de alguns deles (de modo algum, não todos), principalmente os que têm um fator tempo ou limite, em consideração aos seus importantes deveres conjugais e maternais, aos quais a Torá dá precedência. Neste aspecto, portanto, a mulher judia é antes "privilegiada". (...)
"Sob o ângulo feminino, toda mulher judia deve estar consciente de ter sido dotada de uma maior sensibilidade que permite estabelecer uma conexão com D’us de forma direta e profunda. Sob este prisma, sua natureza é mais uma vantagem, um ponto a seu favor. O fato de D’us tê-la isentado de certas tarefas mostra todo apreço que Ele dedica ao seu papel essencial dentro do povo judeu e na garantia de sua continuidade." fonte: http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/mulher_fez/home.html

Uma vez q as mulheres são obrigadas a seguir menos leis q os homens e o preço do resgate de uma mulher é inferior ao de um homem, podemos considerar que o Criador é mais benevolente com as mulheres do q com os homens? Que HaShem exige menos das mulheres, as julga com menor rigor do q o faz em relação aos homens?

Nascer mulher é uma bênção e dá um campo de liberdade maior ao ente feminino do q seus equivalentes masculinos têm? Isto posto, posso agradecer pela manhã a Deus ter nascido mulher, e não homem?

terça-feira, 19 de junho de 2012

Estou tonto - Fernando Pessoa via Alvaro de Campos

Estou tonto,
Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
Ou de ambas as coisas.
O que sei é que estou tonto
E não sei bem se me devo levantar da cadeira
Ou como me levantar dela.
Fiquemos nisto: estou tonto.
Afinal
Que vida fiz eu da vida?
Nada.
Tudo interstícios,
Tudo aproximações,
Tudo função do irregular e do absurdo,
Tudo nada.
É por isso que estou tonto ...

Agora
Todas as manhãs me levanto
Tonto ...

Sim, verdadeiramente tonto...
Sem saber em mim e meu nome,
Sem saber onde estou,
Sem saber o que fui,
Sem saber nada.

Mas se isto é assim, é assim.
Deixo-me estar na cadeira,
Estou tonto.
Bem, estou tonto.
Fico sentado
E tonto,
Sim, tonto,
Tonto...
Tonto.

Fernando Pessoa via Álvaro de Campos

terça-feira, 12 de junho de 2012

Reinvencao - Cecilia Meireles

A vida só é possível reinventada.
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas. . .
Ah! Tudo bolhas que vêm de fundas piscinas de ilusionismo... – mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só - no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me leva.
Só - na treva, fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.

Cecília Meireles

domingo, 3 de junho de 2012

Causos escolares: aborto e covardia

Recentemente ouvi um relato de uma aluna q me tocou profundamente por sua sinceridade e delicadeza. Foi numa sétima série da EJA, a aluna é uma mulher negra de mais de 40 anos, com o semblante sofrido das pessoas q trabalham desde sempre por um salário miserável. Durante a aula eu havia comentado algo sobre o reconhecimento de paternidade e naqueles 5 minutos finais ela espontaneamente começou a contar essa história. Espero ser capaz de reproduzí-la dignamente. Apenas para fins didáticos, a relatarei do ponto de vista da aluna.

- Sabe, professora, eu tenho uma filha q não tem o nome do pai da certidão. Eu nem vou atrás disso nem de pensão, hj sou casada e meu marido é um verdadeiro pai pra minha filha.

- Mas vc deve ir atrás disso. O dinheiro da pensão não é para vc, é para a menina. Mesmo q vc não precise ou não queira tocar no dinheiro, entre na Justiça e exija a pensão a q sua filha tem direito. Se vc quiser, pode deixar esse dinheiro no banco e ela pode sacar quando ficar maior de idade, assim ela vai ter um dinheiro pra fazer faculdade, ou até comprar um carro.

- Mas é q me disseram q se o pai pagar pensão vai ter direito de levar ela nos finais de semana.

- Sim, é um direito. Quando a pensão alimentícia é acertada, o juiz também determina os dias de visitação. Se o pai estiver pagando pensão, tem direito a passar alguns finais de semana com a menina.

- Professora, é justamente isso q eu não quero. A senhora não sabe o quanto esse homem me fez sofrer. Quando eu engravidei, ele falou q não queria o bebê, q eu já tinha 2 filhos, do meu ex-marido q tb nunca pagou pensão, q ele estava desempregado, q eu era faxineira e ganhava salário mínimo. Um dia ele chegou com uma cartela de remédio na mão, me mandou tomar e disse q isso ia "resolver o problema". Nem sei dizer como eu me senti.

Eu olhava pros meus filhos e sentia uma dor, nem sei onde, pensando se eu tivesse abortado eles, matado eles e eles não estivessem naquela hora sorrindo pra mim. Não sou religiosa nem nada, nunca tinha pensado em fazer um aborto, mas vendo meus filhos, mesmo naquela situação, não tive coragem. Sabe, se um homem tivesse me pegado à força talvez eu tivesse coragem, mas tinha feito aquele bebê apaixonada. O bebê não tinha culpa se agora eu descobria q o pai dela não era um homem de verdade.

Não tive coragem, professora. O meu namorado largou de mim quando eu disse q não ia abortar. Nunca mais olhou na minha cara nem quis saber da criança. Eu chorei a gravidez inteira, sem saber o q seria de mim, sozinha e com 3 filhos pequenos pra criar, sem marido pra me ajudar. Quando fui contar pros meus patrões, tive medo de ser demitida, mas eles me deram força, ainda mais quando contei o q o pai da criança tinha sugerido. Mesmo levando a gravidez adiante, não estava feliz, não fazia planos, não conseguia pensar num nome, o bebê era mais motivo de preocupação do q de alegria, e assim foi os 9 meses.

Mas sabe, professora, quando a gente tá no fundo do poço a gente vê como Deus não nos abandona e nos dá força quando a gente mais precisa. Entrei em trabalho de parto justamente na festa de Reveillon. Q apuros! Comecei a sentir as contrações e meu pensamento foi "Agora para melhorar tudo não vou conseguir q ninguém me socorra, ninguém vai trocar a festa de Reveillon por uma noite no hospital, talvez nem tenha médico pra fazer o parto!"

Mas um vizinho me ajudou na hora, me levou pra Santa Casa e minha filha nasceu assim q o ano virou, perfeita e saudável. Minha filha foi o primeiro bebê a nascer em Rio Claro em 20**. Todas as enfermeiras e médicos ficaram emocionados, veio todo mundo me dar os parabéns. Até um jornalista tirou foto da gente e perguntou o nome da bebê. Eu ainda não tinha decidido, mas naquela hora o nome dela veio direto na minha cabeça e não tive nenhuma dúvida: "O nome dela é Vitória".

Minha filha foi a minha vitória na vida, e percebi q ela tinha nascido naquele momento pra me trazer de volta a esperança. Senti um pouco de vergonha de ter passado a gravidez tão triste, preocupada e sem esperanças, pois segurando minha filhinha no colo vi q ela era um presente de Deus e q me traria muitas alegrias no futuro. E como ela saiu no jornal, virou o xodó da vizinhança e ganhei um monte de roupinhas e fraldas q eu não teria condições de comprar.

O pai dela nem quis saber. Ele mora perto de mim até hoje, e quando a gente se cruza na rua ele vira a cara, muda de calçada, dá um jeito de fingir q não nos conhece. Alguns anos depois me casei de novo, e meu atual marido é um verdadeiro pai para a Vitória.

Se eu for pedir pensão pra minha filha, ela vai me perguntar pq me separei do pai dela, pq ele nunca quis saber dela. E eu não quero contar pra ela. Eu não quero q ela saiba q o pai quis q ela fosse abortada. Acho melhor ela não saber, pois se ela souber q o pai dela existe e quis q ela não existisse ela pode ficar revoltada, e com razão.

Às vezes quando ela está brincando, percebo q ela fantasia com o pai imaginário, q seria um grande herói. Quando ela me perguntou quem é o seu pai disse q ele mora em outra cidade, e a gente não tem mais contato. Não sei o q vou dizer quando ela crescer, ou se alguém apontar o pai dela na rua, pois eles são muito parecidos. Não quero q ela saiba q um dia não foi desejada, pois ela, junto com meus outros filhos, é a maior alegria q eu tenho, e meu motivo de viver. Nem sei como eu me sentiria hoje se tivesse sido covarde e matado minha filhinha. Não quero q ela jamais venha a saber disso.


- Acho q vc está mais q certa. Parabéns pela sua coragem. - disse eu, percebendo q naquela aula ela havia ensinado a mim mais do q eu poderia ensinar a ela. Não sobre História, mas sobre Vida, Coragem, Ética e Amor.

domingo, 27 de maio de 2012

Porque nao uso decote

Ser mulher é uma forma bastante peculiar de ser humano. E muitas expectativas sociais cercam todo membro do gênero feminino, sem q sejamos avisadas a respeito. Enquanto crescemos, ser menina é uma forma menor de "ser princesa". E algumas acham q ser chamada por princesa resultará em serem tratadas como princesas ad aeternum, o q é ledo engano.

As mulheres só começaram a ter certa liberdade após a Revolução Sexual da década de 1960. Creio q sou a primeira geração de mulheres livres, em minha família. Por "mulher livre" compreendo: alguém q foi criada para ser independente, não "para casar e ter filhos", q foi criada pra ter "vida própria" sem depender de marido, q fez faculdade, q manda no próprio nariz, se sustenta sozinha, não é escravizada por gravidezes sucessivas, jamais apanhou de um homem.

Enquanto criança eu achava q isso me colocaria no mesmo "patamar social" dos homens meus contemporâneos. Mas só depois descobri q não. Independentemente de sua instrução ou estado civil as mulheres são julgadas sobretudo por sua aparência. E, ainda hj, divididas em 2 categorias: as "mulheres honestas", q merecem respeito, e as "vadias", q podem ser flagrantemente desrespeitadas.

O adjetivo "vadio" se aplicado a um homem designa alguém desocupado, q não trabalha. O adjetivo "vagabundo" se aplicado a um homem designa alguém q não trabalha nem está a procura disso. O adjetivo "puto" se aplicado a um homem designa q ele está nervoso, irritado com algo. Se um homem "faz biscate" isso designa q ele é um autônomo sem ocupação fixa. Se um homem é "rodado", isso designa q ele já viajou muito. Se um homem é um "cortesão" isso designa q ele faz parte da corte de um rei. Se um homem "faz favores" isso designa q ele ajuda aos outros, de bom grado. Se um homem "faz programa" isso designa q ele é programador de informática, ou analista de sistemas. Se um homem é um "faz tudo", isso designa q ele ocupa o cargo de "auxiliar de serviços gerais".

Adversamente, se aplicados a uma mulher, os adjetivos vadia, vagabunda, cortesã, puta, biscate, rodada, "de programa", q "faz favores" ou "faz tudo" imediatamente remetem à sua moral, ao seu comportamento sexual, e insinuam q a mulher em questão é uma prostituta. O nome disso é "machismo" ou "misoginia": ódio ou aversão às mulheres.

Quando eu era criança reparei num detalhe interessante: meninos podem, e devem, sentar com as pernas o mais abertas possível. Quanto mais abertas, maior é a declaração de q eles teriam um órgão sexual "avantajado", portanto, quanto mais um homem ou menino abre as pernas ao se sentar, tanto mais ele se torna "másculo", e se cruzar as pernas pensarão q ele é gay, ou tem um pênis acanhado. Para o menino, exibir ou insinuar q ele possui um órgão sexual é motivo de orgulho.

Meninas devem sentar com as pernas o mais fechadas possível, e se cruzadas, tanto melhor. Quantas vezes ouvi: "Menina, fecha essas pernas!" e não entendia o pq. Até perceber q a postura feminina seria demonstrativo de sua "disponibilidade sexual": mulheres de pernas abertas indicariam q estão acessíveis, são "putas", e mulheres de pernas fechadas dizem q são recatadas e "não 'dão' para qquer um". Para a menina, exibir ou insinuar q ela possui um órgão sexual é motivo de vergonha.

Quando nasce um bebê do sexo masculino, rapidamente o pai se regozija e anuncia a todos os amigos q "ele tem o saco preto, ou roxo" e todos ficam felizes e lhes dão os parabéns. Quando nasce um bebê do sexo feminino jamais um pai irá declarar q ela tem o "clitóris rosa" e se um amigo fizer qquer referência às partes íntimas da neném, isso será uma gigantesca ofensa. Todos preferem "esquecer" q a menina tb nasce com órgãos sexuais, ou considerar q tê-los é motivo de constrangimento, e não de orgulho.

Desde q aos 12 anos começaram a crescer dois tumores adiposos no meu tórax comecei, literalmente, a sentir o "peso" de ser mulher. Por mais atrativos q eles sejam aos homens, para as mulheres q os carregam, especialmente se sofrerem de gigantomastia, como é o meu caso, os seios são profundamente incômodos. Limitam os movimentos dos membros superiores, pesam na coluna, balançam, doem, incham, dificultam encontrar posição para dormir, atrapalham a prática de esportes.

Mas o pior de tudo: chamam muita, muita atenção, tal qual o rabo de um pavão. Isso eu percebi rapidamente. Q quando eu usava roupas justas e ia cumprimentar alguém do sexo oposto, o cara olhava pra meu rosto, olhava pros seus seios, olhava pro meu rosto, olhava pros meus seios, até decidir q preferia conversar com os meus seios a conversar comigo. Quantas vezes, muito constrangida, tive "conversas sociais" desagradabilíssimas com homens q não olhavam para o meu rosto enquanto eu falava, mas para meus peitos. E q eu era tanto melhor tratada pelos homens quanto mais de seus seios eu expusesse, e se eles não fossem expostos ou insinuados eu era muito mais facilmente ignorada e descartada como alguém "interessante".

Percebi q os homens me julgavam pelo tamanho dos meus seios, a profundidade da minha clivagem, o fato de estar maquiada e de salto alto ou não. E q caso me considerassem, pela minha aparência, uma "parceira sexual viável" eu era bem tratada. Em caso negativo, eu era ignorada. Se eu não lhes era interessante sexualmente, eles não tinham nenhum outro interesse em mim.

Do meu ponto de vista, nunca fui pudica em relação a roupas, sempre procurei me vestir de maneira "normal", mas já fui alvo de diversos comentários jocosos a respeito do meu trajar. Em diferentes ambientes já me perguntaram pq "não me arrumo", pq me visto "como se fosse crente", pq não uso maquiagem nem faço escova no dia-a-dia, e um aluno até chegou a dizer q me visto "como uma mendiga", em contraste com as outras professoras mais "arrumadinhas"... E várias pessoas já vieram, com a melhor das intenções, me aconselhar q eu deveria ser mais vaidosa dizendo: "ah, se vc soltar o cabelo, trocar os óculos por lente de contato e passar um rímel, vai ficar muito bonita". Como se toda mulher tivesse "obrigação" de ser, ou ao menos tentar ficar, bonita.

Eu não "me arrumo" no meu dia-a-dia, especialmente no trabalho pq não quero passar a "mensagem errada" de q eu seria uma parceira sexual viável aos meus colegas de trabalho e alunos. Faço questão de usar avental ao dar aulas por já ter percebido q quando não o uso o tamanho dos meus seios e o formato dos meus glúteos sempre viram o "assunto do momento". Sem o guarda-pó os alunos me vêem como "mulher". Com o guarda-pó os alunos me vêem como "professora" e eu neutralizo 95% das insinuações sexuais a meu respeito em sala de aula.

Eu não me visto "como se fosse crente", apenas de forma "normal" sem ressaltar meus atributos físicos. Até uso maquiagem e faço escova, em ocasiões extra especiais, não em meu cotidiano. Não me visto como mendiga, apenas compro roupas em lojas de departamentos, e não em butiques. Não solto o cabelo pois ele incomoda e esquenta o cangote. Não uso lentes de contato pois gosto da mensagem de prezo pelo intelectualidade q os óculos auferem aos q os ostentam.

No fundo, tudo isso é meu "disfarce de mulher honesta", não pq eu não seja isso, mas pq sei q vestir-me de outra forma seria uma declaração sobre meu comportamento sexual e minha "disponibilidade" a todos os homens em redor. Eu gostaria de poder me vestir de outra forma, porém não quero me submeter ao desrespeito q seria resultado disso, pois mesmo me vestindo de forma conservadora, frequentemente sou vítima de desrespeito pelo simples fato de ser mulher.

Sou uma mulher relativamente jovem e relativamente magra num ambiente de trabalho cheio de mulheres relativamente "mais velhas" e "mais gordas" do q eu. Esse simples fato resulta em ver-me alvo de insinuações e convites de cunho sexual por meus colegas de trabalho, muitos deles casados, sem q eu dê nenhuma "abertura" para isso. Mesmo me esforçando ao máximo para desconstruir qquer imagem sexualizada, ainda assim, pelo simples fato de ser mulher, jovem, magra e solteira, os homens acham q têm o direito ou a liberdade de me abordar com convites escusos. Independentemente do seu estado civil. Ser mulher, e ter seios, é quase um passe livre para q ou outros me faltem ao respeito.

Não uso decote justamente pq os homens q se atraem por mim pelos meus atributos físicos não me interessam. Quero um homem q esteja comigo por mim, não pelo formato do meu corpo. Quero alguém q me respeite, q não me veja como um objeto ou um pedaço de carne. Procuro alguém q veja a Fernanda escondida atrás dos óculos, q me ache bonita com a cara lavada, gorda ou magra, com celulite, sem Wonderbra, com o cabelo ao natural.

Minha sensualidade não é para qualquer um, por isso não a exibo para todos. Não estou a procura de "parceiros sexuais", estou a procura de um "parceiro para a vida", q não deixe de ter atração por mim baseado na circunferência da minha cintura, no ângulo descrito por meus seios ou nas rugas em meu rosto.

Gostaria de poder andar livremente pela rua sem camisa, como fazem os homens. Quando um homem tira a camisa é pq está com calor. Se uma mulher tira a blusa, ou é imediatamente estuprada ou presa por "atentado violento ao pudor". A simples exposição do corpo feminino é um "atentado à moral e aos bons costumes", ou um oferecimento de favores sexuais, mesmo q involuntários, a qquer homem q a veja assim.

É justamente nessa ferida q a slutwalk, "marcha das putas" ou "marcha das vadias" toca. Objetiva quebrar o preconceito de q a mulher deve ser julgada pela quantidade de pele q expõe, pelo comprimento da sua saia, pela profundidade do seu decote. Levanta a bandeira de q a mulher pode, e deve, se vestir como bem entende, e q seu trajar jamais deve ser considerado um "convite" ao desrespeito e à violência. Nestas passeatas as manifestantes "se vestem como prostitutas" para escancarar q não existe isso de "se vestir como uma prostituta": q toda mulher é dona do seu corpo e tem o direito de exibi-lo, se quiser, sem ser mal-julgada por isso. Com muita alegria, se um dia tiver a oportunidade, me vestirei "como puta" para participar da marcha das vadias, para quem sabe um dia poder usar um decote sem ser imediatamente considerada uma "mulher fácil".

Respondendo ao mote do texto numa frase: não uso decote pq não posso. Pois se usar, os homens ao redor nisso lêem uma declaração de disponibilidade, e me julgam moralmente "dissoluta" por conta da falta de 4 centímetros de tecido ou um botão entreaberto. Não uso decote pq não estou interessada em atrair homens q procuram mulheres baseados em sua aparente sensualidade. Não uso decote pois quero ser considerada uma "pessoa séria" e, pelo menos para os homens, "mulheres sérias" não usam decote.

Por favor, me julguem pela minha inteligência, pela minha personalidade, pelas coisas q gosto e os assuntos sobre os quais falo, não pelo meu soutien 46, meu jeans 38 ou a altura do salto dos meus sapatos! Me julguem como "pessoa", não como um "pedaço de carne".


Recomendo o filme "Erin Brockovich".

terça-feira, 22 de maio de 2012

Diferencas entre os bnei Noach e os bnei anussim

A Teologia judaica é uma filosofia riquíssima q serviu de base para a cultura ocidental. A religião judaica tem uma raiz racial, ou seja, os praticantes do Judaísmo se identificam, mais do q como um grupo religioso, uma comunidade com uma origem étnica q remonta às 12 tribos de Israel.

A história dos hebreus foi cheia de percalços, incluindo 2 expulsões de sua terra e a submissão a diferentes poderes imperiais. A primeira expulsão, ordenadas pelos Assírios, levou à dispersão das tribos e "sumiço" de 10 delas, restando as de Judá e Benjamin, e poucos remanescentes da tribo de Levi.

A Diáspora ordenada pelos romanos resultou numa dispersão prolongada dos judeus; q foram assim divididos, a grosso modo, em 2 grupos "étnicos": os askhenazim (alemães) da Europa central e os sefaradim (espanhóis) da Península Ibérica e norte da África.

Diferentemente da maioria da religiões, o Judaísmo não é proselitista: não procura converter à sua fé adeptos de outras religiões. Embora qualquer um possa se converter ao Judaísmo (embora esse processo seja difícil), ninguém nunca verá judeus fazerem propaganda de sua religião aos não-judeus tendo em vista convertê-los ao Judaísmo.

Muitos gentios (não-judeus) nisso vêem q o Judaísmo não contempla nem tem nenhuma preocupação com quem não é judeu, como se os gentios estivessem excluídos de sua concepção religiosa do mundo, o q é um erro.

A Teologia judaica professa q Deus fez 2 alianças, sucessivas e diferentes com os homens. Uma ampla, com todos os homens. Outra específica, exclusiva, com os descendentes de Jacó/Israel. A aliança com todos os humanos foi firmada com Noé. A aliança com a nação de Israel, apenas com os q estiveram presentes na revelação do Sinai e seus descendentes, é a aliança de Moisés.

Talvez falte aos gentios o conhecimento de q, de acordo com o Judaísmo, não são só os judeus q "vão para o Céu" (o termo correto seria "terão parte no mundo vindouro"), e q isso significa q Deus "pega mais leva" ou "cobra menos" dos gentios do q dos judeus. Dos gentios, os bnei Noach (noachides, noahides ou "filhos de Noé") Deus exige o seguimento de apenas 7 leis, enquanto q aos judeus é exigido o seguimento de 613 leis.

O movimento bnei Noach não se destina a converter ninguém ao Judaísmo. Busca divulgar as 7 leis da aliança noética para a elevação ou retificação de toda a Humanidade. Busca divulgar q os "tementes a Deus" e os "justos entre as nações" também têm seu espaço na concepção de mundo judaica.

Este texto não ficaria completo sem citar quais são estas leis.
1) Creia em D'us. Não sirva a ídolos.
2) Não blasfemar.
3) Não roubar.
4) Não matar.
5) Não cometer adultério
6) Cumpra as leis do país
7) Não coma um membro de um animal vivo e não seja cruel com animais.

Para saber mais: http://www.chabad.org.br/interativo/FAQ/sete.html

O movimento bnei anussim (filhos dos forçados) é muito diferente do bnei Noach. Enquanto todo ser humano sobre a terra é um filho de Noé, os bnei anussim são um grupo étnico-cultural específico, e muito diversificado. Existem bnei anussim de todas as cores: brancos, negros, asiáticos e até indígenas.

Também chamados de criptojudeus, a depender do lugar os bnei anussim também são chamados de marranos, neofiti, xuetes, cristãos-novos, ladinos, conversos, daggatuns, dönmeh, falash mura, lemba, judeus de Paradesi, Cochin, Malabar ou Kaifeng, entre outras denominações. Embora haja variações particulares, podemos afirmar q, embora os grupos referidos por estas denominações não pratiquem o Judaísmo como ele é configurado nos dias de hoje, fazem parte do grupo étnico hebreu.

São judeus, mas não são judeus. Fazem parte da etnia q descende dos hebreus, porém não praticam o Judaísmo rabínico, haláchico. E não deixaram de praticar o Judaísmo por sua livre escolha, mas pq desde a Diáspora e a disseminação do Cristianismo, ser judeu era perigoso. Especialmente na Europa, praticar abertamente o Judaísmo equivalia a uma sentença de morte nas mãos do Tribunal do Santo Ofício, a famosa Inquisição católica. Para salvar a própria vida, muitas comunidades judaicas se converteram à religião q lhes era imposta.

Contudo, em suas tradições culturais estes grupos de forçados (anusim) carregam diversos "marcadores" cuja origem é a prática do Judaísmo. Tradições como acender velas na sexta-feira, recusa em ingerir carne de porco, métodos de abate de animais, jeitos específicos de limpar a casa e lidar com os mortos, casamentos endogâmicos, diversas tradições familiares seguidas por séculos sem q muitas vezes seus descendentes saibam q estes costumes na verdade revelam uma herança calada.

O Brasil é um lugar especialmente rico em tradições criptojudaicas. Inconscientemente, muitos brasileiros eternizam em seus costumes populares reminiscências q revelam nossa origem insuspeita. Elementos folclóricos q muitas vezes consideramos oriundos dos portugueses na verdade revelam a origem cristã-nova de nossos antepassados.

Expressões e tradições tais como "chorar a morte da bezerra", "fazer mesura", dizer "que massada", "a carapuça serviu", "pedir bênção, ou 'bença' dos pais" antes de sair de casa, dizer "Deus te crie" quando alguém espirra, dizer q "apontar as estrelas dá verruga", antes de beber derramar um pouco da bebida "para o santo", todos estes costumes "brasileiros" são de origem cripto-judaica.

Além destas tradições orais, outro tipo de "marcador" pode ser usado para auferir se uma pessoa descende de judeus: o sobrenome. Sobrenomes referentes à religião cristã, referentes à flora, referentes a profissões e lugares. Muitos apelidos familiares q achamos ser de origem portuguesa revelam essa herança insuspeita. Citarei apenas alguns sefaraditas. Se vc tem qualquer um dos sobrenomes citados a seguir, é quase certo q vc é um bnei anussim:

Amorim; Azevedo; Álvares; Avelar; Almeida; Barros; Campos; Carneiro; Carvalho; Cruz; Dias; Duarte; Ferreira; Franco; Gonçalves; Lemos; Lopes; Machado; Martins; Mattos; Meira; Mello; Mendes; Miranda; Mota; Nunes; Oliveira; Paiva; Pardo; Pilão; Pina; Pinto; Pessoa; Ribeiro; Rodrigues; Rosa; Salvador; Souza; Torres; Vaz; Viana; Vargas; Andrade; Brandão; Brito; Bueno; Cardoso; Carvalho; Castro; Costa; Coutinho; Dourado; Fonseca; Furtado; Gomes; Gouveia; Marques; Prado; Mesquita; Mendes; Pereira; Pinheiro; Silva; Soares; Teixeira; Teles, Ramos, Oliveira; Pereira; Ferreira; Pimentel; Abraão.

Esta lista deve surpreender a muitos, pois a maioria desses sobrenomes (retirei os menos conhecidos) é muito comum entre os brasileiros, a maioria dos quais os carrega sem saber sua origem. Todos são citados em autos-de-fé inquisitórios como pertencentes a judeus ou são ainda hj ostentados como sobrenomes tipicamente judeus, fora do Brasil.

Para os q acham q estou exagerando, existem estimativas de q, durante o Brasil Colonial, cerca de 1 terço dos habitantes da colônia de origem portuguesa eram além disso, cristãos-novos. Q emigraram de Portugal para sua colônia americana por perseguição religiosa. Em Portugal eram discriminados e perseguidos por serem cristãos-novos e viram na emigração para a colônia uma forma de escapar à perseguição do Tribunal da Santa Inquisição. Na mesma medida em q os puritanos ingleses emigravam para as colônias britânicas na América para fugir à perseguição religiosa no Velho Mundo, cristãos-novos portugueses se mudavam para o Brasil; para fugir à perseguição religiosa.

Durante a colonização da América portuguesa, seus residentes tiverem um breve suspiro de "liberdade de culto" durante a ocupação holandesa do Nordeste, e neste período de liberdade estes criptojudeus puderam "sair do armário" e reviver suas tradições, chegando a erigir a primeira sinagoga em solo americano, a lendária Kahal Zur Israel, na "rua dos judeus", em Recife, Pernambuco. Finda a ocupação holandesa, os q não emigraram para fundar Nova Amsterdã (New York city, a "big apple", Nova York) retornaram à sua condição de judeus ocultos.

O movimento bnei Anussim procura divulgar entre os descendentes destes judeus forçados a se converter sua origem judaica, objetivando reintegrá-los à comunidade judaica, bem como reconduzi-los à prática do Judaísmo como religião.

Detalhe nem tão pequeno assim é q ser descendente de judeus, mesmo q comprovadamente pela tradição familiar, pelo sobrenome ou mesmo por um teste genético não torna ninguém imediatamente um judeu, na religião. Todos os filhos dos forçados são muito bem-vindos em se reintegrar à comunidade dos seus antepassados. Porém uma etapa essencial faz-se necessária: a conversão. Ou melhor, a "conversão de dúvida".

Mas muitos estranharão pq alguém q comprove ser descendente de judeus ainda assim precise passar por uma rígida, criteriosa e economicamente proibitiva conversão (impossível em território brasileiro atualmente) para poder ser plenamente aceito em sua comunidade ancestral. Isso acontece pois no processo de assimilação às comunidades geográficas nas quais residiam, perderam-se os registros genealógicos e a maioria dos anussim "se misturou" às comunidades locais, trazendo elementos étnico-culturais variados, comumente considerados idólatras. Não há como comprovar sua descendência matrilinear direta. Portanto, mesmo nas comunidades criptojudaicas fechadas, não há como ter 100% de certeza de q sua descendência judaica pela linha materna é ininterrupta. Por isso os filhos dos judeus forçados precisam se converter pela Halachá para retornar à comunidade judaica.

Espero com este texto ter contribuído para esclarecer q os bnei Noach são todos os seres humanos sobre a terra, e q desta forma todos os gentios são contemplados pela religião judaica e não precisam "virar judeus" para terem seu lugar no mundo vindouro. Apenas precisam observar as 7 leis transcritas acima.

Adversamente, os bnei anussim são um grupo étnico composto por todos os descendentes de judeus q, por diversos motivos, foram obrigados a "deixar de ser judeus", ao menos na "casca externa". Existem bnei anussim loiros, ruivos, negros, indianos, chineses, latinos: de todas as cores do espectro humano. Porém, abaixo das diferenças aparentes em seu fenótipo, todos integram a etnia judaica. E por serem descendentes das tribos de Israel, estão sendo, progressivamente, trazidos à lembrança de suas raízes. E, caso os descendentes destes forçados sintam q no fundo de sua alma bate um coração judeu, encontram nos seus primos distantes um convite: retornar às suas tradições, reviver a herança dos seus antepassados, fazer o caminho de volta: retornar à nação judaica e à prática do seu Judaísmo ancestral.

Portanto, embora o Judaísmo não procure, de nenhuma forma, converter gentios em judeus, no caso dos bnei anussim é diferente. Converter um filho dos forçados em judeu não é converter um gentio em judeu: é reconverter um hebreu, um israelita, em judeu: reintegrar à comunidade judaica pessoas q pertencem a essa ancestralidade mas foram obrigados a abdicar de sua religião para salvar sua vida, na época q "Judaísmo" era crime. O movimento bnei anussim busca resgatar judeus, q muitas vezes nem sabem q são judeus, trazê-los ao conhecimento de sua herança e reintegrá-los à sua comunidade étnico-religiosa.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dos ex-namorados invisiveis

A era das redes sociais pela internet, iniciada em 2004, trouxe novas formas de interação social e novos questionamentos de Etiqueta aos q fazem parte delas. Antigos problemas, como a perda de contato com amigos antigos ou distantes foram resolvidos, e nesse bojo novos problemas surgiram.

As relações amorosas costumam ser muito marcantes na vida das pessoas. Quando alguém está romanticamente envolvido com alguém, normalmente, adora registrar em fotos cheias de ternura essa união. Os namorados estão sempre juntos, se amam de paixão, não conseguem sobreviver sem o outro... Até q começam os problemas inerentes a uma relação de dependência e ilusão de completude. Quando a relação acaba, mais do q rapidamente os antigos apaixonados viram inimigos, e é comum q queiram erradicar todos os registros do antigo amor, se a relação acabou mal.

Igualmente também é comum q um novo namorado não goste de ser confrontado com a existência de antigos parceiros do seu novo amor, e não tolere ver os registros felizes do seu parceiro, na companhia de outra pessoa. O nome disso é "ciúmes". Algumas pessoas, não tenho a menor idéia do pq, acham q ciúme é "prova de amor" e se apressam a aquiescer a todas as exigências de seus agora namorados em "apagar seu passado".

O ciúme até tem sua razão de ser diante de uma situação concreta, no presente. Em relação à trajetória pretérita das pessoas, o q se passa por "ciúme" na verdade é pura e simples insegurança: o medo de ser comparado, e considerado pior amante em relação aos antigos parceiros do seu atual amor.

Antes da era das redes sociais, acontecia dos novos namorados exigirem q seus atuais parceiros rasgassem todas as fotos com seus "ex". Agora, isso se dá em exigirem q fotos antigas sejam retiradas da internet. Não só do perfil dos seus amados, mas de qquer perfil da Internet. Como fiel depositária de centenas de registros fotográficos de amigos com os quais atualmente mantenho contato apenas virtual, em diversas ocasiões me pediram q apagasse fotos q não tinham nada de mais além de mostrar a pessoa embraçada a um antigo amor. Fotos para as quais ambos pousaram bastante sorridentes, ou até me pediram q registrasse, mas agora não mais suportam ver. Já aconteceu até de uma namorada de um antigo amigo ameaçar me processar pela minha "ousadia" em colocar fotos em q ele aparecia com uma ex. (!)

Normalmente, apago essas fotos quando me pedem. Não pq concorde q elas devam "sumir", mas para não ter problemas nem arranjar inimizades desnecessárias. Porém não deixo de estranhar essa postura.

Cada ser humano é o resultado de todas as vicissitudes, intercorrências, efemérides e relacionamentos q já vivenciou. Grande parte do q somos, da nossa personalidade, foi moldado justamente por esses relacionamentos amorosos q já acabaram. Cresci bastante e aprendi muita coisa em cada um dos meus namoros. E não me envergonho de nenhum deles. Cada namorado, e amigo, q já tive, ajudou a construir a minha história. E não vejo nenhum motivo pelo qual meus futuros relacionamentos deveriam se sentir inseguros diante dos registros de minhas antigas paixões. Inclusive, já briguei feio com o único namorado inseguro q tive e q achou q poderia me "ordenar" q apagasse as fotos dos meus ex...

Algumas pessoas quando são alvo de ciúme se sentem "lisonjeadas" e pensam "ele deve me amar muito para sentir tanto ciúme". Discordo em gênero, número e grau. Para mim o ciúme é uma ofensa. Na minha percepção, o ciumento, além de demonstrar sua insegurança, ao expor esse sentimento está a desconfiar da fidelidade de seu parceiro, a achar q essa pessoa pode a qquer momento querer ter uma 'recaída' com seus ex, e por isso exige q os registros do antigo namoro sumam. E concordar com essas exigências ciumentas, no fundo, é legitimar os temores e inseguranças do atual parceiro. Q assim nunca acabarão, apenas hão de crescer e gerar cada vez mais conflitos. Resultando, comumente, no fim do relacionamento. "Se anular" ou "se dissolver" num relacionamento amoroso é o caminho mais curto para decretar sua inviabilidade. Um namoro, noivado ou casamento exige duas pessoas inteiras, não versões parciais, "editadas" de cada uma delas.

Cada relacionamento passado q tive foi fundamental no meu crescimento, é parte importante da minha biografia. Um novo namorado exigir q eu apague esses registros está tb a declarar q "não me quer por inteiro", mas quer uma "versão editada de mim", q não sou eu.

Nos meus perfis nas redes sociais, tenho diversas fotos de ex-namorados, e nenhum constrangimento em exibi-las. Com eles ainda mantenho amizade, mesmo q só virtual, troco e-mails, mando mensagem de "feliz aniversário", quando vou a SP gosto de reencontrá-los, como amigos, e de poder contar com eles. Mais de uma vez aconteceu de contar com sua hospitalidade em visitas à capital. Meus ex parceiros românticos hj são grandes amigos, e disso me orgulho. Nenhum namorado futuro q eu tiver tem o direito de exigir q eu os exclua como amigos, ou q retire do ar as fotos antigas em q aparecemos, mesmo q em situação romântica. São registros históricos da minha biografia. Fazem parte daquilo q eu sou hj.

Não entendo pq as pessoas querem apagar seu passado, ou pq concordam q os outros queiram editar os registros da sua história. Não entendo pq é tão comum q ex-namorados virem "inimigos" e as pessoas prefiram esquecê-los e não mais tocar no assunto. Até entendo, mas não concordo q pessoas adultas e esclarecidas mantenham comportamentos adolescentes, marcados pela insegurança e relações mal-resolvidas.

Novos namorados deveriam ter ciúmes dos ex q não são mais "amigos", nem virtualmente, do seu atual. Pois, se não sou amiga deste ex, é pq restou algo mal-resolvido na relação, e aí sim, há alguma chance de ela ser "reeditada". Se vc é ciumento, perceba: das relações sobre as quais seu namorado fala e publica vc não deve ter medo. Insegurança vc deveria ter apenas a respeito das relações sobre as quais seu parceiro não fala, nem tem fotos publicadas. Se seu namorado/a não se importa com as fotos de um ex é pq não tem mais sentimentos amorosos mal-resolvidos em relação a esta pessoa. De seus verdadeiros concorrentes, se existirem, vc nem sabe o nome nem jamais viu nenhuma foto. E, se vc acha q seu ciúme tem qquer embasamento: pq vc continua com uma pessoa q vc acha q pode te trair a qquer momento?

Quando eu for me engajar em futuros relacionamentos, será condição essencial q os candidatos a namorado me queiram por inteiro, aceitem meu passado, não se sintam inseguros diante dos meus ex. Se o namorado virou ex é pq este relacionamento já foi testado, e não deu certo. Se eu já sei q com aquela pessoa eu não combino e desisti do namoro, justamente dessa pessoa o atual não deveria ter nenhum ciúme: se virou ex, é pq eu não quero mais aquela pessoa como parceiro romântico, o q não implica em não querer mais amizade com a pessoa.

Se o seu atual namorado quer apagar uma parte importante do seu passado, não concorde com isso: questione abertamente o motivo dessa exigência e pondere se este atual realmente é um bom parceiro, se ele está com vc para agregar valor à sua biografia, e não para dilapidá-la.

Parcerias românticas com futuro não têm assuntos proibidos, não titubeiam diante de fantasmas. Busque relações inteiras, entre 2 pessoas completas, q se aceitam e se compreendem no passado, presente e futuro. Procure alguém q te respeite, q confie na sua fidelidade, q queira te conhecer por inteiro; e não q exija q vc "se edite" para melhor se encaixar na ilusão q ele tem ao seu respeito, ou na biografia q ele gostaria q vc tivesse tido. Não renegue seu passado em prol de um futuro q pode nem se realizar. Não abra mão de quem vc é, nem de quem vc foi, por ninguém.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...